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Cláudio Guadalupe

ADL: Solilóquio de grandes poetas divinopolitanos (Parte 2) 

Por Claudio Guadalupe · Colunista· 3 min de leitura
ADL: Solilóquio de grandes poetas divinopolitanos (Parte 2) 

Em comemoração aos 65 anos, o jubileu de safira, da Academia Divinopolitana de Letras (ADL), iniciei, em nossa coluna, uma apresentação de poemas dos cofundadores da Academia. A partir daí, foram apresentados poemas de José Maria Álvares, Sebastião Benfica Milagre e Jadir Vilela. Hoje, continuarei trazendo belos poemas de outros acadêmicos: Maria da Conceição Elói, Mercemiro Oliveira e Silva e Fernando de Oliveira.

Maria da Conceição Elói (1924–2022) foi professora e acadêmica desde 1962. Foi fundadora e membro da Academia Feminina Mineira de Letras, onde ocupou a Cadeira nº 16, tendo Olavo Bilac como patrono. Como cronista e poeta, também integrou a ADL.

A poeta Maria da Conceição Elói publicou livros dedicados à poesia, às crônicas e aos ensaios literários, como Luz Ausente (1967), Arcas, Arcazes e Baús (1978), Poemas da América (1992), Altares e Cantares (2000) e As Vozes do Coração. Além dessas publicações individuais, seus poemas e textos integraram antologias de escritoras mineiras e coletâneas ligadas à Academia Feminina Mineira de Letras e à ADL.

Hino de esperança a uma criança (fragmento do poema da Antologia da ADL – 60 anos)

Hoje quero fazer um hino

ao menino

seja o filipino

seja o vietnamita

o polonês

ou o português

o cigano

ou o americano.

Quero fazer um hino

ao menino argentino

ou ao marroquino

ao menino do Brasil

  ou do Haiti

Quero um hino de esperança

  à criança

do mundo

seja ela de qualquer nacionalidade

de qualquer raça ou condição” ...

Já Mercemiro Oliveira Silva (1932–2023) foi poeta, cronista, ferroviário, professor, advogado aposentado e membro da Academia Divinopolitana de Letras, ocupando a Cadeira 21, onde foi secretário-geral e presidente da entidade por duas vezes. Nasceu em Pará de Minas e, em Divinópolis, foi ferroviário entre 1954 e 1983.

Também lecionou no Colégio Leão XIII (1961 a 1989) e foi professor durante vários anos na Fadom e na Faced. Ganhou vários prêmios literários, contribuindo como cronista em jornais locais e participando e organizando várias antologias da cidade.

Publicou os seguintes livros: Contos, A.B.F.D. – História da Associação Beneficente dos Ferroviários de Divinópolis, Comunicação Social e Estética, História do CDD ao CMD, História do Teatro em Divinópolis – da Pré-História ao Theatron, Dicionário de Regionalismos – Pólo Divinópolis, Antologia da ADL (Cinquentenário), Divinópolis 100 (2012) e Lírica Extemporânea (2014). É de sua lavra poética o poema abaixo.

SOLIDÃO


Meu Deus!

Eu nunca pensei

Que me pudesse sentir 

tão só

Em meio a tanta gente

Legiões se entrecruzam 

a meu redor

E estou só

As pessoas são como partículas

Desprendidas dos edifícios.

O terceiro poeta a ser apresentado, por quem tenho muita admiração por sua versatilidade e coragem nas aventuras poéticas que empreende, é o poeta, escritor, ensaísta e professor da Faced e da Fadom, Fernando de Oliveira Teixeira, titular da Cadeira 25 da ADL, onde tomou posse em 1966, completando 60 anos como acadêmico. Na ADL, foi secretário-geral e presidente da entidade.

Sua produção literária é, como ele mesmo afirma, a de um experimentador de poéticas advindas do movimento concretista e do poema-processo. Em Divinópolis, foi um dos artífices do Movimento Literário Aagora (1967/1969). Publicou mais de 15 livros, explorando poemetos, adravias e haicais, como veremos abaixo, em alguns de seus poemas!


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