PCC Educacional?
Domingos Savio Calixto
A educação liberta?
Liberta quem e de quem?
A questão é relativa, tendo em vista que os opressores são educados para serem opressores e os oprimidos são educados para serem oprimidos.
É assim que o sistema funciona, operando a partir dos seus aparelhos ideológicos.
Sob este aspecto, a educação também faz parte dos tais aparelhos ideológicos quando se estabelece para manter a sociedade de classes ou castas.
Por causa desse tipo de modelo educacional, qualquer tentativa de se contestar um sistema de opressão pode ser punida violentamente, seja na prisão, na fogueira, na forca ou na cruz.
É por isso que as “pessoas de bem” são conservadoras, aquelas que alegam ocupar o “lado bom” do sistema e tendem e a proteger o “stablishment meaning” - com bíblias e bombas – contra as “forças do mal” que ousam a contestar a espoliação, expropriação e exploração.
Ora, é nesse sentido que bancadas inteiras - ideológicas e temáticas - são financiadas e custeadas por “forças do bem” como agronegócio (latifundiários e grileiros, principalmente) bancos, indústrias e igrejas (salvem-nos da maioria delas!). Chamam isso de democracia.
Ocorre que nesse mesmo viés “democrático”, o PCC – Primeiro Comando da Capital – uma organização criminosa do tipo “Lava-Jato dos pobres”, também está preocupado com a necessária participação política e está investindo em candidatos paras as carreiras do judiciário e da promotoria.
Talvez, em um primeiro momento, a notícia possa causar algum alarde. Entretanto, expurgado o assombro, notar-se-ia que se trata de um “investimento” já praticado por outras organizações criminosas, aquelas do “colarinho branco (White Collar Crimes, Sutherland).
Nesse sentido, alguém com um mínimo de racionalidade entenderia justo o atual sistema penitenciário do país? Não seria ele – o sistema punitivo – fruto da atuação de organizações criminosas agindo através das bancadas temáticas, financiadas por elas e agindo em nome do “agronegócio”, dos bancos, das indústrias e das igrejas?
Da mesma forma, não seriam estas mesmas organizações “das pessoas de bem” - e seu sistema exclusivo de justiça – as responsáveis pela miséria e pobreza no país? Pela violência policial contra vulneráveis? pelo genocídio em verbas da saúde? pelo assassinato em massa das populações originárias? pela destruição brutal do meio ambiente? pelo racismo, sexismo e violência contra a mulher?
Ora, convenha-se e entenda-se. As organizações criminosas são divididas em duas: aquelas da gravata e aquelas do chinelo. As primeiras se dizem “do bem” ao mesmo tempo em que maldizem as segundas, sendo exato que estas organizações criminosas “do bem” são aquelas que interferem na elaboração das leis.
Assim, tudo se apresenta estranho quando se permite organizações criminosas “do bem” e se pune organizações criminosas “do mal”.
É um direito das pessoas conhecerem e reconhecerem organizações criminosas, independentemente do disfarce semântico que usam.
Enquanto a educação oficial manter a impossibilidade de se distinguir as diversas organizações criminosas, haverá sempre algo de errado na teoria dos jogos democráticos, ou seja, um jogo de cartas marcadas.
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