Por códigos...

...ou indiretas. Divinópolis realmente é uma cidade diferenciada quando se trata de política. O denuncismo reina, passando pelo Executivo, mas com predominância absoluta no Legislativo. Seja por meio da tribuna ou nas redes sociais, quase todo discurso tem um alvo. Mas, o que chama à atenção é o anonimato. O acusado nunca tem nome. É “um colega vereador que tomou minha paternidade da obra tal” é “um viúvo político” que grava vídeo acusando “esta Casa” disso e daquilo. É a imprensa que “persegue "a Presidência"... Pera aí: se tem receio ou medo de "dar nome aos bois", ou não tem provas para afirmar tal situação ou acusar, deixa para fazer quando as tiver. O povo está de saco cheio de tentar se adivinho. Se o vereador tem imunidade parlamentar e bate no peito ao afirmar isso, qual o problema em dizer de uma vez? Fica com esse "chove não molha" falando em entrelinhas. Que canseira!
Sai da lama...
...cai no atoleiro. Ditado muito antigo e conhecido, usado para dizer que a pessoa não tem escolha. Sai de uma situação ruim para cair em outra ainda pior. Lamentavelmente, é isso o visto nos políticos, não somente em Divinópolis, mas em todo país. Afinal, cada município brasileiro pode ser considerado "uma unha" do braço mandante que fica em Brasília. Ou seja, o comportamento e práticas inadequadas vão do início ao topo da pirâmide, visto que a maioria que lá está vem de vários cantos deste "rincão". Por isso, muitos poucos têm a coragem do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) que faz as críticas e denúncias, sempre apontando os possíveis responsáveis. Isso é raro, diga-se passagem, e precisa ser elogiado. Mas, o motivo é óbvio: "não tem rabo preso". Se todos fossem assim, certamente não se acovardavam na hora de apontar, criticar e denunciar, sem fazer o mínimo necessário, que é revelar nomes e apontar soluções. Fica a dica: ou faz assim, ou fecha a boca!
Entre o abismo...
...o discurso e a prática. Dito isso, o comportamento de parte da classe política brasileira hoje é marcado por esta frase que abre este tópico. A começar pelas campanhas recheadas de promessas sobre saúde, educação e segurança e outras demandas urgentes, mas no exercício do mandato o que se ver mesmo, são projetos pessoais, troca de favores e disputas por cargos ganharem prioridade. Escândalos de "rachadinha", orçamento secreto e uso de verba pública para fins eleitorais viraram rotina nas práticas de boa parte dos representantes do povo e nos noticiários. Enquanto isso, serviços básicos seguem precários e a população paga a conta com impostos altos e retorno que deixa a desejar. Conduta deplorável que alimenta a descrença nas instituições e passa a mensagem de que o jogo político serve a quem já está dentro dele, não a quem está de fora. Neste caso, a principal responsável em propiciar todas essas benesses: a população.
Normalização do escândalo...
...e a cultura da impunidade. Outro ponto lamentável. Tanto que os escândalos deixaram de chocar. Um político é flagrado em corrupção, desvia milhões ou usa a máquina pública em benefício próprio, e semanas depois já está de volta à mídia dando declarações de inocente, esbanjando o que roubou como se nada tivesse acontecido. E não é só isso. Processos se arrastam por anos, recursos protelatórios viram regra e, quando há condenação, os prazos de inelegibilidade são curtos, ao invés de serem banidos de vez de qualquer disputa. Infelizmente, essa cultura da impunidade cria um ciclo vicioso: se não há consequência real, o risco compensa. Não por acaso, os bandidos saem da cadeia cometendo novos crimes. Têm onde se espelhar.
Eles se beneficiam...
...e o patrão paga. O resultado deste exemplo vergonhoso é um ambiente onde a ética vira opcional e o mandato escudo. O resultado? A conta final recai sempre no povo, que perde serviços, dinheiro e a confiança de que a política pode ser instrumento de mudança. Na verdade, era para ser, mas virou emprego onde o "funcionário” oferece um péssimo trabalho, desvia da "empresa" e ainda recebe um salário altíssimo que vem acompanhado de diversos benefícios. Então se esforçar e mudar para quê?
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