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Editorial

‘Morreu de Brasil’

‘Morreu de Brasil’

Há uma década parte da população de Divinópolis vive apreensiva quando o assunto é procurar atendimento médico da Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA 24h). Apesar de os últimos acontecimentos na unidade terem inflamado um pouco mais a situação em torno do atendimento, a verdade é que a unidade sempre foi um problema seríssimo a ser enfrentado pelos governantes da cidade. Porém, entra representante e sai representante, a UPA é tratada apenas com soluções paliativas, que na verdade não poderiam nem ser chamadas de “soluções”. No entanto, seria injusto afirmar que  essa  situação é apenas em Divinópolis, isso é em todo Brasil. É desolador, revoltante, aliás, não existem palavras para definir o sentimento que se tem quando uma pessoa perde a vida em uma unidade de saúde. O pior de tudo é ver que este cenário é do país, e que milhares de pessoas que dependem da saúde pública “morrem de Brasil” todos os dias. Marias, Joanas, Thallyas, Tatielles, Joãos, Josés… todos os dias milhares de pessoas “morrem de Brasil”. 

Sem uma renda que dê a eles condições de arcarem com um plano de saúde, milhares, todos os dias levantam e estão sujeitos a “morrerem de Brasil”, de falta de infraestrutura, de políticas públicas que garantam uma saúde de qualidade, seja na atenção primária ou na urgência e emergência, seja na educação que poderá dar-lhes condições de saber o que questionar e para quem questionar. E, diante do caos que está instalado no país há décadas, talvez a pergunta certa seja: a quem interessa? Por que a maioria dos representantes do povo, simplesmente fecham os olhos para essa triste e cruel realidade, e agem apenas quando já não há muito o que se fazer, a não ser o paliativo? Sem sombra de dúvidas neste momento, os políticos se reúnem em volta de suas mesas redondas buscando supostas soluções para o problema. Mas não existe uma resposta para o fato de eles simplesmente não conseguirem apontar uma solução. Enquanto o povo “morre de Brasil”, a saída parece não existir. 

Os planos de emergenciais estão por todos os lados. É fato. Mas a verdade é que se os governantes trabalhassem de uma forma séria, unidos, sem troca de acusações de quem é o melhor, e quem não é, talvez essas milhares de pessoas não teriam morrido de Brasil, como aconteceu, e pior, como ainda acontecerá. Agora, depois que o “caldo entornou”, os ditos representantes da população se unem, mesmo, boa parte envolvida em seu próprio interesse, e apresentaram soluções, que ao que tudo indica,  por enquanto, paliativas. Mas, o fato é: até quando? Até quando o povo morrerá de Brasil? Apontar erros e culpados não resolve muito. Não traz ninguém de volta e não evita que mais pessoas morram de Brasil. Unir forças para resolver o problema, que é gravíssimo, sem sapatear em cima do sofrimento alheio com o intuito de se autopromover, é o melhor a se fazer neste momento. Aliás, pode ser só o início, porque o destino para o fim do diagnóstico “morreu de Brasil” é longo, mas ele precisa ser trilhado o quanto antes. O povo grita por socorro!

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