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Política

Quando o terrorismo cria um Estado 

Quando o terrorismo cria um Estado 

Domingos Sávio Calixto

O terrorismo é a instrumentalização de uma ideologia política pela imposição da violência e do medo contra seres indefesos, alheios ao combate, gerando graves danos à vida, à integridade física e ao patrimônio público, em todos os seus aspectos e dimensões. É o supremo ato da covardia política.

O terrorismo de Estado foi inventado na revolução francesa pelo tirano Robespierre, muito bem alimentado pelos extremos doutrinários colhidos entre Hobbes e Rousseau. Sem embargo, ali, naquela revolução, viu-se um Estado produzir terrorismo. Entretanto, pouco mais de um século depois, viu-se o oposto: o terrorismo produzir um estado, um estado sionista.

Esse terrorismo sionista teve seu início no começo do século XX, mediante grupos violentos (04), a saber: Haganah, Irgun, Stein e Lehi, todos defendendo o slogan de se fazer reerguer uma Judéia dentro da palestina, pelo sangue e pelo fogo. Essa “nova Judéia” veio a se tornar o que hoje se chama estado de Israel.

Conforme a ONU, o estado de Israel não só pratica genocídio, como também pratica ferrenhamente o antissemitismo terrorista contra o povo palestino, impondo-lhes o mais cruel holocausto globalmente testemunhado, contra uma população e contra a humanidade. Revendo as ações terroristas pelos quatro grupos sionistas contra a Palestina, algumas são de devida memória.

Assim, para forçar a Grã-Bretanha a patrocinar um estado sionista dentro da Palestina, um dos primeiros atentados foi registrado em 17 de março de 1937, quando o Irgun lançou uma granada contra um Bar-Café palestino em Jerusalém, causando inúmeras vítimas.

Em seis de julho de 1938, o mesmo grupo terrorista Irgun detonou bombas-relógio em um mercado palestino em Haifa, matando 21 palestinos e ferindo 52.

Em junho de 1939, a aldeia palestina de Balad Al-Shaykh, também em Haifa, foi atacada pelo Haganah, onde 5 aldeões foram sequestrados e mortos.

Em 25 de novembro de 1940, o grupo Haganah causou uma explosão no navio francês SS Patria, ancorado em Haifa, matando 264 pessoas e ferindo outras 172.

Em oito de agosto de 1944, o grupo terrorista Lehi tentou matar Harold McMichael, Alto Comissário britânico na Palestina. Em novembro daquele mesmo ano, o grupo Lehi matou Lord Moyne no Cairo. Ele era representante do governo britânico no Oriente Médio.

Em 22 de julho de 1946, o grupo terrorista Irgun dinamitou o Hotel King David, em Jerusalém, matando 91 pessoas. Em outubro do mesmo ano, a embaixada britânica foi bombardeada pelo mesmo grupo e, em dezembro, um carro-bomba foi detonado contra edifícios em Sarafand.

De 4 a 6 de junho de 1947, vinte cartas-bombas foram enviadas para políticos britânicos em Londres. Em julho do mesmo ano, o Irgun matou soldados britânicos em Netanya.

Uma dos atentados terroristas sionistas mais relevantes foi o assassinato do Conde sueco Folke Bernadotte. Seu carro foi cercado por membros do Lehi em Jerusalém, dia 17 de setembro de 1948, sendo assassinado juntamente  com o Coronel Frances Andre Serot. Ambos eram observadores da ONU.

Em 09 de abril de 1948, os terroristas do Irgun e do Lehi praticaram um massacre contra camponeses na aldeia de Dayr Yasin. Mais de uma centena de vítimas foram assassinadas a sangue frio.

No ano de 1948, os grupos terroristas sionistas estruturaram o famoso  “Plano Dalet”, para intensificar inúmeros e covardes massacres contra a população palestina, inaugurado com o genocídio de Tantura, outra aldeia de Haifa, nos dias de 22 e 23 de maio de 1948, resultando no martírio e morte de mais de 200 palestinos.

Naquele mesmo ano, em 29 de outubro de 1948, o terrorismo sionista atacou a aldeia de Al-Dawaymath, em Hebron, matando centenas de palestinos. A palestina vem sido vítima de terrorismo sionista a quase um século.

Todos esses ataques terroristas chegaram ao seu ponto máximo no holocausto atual, em Gaza e Cisjordânia — pertencentes ao povo palestino — completamente destruídas, gerando um rio de sangue e cadáveres de inocentes, mulheres e crianças.

Estes grupos terroristas que atuaram no início do século foram os mesmos que se uniram e formaram um partido político chamado Herut, que depois veio a chamar-se Likud. O Likud é o partido do atual primeiro ministro sionista, líder das práticas genocidas contra Palestina, e contra o qual existe Mandado de Prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), por crime contra a humanidade.

Foi esse mesmo líder sionista do Likud que, ao falar na tribuna da ONU neste ano, em 26 de setembro, causou repulsa e ojeriza entre as comissões e delegações de quase todos os países, que se levantaram e se retiraram em protesto, deixando-o a mercê de sua própria repugnância planetária.

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