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Cláudio Guadalupe

Poesia - A receita da simplicidade em afonso de castro!

Por Claudio Guadalupe · Colunista· 2 min de leitura
Poesia - A receita da simplicidade em afonso de castro!

Para ser um poeta da simplicidade, a receita pode ser esta: juntar inteligência jurídica ao brincante de blocos carnavalescos (do “Cordão do Tipo de Fora da Hora” ou Escola de Samba Unidos da Estiva”); unir o servidor público ao amante do patrimônio histórico e artístico; combinar o poeta, cronista e compositor popular com a militância política, vereador por 18 anos! E ainda ser um literato integrante do Coletivo Arteferia e organizador da Casa da Cultura e Memória Maravilhense. Deu certo no poeta Afonso de Castro Gonçalves. 

O escritor nasceu na cidade-flor, Maravilhas. Formou-se em direito na nossa antiga Fadom, em Divinópolis, tornando-se um literato de referência em sua região. 

Na nossa coluna, vamos retomar o projeto de apresentar novos poetas da cidade e região, para acompanharmos as suas produções. Apresento Afonso de Castro, a partir do livro “Estrelas no Quarador” (2000), onde há poemetos, haicais, acrósticos, dísticos, trovas e epitáfios. Afonso de Castro tem uma verve poética lírica, afetuosa, fundada numa personalidade integrada ao mundo literário e ao compromisso de intervir na realidade. Poeta sagaz, verseja do poema popular ao erudito, do simples ao discurso vigoroso contra o poder. 

Amoroso

Quando estou feliz

não durmo.

Passo as noites em claro

em ti.

Quando estou feliz

surdo,

só tenho palavras

em mim

por ti.

Quando estou feliz,

cego,

não vejo senão

teus encantamentos (tantos)

E se estou feliz

vivo contigo sem medo.

Chorar não devo,

um poema

ainda escrevo.

Por outro lado, o poeta realiza a metapoesia, isto é, a análise do fazer poesia, em seus poemas. Leia a força deste!

Veia poética

Eu lido no eito

da palavra (a)feita

a sanha.

Rabisco, busco o elã

da alva manhã,

a manha

É sina sim,

garimpo de mim 

a pedra.

O poema é o meio,

o poema é a via, a veia.

Da aranha a teia.

Ele ainda mantém um viés popular, em sua verve, nos haicais, nas trovas e poemetos, onde nos brinda com uma ironia tão necessária aos poetas. Vejamos!

Haicai

Azar ou desgosto

Por que? Vibra o agosto

Na flor do ipê!

Trova

Matemática ensina

Os números, o concreto

Não pode medir, menina

O tamanho do meu afeto.

Fruta

Dezembro.

Timunda, como sempre

Convoca os sobrinhos:

- Venham chupar fruta!

As jabuticabas pretinhas

No pé de galhos escorregadios.

O tempo urgia.

A doce explosão

No céu da boca.

A vida amadurecia.

Lendo o “Estrelas no Quarador”, fica em nós, leitores de poesia, um frescor de versos à la Carlos Drummond, Adélia Prado e Manuel Bandeira. E ele, neles, coloca uma pitada crítica e social que nos surpreende! 

Ó Poesia, Ó Poetas

Boitempo. O poeta reclama

menino antigo,

a falta que ama.

A estrada – trem-de-ferro.

Quero o belo belo, Pasárgada,

Poesia da vida inteira.

E há poetas

(Sonho. Não sei quem sou)

Coração de ninguém.

Na vida inteira a falta,

Coração de ninguém.

Poesia que ama.

Tecer um verso Bandeira

Ser Pessoa na pessoa


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