Carregando clima…
Política

Janela partidária termina com mudanças de partido em MG e troca de Gleidson Azevedo

Janela partidária termina com mudanças de partido em MG e troca de Gleidson Azevedo

Lucas Maciel

Após um mês de articulações intensas nos bastidores da política, a janela partidária foi encerrada às 23h59 da última sexta-feira, 3, consolidando uma série de mudanças de legenda que redesenham o quadro político em Minas Gerais e no país. O período, iniciado em 5 de março, permitiu que deputados federais e estaduais trocassem de partido sem risco de perda do mandato, concentrando decisões estratégicas para as eleições de 2026.

Em Minas Gerais, o impacto foi significativo. Levantamentos apontam que mais de 30 parlamentares mineiros mudaram de legenda ao longo da janela, em movimentações que atingiram diferentes níveis, da Câmara dos Deputados à Assembleia Legislativa. As trocas envolvem tanto reposicionamentos individuais quanto estratégias partidárias mais amplas, voltadas à formação de chapas competitivas.

No cenário nacional, o movimento também foi expressivo. Ao menos 121 deputados federais trocaram de partido durante o período, o equivalente a mais de 20% da composição da Câmara. 

Movimentações 

A janela partidária é considerada um dos momentos mais estratégicos do calendário eleitoral justamente por permitir ajustes sem punições legais. Fora desse intervalo, a troca de partido pode resultar na perda do mandato, já que, no sistema proporcional, a vaga pertence à legenda e não ao candidato.

Durante os 30 dias de prazo, parlamentares avaliaram fatores como força eleitoral das siglas, composição das nominatas, acesso a recursos do fundo partidário e eleitoral, além do tempo de propaganda. Com o fim das coligações proporcionais, essas decisões passaram a ter ainda mais peso, já que cada partido precisa estruturar chapas próprias e competitivas.

Na reta final do prazo, diversas lideranças aproveitaram as últimas horas para oficializar suas decisões. Em Minas, um dos destaques foi o retorno do ex-deputado estadual Hely Tarqüínio ao PSDB, após passagem pelo PV. A movimentação reforça a tentativa de reestruturação da legenda no estado.

Outro nome que voltou ao cenário partidário foi o ex-deputado federal Jaime Martins, que se filiou ao Avante e já se posiciona como possível candidato nas eleições deste ano, ainda avaliando se disputará vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.

Na Câmara federal, a saída de Samuel Viana do Republicanos para o União Brasil também chamou atenção. A mudança ocorre em meio a rearranjos internos e disputas por espaço dentro das bancadas, refletindo o ambiente de negociação que marcou o período.

Além desses casos, partidos como PL, PSD e Republicanos conseguiram manter ou ampliar suas bancadas em Minas, enquanto siglas como União Brasil e Avante registraram perdas de parlamentares ao longo da janela.

Reorganização

As trocas registradas ao longo do período já produzem efeitos na configuração das bancadas e no equilíbrio entre as forças políticas. Em Minas Gerais, o PL ampliou sua presença na Câmara dos Deputados, acompanhando uma tendência nacional de crescimento da legenda.

Na Assembleia Legislativa, PSD e PT se consolidaram entre as maiores bancadas, após incorporarem novos nomes. O movimento também foi marcado por trocas envolvendo partidos de médio porte, como PP, MDB e Republicanos, que buscaram ajustar suas composições internas.

Outro ponto relevante foi a movimentação de partidos que enfrentam risco em relação à cláusula de barreira, mecanismo que exige desempenho mínimo nas urnas para acesso a recursos e tempo de propaganda. Esse fator influenciou diretamente decisões individuais de parlamentares ao longo da janela.

Além das mudanças entre deputados, o período também foi marcado por reposicionamentos de lideranças políticas com projetos eleitorais em construção, o que contribui para o desenho das futuras candidaturas, tanto no Legislativo quanto em disputas majoritárias.

Mudança de Gleidson

No Centro-Oeste mineiro, uma das movimentações de maior repercussão foi a do ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, que deixou o Novo e se filiou ao Republicanos no último dia da janela partidária.

A mudança insere o ex-chefe do Executivo municipal em um novo grupo político e amplia suas possibilidades de candidatura em 2026. Segundo o próprio Gleidson, a decisão foi motivada pelo espaço dentro da nova legenda.

— No Republicanos eu tenho vaga no Senado; no Novo, não — afirmou.

Ao Agora, a assessoria do ex-prefeito destacou que a definição sobre qual cargo será disputado ainda não está fechada e dependerá das articulações políticas nos próximos meses. A possibilidade envolve tanto uma candidatura ao Senado quanto à Câmara dos Deputados.

A filiação também reforça o alinhamento político com o irmão, o senador Cleitinho Azevedo, que avalia uma possível candidatura ao governo de Minas. A aproximação entre os dois amplia o peso da movimentação dentro do cenário estadual.

Nos bastidores, a saída de Gleidson gerou reação no Novo. O presidente estadual da legenda, Christopher Laguna, criticou a decisão e demonstrou insatisfação com a forma como a desfiliação foi conduzida. Segundo apuração do O Fator, dirigentes do partido tomaram conhecimento da mudança por meio da imprensa.

Antes da saída, o Novo trabalhava com diferentes cenários para o ex-prefeito, incluindo uma candidatura a deputado federal ou até a participação em chapa majoritária, como vice-governador.

Próximas etapas

Com o encerramento da janela partidária, o cenário político entra agora em uma fase de maior estabilidade em relação às filiações. A partir deste momento, as mudanças de partido passam a ser restritas.

O foco das articulações se volta agora para as convenções partidárias, que ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto. Nessa etapa, os partidos irão definir oficialmente seus candidatos para as eleições de 2026.

O prazo final para registro das candidaturas termina em 15 de agosto, enquanto a propaganda eleitoral terá início no dia 16 do mesmo mês. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno previsto para o dia 25.

Até lá, a tendência é de intensificação das negociações políticas, formação de alianças e consolidação das chapas, em um cenário já influenciado pelas movimentações registradas durante a janela partidária.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…