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Política

Hesitação

Hesitação

Rodrigo Pacheco fez o que se esperava, mas não o que se precisava. Ao se filiar ao PSB na última quarta-feira, o senador mineiro deu um passo necessário para viabilizar sua candidatura ao governo de Minas Gerais. Mas, ao evitar cravar a pré-candidatura no mesmo evento, demonstrou que o campo da esquerda ainda não encontrou o ritmo que o calendário eleitoral exige. A hesitação tem explicação política: Pacheco quer ouvir PDT, PT, PSDB e MDB antes de confirmar que será ele o nome. Mas cautela, neste momento, tem um custo. Enquanto o senador dialoga, constrói e pondera, o adversário não para. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera com folga as pesquisas — 32,7% das intenções de voto no levantamento da AtlasIntel de março, contra 28,6% do próprio Pacheco. Vantagem dentro da margem de erro, é verdade. Mas vantagem que reflete uma realidade: boa parte da direita, neste momento, sabe quem quer. 

Pré-campanha 

Do outro lado, quem também não para é Mateus Simões (PSD). O governador, que assumiu o cargo após a renúncia de Romeu Zema (Novo), percorre o interior de Minas inaugurando obras e anunciando investimentos num roteiro que qualquer analista de campanha reconheceria como pré-campanha disfarçada de gestão. É um manual antigo, mas funciona — especialmente quando o adversário ainda não mostrou o rosto nas ruas. O problema de Simões, porém, é que as pesquisas não acompanham o esforço. Com apenas 6,2% das intenções de voto, o governador patina mesmo com a máquina a seu favor. Sua estratégia depende de unificar a direita em torno do seu nome — tarefa difícil quando Cleitinho ocupa esse espaço com desenvoltura e pode ainda contar com o apoio de Flávio Bolsonaro (PL), a depender da composição nacional. E ainda pode vir Pacheco com total apoio do presidente Lula (PT). 

Cenário 

Para Lula, o cenário mineiro é estratégico além da política estadual. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, e a história recente é quase uma lei: quem vence no estado, vence a Presidência. O petista quer Pacheco na disputa exatamente porque um palanque mineiro sólido pode ser decisivo em outubro. A filiação ao PSB repete, em escala estadual, a aliança nacional entre o partido e o PT — com Alckmin como ponto de convergência. O que falta é a composição que transforme partes individuais em força coletiva. E essa composição demora mais do que o calendário eleitoral gosta de esperar. Trocar de legenda foi o primeiro passo. Confirmar que vai até o fim é o segundo. E ele ainda não foi dado.

Cumpriu 

Quem disse que o prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (Republicanos), não entraria na disputa de outubro, se enganou. Mesmo depois do convite de Cleitinho Azevedo para ser seu vice, houve muitos rumores de que ele  teria recuado. No entanto, renunciou, nesta quinta-feira, ao seu mandato no Executivo e ao cargo na entidade que representa os municípios mineiros. A AMM confirmou em nota que Falcão vai colocar seu nome e de seu partido à disposição.  A AMM, agora, será presidida pelo prefeito de Iguatama, Lucas Vieira Lopes, que é o primeiro vice-presidente da associação. Advogado, foi eleito prefeito da cidade em 2020 e reeleito em 2024, com 86,36% dos votos. E Falcão vai em busca do cargo que disputará no pleito. 

Saiu 

Outro que deixou o cargo foi o  secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), que também saiu ontem, para concorrer a uma das cadeiras de Minas Gerais no Senado. No seu lugar, assume o ex-senador Castellar Neto, que também foi secretário de Governo de Belo Horizonte na gestão de Fuad Noman. Marcelo Aro foi secretário de Estado da Casa Civil, entre 2023 e 2025, e, em fevereiro do ano passado, assumiu a pasta depois de o deputado estadual Gustavo Valadares (PSD) deixar o cargo. Agora, Aro vai correr contra o tempo para firmar seu nome na disputa, visto que aparece apenas em quarto lugar nas pesquisas de intenção de voto. 

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