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Marina Diva de Oliveira

O equilíbrio é um acordo vivo

Por Bruno
O equilíbrio é um acordo vivo

Imagine uma corda bamba. Não aquela dos circos, cheia de aplausos e holofotes. Mas a que atravessa nossos dias comuns: casa, trabalho, sonhos, relações, saúde, descanso, expectativas, realidade, entregas…

Na vida é como se a gente caminhasse sobre ela. Um passo depois do outro. E, diferente do que parece, quem se mantém na corda não é quem não balança (isso é inevitável). É quem aprende a balançar sem cair.

O segredo nunca esteve em não oscilar. Está em fazer pequenos ajustes o tempo todo. Está em saber quando precisa parar, realinhar, retomar o centro, ou até descer da corda e se recolher.

É curioso como vendem pra gente a ilusão de um equilíbrio estático: acordar cedo, meditar, comer saudável, render no trabalho, estar presente na família, estudar, praticar gratidão, se exercitar, dormir oito horas. Todos os dias. Todos os meses. O ano todo. Só que a vida não funciona assim. Ela não cabe num roteiro perfeito. E buscar esse ideal, muitas vezes, gera mais culpa do que leveza.

O equilíbrio real é menos sobre controle e mais sobre consciência, menos padrão e mais caso a caso. É olhar pra dentro e perguntar com honestidade:

1.     O que é sustentável pra mim hoje?

2.     O que eu posso soltar, adiar, recuar?

3.     O que eu preciso priorizar, sustentar, proteger?

Inclusive, pesquisas em saúde mental mostram que uma das bases para o bem-estar não está em evitar o estresse a qualquer custo, mas em desenvolver flexibilidade psicológica, que é a capacidade de adaptar pensamentos e comportamentos de acordo com as demandas da vida, mantendo-se conectado com aquilo que tem valor pra si (Hayes, Strosahl & Wilson, 2019).

Quando acreditamos que equilíbrio é dar conta de tudo, o tempo todo, sem pausas, sem falhas e sem limites, abrimos caminho para o adoecimento. Porque essa lógica da produtividade infinita e da perfeição nos desconecta de nós mesmos, dos nossos ritmos e das nossas necessidades. A sobrecarga crônica, a autoexigência excessiva e a falta de espaços de pausa são, hoje, reconhecidos como fatores de risco para sofrimento psíquico, estresse, ansiedade e burnout. Cuidar da saúde mental passa, também, por ressignificar o que é equilíbrio: não como perfeição, mas como um pacto possível com a vida, feito de escolhas, pausas, ajustes e, sobretudo, gentileza consigo.

E se há uma mestra incansável sobre esse tema, ela se chama vida. Porque, no fim das contas, é ela quem mais nos ensina. Quando nos convida, às vezes sem pedir licença, a reorganizar as prioridades, a rever escolhas, a abandonar o que não cabe mais e a sustentar aquilo que realmente importa, o nosso inegociável.

Tem dias que equilíbrio é fazer. Tem dias que é não fazer.

Tem dias que é falar. Tem dias que é silenciar.

Tem dias que é se abrir. Tem dias que é se recolher.

O que não dá é pra seguir ignorando os próprios limites, como quem força uma peça a caber onde não encaixa mais. Talvez, no fundo, equilíbrio seja isso: um acordo gentil entre o que a vida pede e o que você pode oferecer, sem se perder de si. Na prática, cultivar equilíbrio não é sobre fazer grandes mudanças de uma vez, mas sobre pequenos gestos conscientes no dia a dia. É aprender a pausar, mesmo que por um minuto, pra se perguntar: “O que é possível pra mim agora?”. É reconhecer seus próprios limites e não se violentar tentando atender a tudo. É incluir na rotina momentos de descanso, silêncio, lazer e presença (não como prêmio – “tá pago”, mas como parte do cuidado com a vida). É desapegar da ideia de perfeição e aceitar que teremos dias de mais e dias de menos. É escolher, diariamente, aquilo que te aproxima da sua saúde, do que tem valor pra você, e soltar o que pesa além do necessário. Porque equilíbrio não é rigidez, é movimento, é escolha, é autocuidado em ação.

Se em algum momento te fizeram acreditar que viver equilibrado é nunca falhar, nunca pausar, nunca recuar, é hora de desaprender isso. O equilíbrio não mora na perfeição porque a perfeição não existe. É uma construção que nunca se realiza, uma promessa que nunca se cumpre. A vida é feita de impermanências, de dias bons e dias difíceis, de acertos, erros, pausas e recomeços. O que existe (e isso sim é real) é a possibilidade de viver de forma mais consciente, escolhendo, ajustando e cuidando do que faz sentido pra você. A beleza da vida mora justamente no imperfeito, no movimento, na possibilidade de aprender, mudar e se refazer quantas vezes for preciso. Você não acha?

E para fechar, queria te fazer um convite: experimente, no meio do dia ou quando sentir que está demais, parar por um minuto. Respire fundo, sinta seus pés no chão e pergunte pra si mesmo: “O que é possível pra mim agora, com o que eu tenho e do jeito que eu estou?” Só isso já é um gesto de cuidado e um passo em direção ao equilíbrio possível.

Respira.

É humano. E a vida também!

Marina Diva de Oliveira

Mestre em Ciências da Saúde;  especialista em Saúde Mental; enfermeira; fundadora da Amar Health Hub;  mentora em Saúde Mental Corporativa; criadora da Mentoria D.I.V.A. e do projeto “Olhares Femininos”; diretora de Eventos Acid Jovem

marinadivaahh@gmail.com

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