Governo de Minas adere plano para subsidiar diesel e conter alta

Da Redação
Desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, o preço do óleo diesel em Minas Gerais apresentou alta superior à média nacional, refletindo os impactos da crise no mercado internacional de petróleo. Em apenas um mês, os aumentos foram expressivos, levando o estado a aderir ao plano de subvenção aos importadores proposto pelo Ministério da Fazenda.
De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), baseados na fiscalização de centenas de postos, o diesel S500, passou de R$ 5,87 para R$ 7,30 por litro, um aumento de 24%, enquanto o diesel S10, o mais utilizado, subiu de R$ 5,95 para R$ 7,50, alta de 26%.
Esses índices superam levemente a média nacional, onde o diesel S500 avançou de R$ 6,03 para R$ 7,45 (23,54%) e o diesel S10 de R$ 6,09 para R$ 7,57 (24,30%) no mesmo período.
Adesão
E para tentar conter os impactos da alta nos combustíveis, o governo de Minas Gerais aderiu formalmente, na última terça-feira, 31, à proposta do governo federal de subsidiar a importação de diesel, em meio à crise global do setor. Pelo acordo, será concedida, durante dois meses, uma subvenção de R$ 1,20 por litro sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Desse total, R$ 0,60 serão custeados pelo estado e os outros R$ 0,60 pela União, numa tentativa conjunta de amenizar o peso dos reajustes para consumidores e setores dependentes do combustível.
Importado
Inicialmente, a medida se aplica apenas ao diesel importado, que atualmente representa cerca de 20% a 30% do volume consumido no Brasil. Por esse motivo, a isenção do ICMS tende a ter impacto limitado nos preços praticados nos postos, já que a maior parte do combustível comercializado no país ainda é proveniente da produção interna.
Diante dos fatos, o economista Lázaro Ribeiro avaliou que a recente medida de isenção do ICMS sobre o diesel importado possui alcance restrito e efeitos modestos no curto prazo.
— É importante compreender que essa decisão incide apenas sobre uma fração do mercado do consumo nacional. Isso significa que a maior parte do combustível utilizado no país continua sendo de origem interna, permanecendo sujeita à estrutura tributária vigente — comentou Lazaro.
Ribeiro destacou que, diante desse cenário, a expectativa de queda significativa nos preços ao consumidor deve ser moderada.
— Ainda que a iniciativa possa gerar algum alívio pontual, especialmente em regiões mais dependentes do produto importado, o impacto geral tende a ser limitado nos postos de combustíveis. A formação de preços no Brasil é influenciada majoritariamente pela produção doméstica, o que reduz o efeito direto da medida sobre o bolso do consumidor — explicou.
Para o economista, a política pode ter valor estratégico no contexto de abastecimento e competitividade, mas não deve ser interpretada como uma solução ampla para a redução dos preços do diesel no país.
Consumidor
Entre os consumidores, a percepção também é de que a medida deve ter pouco efeito prático no dia a dia. Para o caminhoneiro João Batista Ferreira, a redução no imposto dificilmente chegará ao bolso de quem depende do diesel.
— A gente já está acostumado a ver anúncio de redução, mas na bomba quase não muda. Se só uma parte do diesel é importada, fica difícil sentir diferença — afirmou.
Já a motorista de aplicativo Carla Mendes de Oliveira também demonstra ceticismo.
— Qualquer ajuda é válida, mas, na prática, o preço continua alto. No fim das contas, quem usa o carro todo dia sente pouco ou quase nada dessas medidas — disse.
Para o agricultor Marcos Silva, o impacto limitado já era esperado.
— Se a maior parte do combustível vem daqui, não tem como essa isenção fazer tanta diferença. Ajuda um pouco, mas não resolve o problema — avaliou.
Preços
O aumento expressivo no preço do diesel S10 em Divinópolis já começa a pesar no bolso de consumidores e trabalhadores que dependem diretamente do combustível no dia a dia. De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), coletados na última semana em 10 postos da cidade, o preço médio do diesel chegou a R$ 7,60, com valores variando entre R$ 7,29 e R$ 7,99.
O cenário é bem diferente do registrado no início de março, quando o mesmo levantamento apontava um preço médio de R$ 6,03, com mínima de R$ 5,89 e máxima de R$ 6,19. Na prática, isso representa um aumento de cerca de 26% no valor médio do combustível em apenas um mês.
Impacto
Para quem vive do transporte, o impacto é imediato. O caminhoneiro José Evangelista Dutra relata dificuldade para manter as contas em dia.
— A gente não consegue repassar tudo pro frete. Se aumentar muito, perde serviço. Mas com esse diesel caro, fica quase impossível trabalhar — afirmou.
O motorista de taxi Carlos Alberto Mendes também sente os reflexos da alta.
— No começo do mês ainda dava pra ter um lucro razoável. Agora, o que sobra diminuiu muito. Tem dia que a gente trabalha mais pra ganhar menos — disse.
Até mesmo consumidores que não utilizam diretamente o diesel já percebem os efeitos. O comerciante Paulo Henrique Teixeira explica que os custos chegam de forma indireta.
— O frete aumenta, o fornecedor repassa, e no fim tudo fica mais caro. Isso acaba atingindo todo mundo — comentou.
Alerta
Segundo Lazaro Ribeiro, esse aumento acelerado acende um alerta para a economia local.
— Um crescimento de 26% em um insumo tão essencial como o diesel, em um período tão curto, pressiona toda a cadeia produtiva. Isso impacta transporte, alimentos, serviços e, consequentemente, a inflação da cidade — explicou.
Ele destaca ainda que a volatilidade dos preços dificulta o planejamento financeiro.
— Empresas e trabalhadores autônomos ficam sem previsibilidade. Isso reduz investimentos, compromete margens de lucro e pode até gerar retração econômica em nível local — finalizou.
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