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Saúde

Privatização, sim; Saúde, não!

Por Bruno
Privatização, sim; Saúde, não!

Há decisões que falam mais alto do que discursos. E, nos últimos dias, Minas Gerais assistiu a uma delas com desconforto. Uma semana após a aprovação do projeto que autoriza a privatização da Copasa, o texto foi rapidamente sancionado pelo governador Romeu Zema (Novo). Agilidade exemplar. O problema é o contraste. Enquanto isso, a doação do Hospital Regional de Divinópolis à UFSJ — passo fundamental para destravar os trâmites e, finalmente, colocar a unidade em funcionamento — segue parada. Sem sanção. Sem prioridade. Sem respostas claras. É difícil explicar à população por que um projeto ligado à lógica do mercado caminha em ritmo acelerado, enquanto outro, diretamente relacionado ao direito básico à saúde, permanece no limbo burocrático. Não se trata de ser contra ou a favor da privatização em si. Trata-se de hierarquia de urgências. A saúde dos mineiros não pode esperar. Um hospital fechado não é estatística: é fila, é dor, é gente que aguarda atendimento enquanto decisões políticas ficam represadas. Lamentável que um tema dessa magnitude seja tratado com tamanha negligência.

Sério?

No mesmo compasso de prioridades invertidas, o debate público também parece, muitas vezes, perder o rumo. A recente polêmica em torno do novo comercial da Havaianas com a atriz Fernanda Torres é um exemplo disso. Redes sociais em ebulição, indignações fabricadas, discursos inflamados. E a pergunta que fica é inevitável: será que o país realmente não tem problemas mais relevantes? Saúde, educação, infraestrutura, segurança pública — a lista de desafios reais é extensa e urgente. Ainda assim, parte da classe política prefere surfar na onda do engajamento fácil, do tema viral, do ruído que rende curtidas, mas pouco contribui para melhorar a vida de quem acorda cedo, pega ônibus lotado e espera por serviços públicos que funcionem. Que gravem vídeos e façam seus discursos, mas que também sejam bons gestores e legisladores, sem ficar apenas nessa ladainha de sempre como se a política se resumisse às guerras de narrativas entre direita e esquerda. 

Não descarta

Será? O fim do ano se aproxima e o PT ainda não conseguiu firmar um nome para disputar o governo de Minas. Em meio a impasses e indecisões, o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD), volta à tona e, pelo menos, por enquanto, traz uma certa tranquilidade. Isso porque Pacheco disse há cerca de um semana  que não descarta disputar o cargo de ocupado por Romeu Zema (Novo), e almejado pelo seu vice, Mateus Simões, que inclusive é pré-candidato e busca apoio da extrema direita e do “Centrão”.  O senador inclusive voltou a afirmar que se sente honrado com a declaração do presidente Lula (PT), que o apontou como um nome preparado para comandar o Estado. No entanto,  não houve nem sequer a abertura de diálogo para se chegar a um consenso. Enquanto isso, adversários trabalham a todo vapor, puxando até quem considerava concorrente para composição do grupo.  Já dizia os mais velhos: “Se cochilar, o cachimbo cai”!

Vai vetar 

A data já está confirmada e será em um dia que ficou marcado na história do país. Ainda falando nele,  que segue sonhando com Pacheco na disputa em Minas no ano que vem,  o  presidente Lula  deve vetar Dosimetria até o início do ano que vem já que tem 15 dias úteis para dar a canetada, já que o projeto foi aprovado no dia 17 de dezembro. O prazo final seria dia 9 de janeiro, caso, os dias 24 e 31 sejam considerados úteis. Mas, pelo visto, o governo nem vai esperar a data, e planeja fazer um ato de veto justamente no dia 8, quando completa três anos da invasão dos prédios dos três poderes. Ainda não há confirmação se os presidentes e representantes dos outros poderes vão comparecer. Claro que opositores, nem passam perto, mas apoiadores e contrários ao projeto, vão marcar presença. Isso não significa que o veto prevalecerá, pois o Congresso pode derrubar. No entanto, pelo menos alguém fez sua parte. Devolvendo a medida indigesta para os verdadeiros responsáveis. 

Não vai adiantar

Foi o que disse o prefeito Gleidson Azevedo (Novo) sobre um assunto polêmico e semelhante em Divinópolis: o aumento salarial dos vereadores na última reunião do ano. Em vídeo, ele se manifestou e resolveu responder, já que vinha sendo cobrado, se vetaria ou não.  Na sua opinião, não adianta, pois será confirmado no Legislativo com a devolução da proposição. Certíssimo o raciocínio. Porém, como neste caso da Dosimetria, sua parte, ele fará. Devolva a bomba para quem fabricou. 

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