Pura ironia

O Brasil enfrentava há pouco mais de 30 dias, a pior epidemia de dengue de sua história. O ano mal começou e as internações, tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na saúde suplementar, se acumulavam nos corredores do hospital. Isso sem falar na quantidade de pessoas que voltaram para casa para seguir com o tratamento em seus lares, e os óbitos.
Para quem acha que este cenário está controlado, a notícia não é das melhores. Tudo pode piorar, pois há apenas seis dias o país registrou um novo recorde de mortes por dengue em 2024. Foram mais de 2.197 confirmadas e outras 2.276 ainda em investigação, superando todas as marcas de 2000 para cá. Contudo, segundo a Confederação Nacional do Municípios, os números de casos registrados no Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde (MS) devem aumentar ainda mais por conta das enchentes e dos alagamentos causados pelas chuvas intensas na região Sul, que afetaram 364 municípios no RS. Todo esse cenário poderia ter sido evitado pela própria população com simples ações, como limpar o quintal e eliminar os focos do mosquito Aedes aegypti.
Os dados, os fatos, a ciência… Tudo está na mesa, junto à vacina contra a dengue. Mas, assim como o Brasil é “expert” em preservação do meio ambiente – contém ironia – a situação do Rio Grando do Sul está aí para comprovar isso, os brasileiros estão de parabéns – contém ironia – quando o assunto é lidar com o real, com dados, fatos e ciência. Assim como foi na época da vacinação contra a covid-19, o país começa a dar sinais alarmantes sobre como será o processo de imunização da população contra a dengue. Não parece, e o povo se esqueceu também, mas uma hora dessas há quatro anos, a humanidade vivia o seu pior pesadelo. Isolamento, lojas fechadas, medo, incerteza, e claro, muito negacionismo. E foi com essa “receita” que o caos se instalou, e inocentes perderam a vida. Por aqui, a situação foi agravada ainda mais com o comportamento de alguns políticos que faziam questão de espalhar o medo e as incertezas diante os métodos de prevenção, que era o uso de máscara e álcool em gel, e depois a vacinação.
E, como o povo brasileiro sabe lidar muito bem com este tipo de situação – contém ironia – a história mais uma vez caminha para se repetir, mas agora a novela envolve a vacinação contra a dengue. A vacina é sem sombra de dúvidas uma das principais formas de prevenir o agravamento da doença, porém os brasileiros insistem em tentar sobrepor opinião a fato, e alguns governantes insistem no negacionismo, e em dar o direito de a vacinação ser opcional, quando em casos como esses não deveria ser. De nada adianta, fazer campanhas de conscientização sobre a importância da imunização, campanhas contra fake news, abranger a faixa etária para vacinação, se alguns políticos vão pela contramão e alimentam o medo da população. A prova de que o brasileiro está de parabéns em diversos setores está aí – contém ironia. Preservação do meio ambiente, segurança pública, saúde pública, educação, infraestrutura e por aí vai… E, é óbvio que se não está dando certo é porque o conjunto – eleitor x político – não está funcionando, então, é preciso mudar.
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