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Saúde

Governo cita prazo de 15 dias para sancionar doação do Hospital Regional

Por Bruno
Governo cita prazo de 15 dias para sancionar doação do Hospital Regional

Lucas Maciel

Mais um capítulo se soma à longa e desgastante novela do Hospital Regional de Divinópolis, um projeto que atravessou governos, promessas e que, mesmo após mais de uma década, ainda aguarda o ato final que pode tirá-lo definitivamente do papel. A confirmação do governo de Minas Gerais de que a doação da unidade à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) está decidida reacendeu a expectativa na região, mas a ausência da sanção do governador Romeu Zema (Novo) mantém o clima de apreensão.

O momento atual é de avanço institucional, mas também de pressão política. Após a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovar, em segundo turno e por unanimidade, o projeto de lei que autoriza a doação do hospital, o processo chegou à sua fase final. Ainda assim, o histórico de atrasos faz com que lideranças e moradores acompanhem cada dia do prazo legal com desconfiança.

O passado da unidade de saúde ajuda a explicar a cautela. A obra permaneceu paralisada por anos, foi alvo de discursos contraditórios e chegou a ser cogitada para outros usos, sem jamais atender um único paciente. Nesse intervalo, UPAs lotadas, filas por cirurgias e transferências para outras cidades se tornaram parte da rotina de quem depende do SUS na região.

Governo cita prazo 

O governo de Minas Gerais afirmou, em nota enviada ao Agora, que a decisão em doar já está consolidada. 

— O Hospital Regional de Divinópolis será doado para a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), com a finalidade exclusiva de abrigar o HRDV — informou.

A nota destaca que a definição ocorreu após alinhamento entre o governador e o ministro da Educação, Camilo Santana, em reunião realizada no dia 29 de outubro. O objetivo, segundo o Executivo, foi dar celeridade à inauguração da unidade, que deverá beneficiar cerca de 1,3 milhão de pessoas em toda a região.

Sobre a sanção do projeto aprovado pela Assembleia Legislativa, o governo se limitou a dizer que o processo segue dentro dos prazos legais. 

— O prazo para a sanção das legislações pelo governador de Minas Gerais é de 15 dias, contados a partir do recebimento do texto aprovado — concluiu.

Pedido de urgência

Mesmo diante da sinalização positiva do Executivo, a deputada estadual Lohanna França (PV), autora do projeto, levou a cobrança ao plenário da Assembleia Legislativa na última quarta-feira, 17. 

Em declaração, a deputada fez questão de situar o momento como o mais sensível de todo o processo de implantação do Hospital Regional. Segundo ela, após anos de indefinições, negociações e entraves burocráticos, a tramitação legislativa foi concluída e não há mais obstáculos técnicos ou jurídicos que justifiquem qualquer postergação. 

A parlamentar afirmou que, neste estágio, a decisão deixou de ser coletiva e passou a depender exclusivamente de um gesto do chefe do Executivo estadual.

— Eu tenho explicado para as pessoas que agora a bola está no pé do governador, que a gente precisa só de uma assinatura — afirmou.

Na avaliação de Lohanna, o prazo legal de 15 dias, embora previsto na Constituição, torna-se desproporcional quando comparado à realidade da saúde pública vivida diariamente na região. 

— As pessoas parecem sequer acreditar que o governador tem 15 dias para assinar um papel, enquanto a UPA de Divinópolis está lotada — disse.

A deputada ampliou o alcance da cobrança ao afirmar que os impactos da demora não se restringem a Divinópolis, mas atingem dezenas de municípios do Centro-Oeste mineiro que dependem da estrutura regional de saúde. Por fim, Lohanna reforçou que o calendário eleitoral de 2026 pode criar novos entraves e comprometer definitivamente o cronograma de abertura da unidade.

— A urgência dessa pauta demanda que o governador, mesmo que possa, não estenda esse assunto até janeiro de 2026 — declarou.

Prazos

A advertência sobre o risco de empurrar a decisão para 2026 não é nova, mas voltou a ganhar peso com a cobrança pública feita nesta semana. O tema reacende um alerta contundente feito ainda em meados de novembro pelo reitor da Universidade Federal de São João del-Rei, Marcelo Andrade, durante discurso na Câmara Municipal de Divinópolis, quando o projeto ainda tramitava na Assembleia Legislativa.

Na ocasião, o reitor chamou atenção para o impacto direto do calendário eleitoral de 2026 sobre a administração pública e afirmou que a não conclusão de todas as etapas legais ainda em 2025 poderia inviabilizar a inauguração. Segundo ele, diferentemente do discurso político, o hospital ainda não havia sido oficialmente transferido à universidade, condição indispensável para o início de qualquer ação prática.

O reitor também alertou para o risco de perda de investimentos já realizados. 

O governo federal destinou R$ 85 milhões para equipar o Hospital Regional, dos quais cerca de R$ 35 milhões já foram utilizados. Sem a transferência definitiva do imóvel, os recursos remanescentes podem ser redirecionados para outras regiões do país.

— Nós temos uma linha de tempo muito perigosa. Se passarmos para 2026, não vamos conseguir colocar o hospital para funcionar — alertou.

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