Carregando clima…
Editorial

Condenadas a tragédias 

Condenadas a tragédias 

Mais uma vez, a Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA) está no centro das discussões dos divinopolitanos. A  população foi pega com a notícia da morte de uma mulher, de 28 anos, supostamente vítima de negligência médica na unidade. Impossível não se comover com o caso, pois a jovem deixou marido e três filhos pequenos. O caso se torna mais revoltante ainda quando é constatado que ela esteve na UPA três vezes antes de evoluir para um quadro mais grave e perder a vida. É desolador. O caso dessa mulher se junta a tantos outros que morreram à espera de um olhar, de um atendimento digno. Que morreram à espera de receber humanidade, empatia, acolhimento, e ética profissional. Os filhos dessa jovem se juntam a tantos outros que perderam familiares queridos por falta de uma assistência adequada, e foram condenados a viver com a dor, com o luto eterno, e o “e se…”. Se ele (a) estivesse aqui? Essas crianças se juntam a tantas outras que foram condenadas a conviver com a revolta e a marca eterna de uma possível negligência. 

A verdade é que do Sistema Único de Saúde (SUS) a saúde suplementar, enfim, a saúde do país vai mal, vai muito mal. Se adoecer é sempre sinônimo de preocupação, hoje em dia significa pânico. Afinal, todos estão sujeitos a encontrar exatamente isso, em qualquer lugar: descaso, falta de empatia, de humanidade, e até mesmo de competência para lidar com vidas. Precisar do sistema de saúde, seja ele público ou particular, significa estar sujeito a se juntar a tantos outros, e ser condenado. A ter essa marca em sua história. Por mais que não seja possível ter o controle de tudo, mas é fato que em alguns casos um pouco mais de atenção, de amor, de empatia pode mudar para sempre uma vida. É de cortar o coração, ver mais uma família destruída pela falta de quase tudo. Apesar do caos, da ausência de vagas, de hospitais, da estrutura da rede hospitalar, a verdade é que nenhum divinopolitano quer depender da Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto. O medo toma conta quando o único caminho é esse. Quando não há alternativa. Mas é verdade também que a população tem se deixado levar por paixões erradas, e não cobra o que de fato é necessário e de direito.

A UPA é um problema crônico na cidade, mas o povo prefere se acovardar e apenas se esconder por trás de suas telas. Apaixonada, a população segue sem enxergar o que de fato precisa ser mudado. E, tudo isso independente de partido ou ideologia política. O que mais entristece, é saber que infelizmente muitos outros ainda se juntarão à estatística dessa jovem, e de seus filhos. Muita gente ainda vai ser condenada a este triste fim. Afinal, a unidade é apenas um “paliativo” para os graves problemas que a saúde pública de Divinópolis tem em sua conta. Diante disso, ao povo cabe apenas, quem sabe, acordar e lutar por aquilo que realmente interessa. De nada adianta defender política A ou B, se o real segue do mesmo jeito, no mesmo lugar, e pessoas são condenadas a tragédias todos os dias. Vale a reflexão.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…