Preços das hortaliças ficam mais baratos em Divinópolis

Jorge Guimarães
Os consumidores divinopolitanos sentiram no bolso, nos últimos meses, a alta nos preços das frutas, enquanto as hortaliças caminharam em sentido oposto, apresentando redução. A constatação é do 10º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que analisou o comportamento dos alimentos comercializados nos principais entrepostos do país.
Fatores
De acordo com o levantamento, causas como clima irregular, aumento da demanda e custos logísticos influenciaram diretamente a elevação dos preços das frutas. Produtos muito consumidos no verão, como melancia, melão e manga, sofreram oscilações que, somadas ao período de entressafra de algumas variedades, resultaram em valores mais altos para o consumidor final.
Hortaliças
Já entre as hortaliças, o cenário foi mais favorável. A boa produtividade nas lavouras, aliada às condições climáticas mais estáveis para o cultivo, contribuíram para ampliar a oferta de itens como batata, cebola, tomate e cenoura. Com maior disponibilidade no mercado, os preços recuaram, em média, de 16%, aliviando parcialmente o orçamento de quem prioriza esses produtos no dia a dia.
— O boletim do Prohort reforça a importância de acompanhar as variações sazonais e buscar alternativas para equilibrar a alimentação sem pesar no bolso. Para os consumidores, a recomendação é ficar atento às oportunidades e substituir itens conforme a sazonalidade, garantindo economia sem abrir mão da qualidade — avalia o gerente de loja de supermercado, Sérgio Antônio de Oliveira.
Frutas
O abacate ganhou destaque nas feiras e supermercados de todo o país nos últimos meses, mas não exatamente por um motivo positivo. Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a fruta registrou uma impressionante alta de 68,77% nos últimos 12 meses, tornando-se um dos alimentos mais comentados entre consumidores e comerciantes. O que antes era considerado uma opção acessível, nas saladas ou vitaminas, agora começa a pesar no orçamento e, para muitos brasileiros, o abacate vem se transformando em um verdadeiro artigo de luxo na mesa.
— A disparada no preço é reflexo de fatores como menor oferta em determinadas regiões produtoras, aumento dos custos de produção e a forte demanda interna, que manteve o mercado aquecido mesmo diante do encarecimento. Essa combinação tem dificultado o acesso a uma fruta tradicionalmente popular — ressalta o gerente.
Entre os itens do mesmo grupo, apenas a melancia apresentou movimento contrário. Com oferta 32% maior, seu preço recuou 15,82% no período analisado, tornando-se uma das poucas opções mais em conta para quem busca manter o consumo de frutas sem elevar demais os gastos.
— Em meio a tantas oscilações, o cenário reforça a importância de acompanhar a sazonalidade e diversificar escolhas no carrinho de compras. Enquanto o abacate segue valorizado, alternativas mais acessíveis podem ajudar a manter o equilíbrio alimentar e financeiro das famílias brasileiras — avalia o economista Leandro Maia.
Pesquisa
A reportagem visitou três pontos de venda distintos, um varejão tradicional e duas lojas de grandes redes de supermercados, e constatou que a velha máxima continua atual: a pesquisa é, de fato, a melhor arma do consumidor. Em meio às oscilações recentes nos preços de frutas e hortaliças, a diferença entre um estabelecimento e outro pode representar economia significativa no fim da compra.
Entre os corredores, muitos clientes comentavam a necessidade de pesquisar antes de decidir. A dona de casa Maria Lúcia Pereira contou que passou a adotar a pesquisa como rotina.
— Do jeito que os preços estão, não dá para comprar tudo no primeiro lugar que a gente entra. Hoje eu olho promoção, comparo e só depois fecho a compra. A diferença é grande — relatou.
O bancário aposentado José Roberto também reforçou a importância da atenção nos preços.
— Tem produto que varia de dois a três reais de uma loja para outra. Antes eu não ligava muito, mas agora virou necessidade. Cada economia faz falta no final do mês — revelou.
Preços
Os consumidores, mais uma vez, demonstraram estar cada vez mais atentos aos preços. As diferenças encontradas entre os estabelecimentos chamaram a atenção e reforçaram a importância dessa prática.
A dona de casa Helena Martins foi direta.
— Antes eu comprava tudo no mesmo lugar por comodidade, mas agora não dá. A diferença é grande demais. A gente precisa olhar, comparar e escolher onde vale mais a pena — pontuou.
Já o aposentado Antônio Silveira usa como aliada a velha e boa lista.
— Hoje eu já venho com uma lista e passo em dois ou três lugares. Com o orçamento apertado, não tem como ignorar essas variações — disse.
E elas existem. Para se ter uma ideia, o preço do tomate varia 33% entre duas lojas de redes diferentes — R$ 2,99 em uma e R$ 3,98 na outra. A cebola apresentou discrepância ainda maior: 100% de diferença, custando R$ 1,99 em um estabelecimento e R$ 3,98 no outro.
No caso da batata, os valores ficaram próximos, R$ 4,99 e R$ 3,98. Já o pimentão verde manteve o mesmo preço nas duas lojas visitadas, R$ 10,99, surpreendendo pela estabilidade em meio a tantas oscilações. O abacate, por sua vez, era comercializado em média a R$ 14,90, confirmando o forte aumento registrado nos últimos meses.
Varejão
Em um segmento marcado pela forte concorrência, o de hortifrutigranjeiros, os varejões seguem ganhando cada vez mais espaço e conquistando o consumidor que busca qualidade aliada a preços mais acessíveis. Durante a pesquisa realizada pela reportagem, ficou evidente que esses estabelecimentos vêm se destacando diante das grandes redes de supermercados, apresentando valores significativamente mais baixos.
Os números falam por si: em média, os produtos encontrados nos varejões estavam entre 30% e 40% mais baratos do que aqueles ofertados nas lojas de rede visitadas. A diferença, perceptível já nos itens de maior consumo, como tomate, batata, cebola e frutas da estação, reforça a preferência crescente por esse tipo de comércio.
— Com a alta nos preços de alguns alimentos e a necessidade de economizar, os consumidores têm se mostrado mais dispostos a visitar diferentes tipos de estabelecimentos antes de fechar a compra. Nesse cenário, os varejões surgem como uma alternativa sólida, garantindo economia sem abrir mão da qualidade, e conquistando, dia após dia, seu lugar ao sol no competitivo setor de hortifrutigranjeiros — conclui o economista.
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