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Editorial

R$ 8 bilhões depois

Por Bruno
R$ 8 bilhões depois

O debate foi intenso. Dividiu opiniões, mobilizou deputados, sindicatos, especialistas e a população. Houve manifestações favoráveis, protestos contrários e longas discussões sobre os impactos para Minas Gerais. Agora, porém, a privatização da Copasa deixou de ser uma possibilidade para se tornar realidade.

Com a conclusão da operação, um novo capítulo começa a ser escrito. E ele exigirá atenção permanente da sociedade. Independentemente da posição defendida durante o processo, há um consenso que deve prevalecer daqui para frente: os mineiros precisam fiscalizar de perto o cumprimento das promessas feitas. Afinal, quando se trata de um serviço essencial como abastecimento de água e tratamento de esgoto, quem paga a conta é o consumidor e quem sente os reflexos de qualquer decisão é a população.

Os novos controladores assumem a responsabilidade de garantir eficiência, ampliar investimentos e cumprir metas de universalização do saneamento. Não se trata de um favor, mas de uma obrigação prevista em contratos e na legislação. Água tratada e coleta de esgoto de qualidade não são privilégios. São direitos básicos que impactam diretamente a saúde pública, o meio ambiente e a qualidade de vida.

Ao mesmo tempo, o Governo de Minas anunciou que os R$ 8,38 bilhões obtidos com a operação serão destinados a investimentos estruturantes, incluindo obras que podem beneficiar diretamente Divinópolis e toda a região Centro-Oeste. São anúncios que despertam expectativa em uma região que há décadas aguarda melhorias importantes na infraestrutura.

Entre os projetos já mencionados estão intervenções em rodovias estaduais e estudos para recuperação de ligações estratégicas para a mobilidade e o desenvolvimento econômico. É natural que exista esperança. Mas esperança, por si só, não recupera estradas nem entrega obras.

Anúncio não é sinônimo de execução. A história recente mostra que muitos projetos públicos começam cercados de expectativas e acabam enfrentando atrasos ou ficando pelo caminho. Por isso, tão importante quanto celebrar os recursos anunciados é acompanhar de perto sua aplicação.

A sociedade, a imprensa, os órgãos de controle e as lideranças locais terão papel fundamental nesse processo. Será preciso cobrar transparência, acompanhar cronogramas e verificar se os investimentos realmente chegarão onde foram prometidos.

No caso de Divinópolis e do Centro-Oeste mineiro, a atenção é ainda maior. O governador Mateus Simões anunciou mais de R$ 400 milhões em investimentos para a região, recursos capazes de melhorar a infraestrutura, aumentar a segurança nas rodovias e impulsionar o desenvolvimento econômico.

Naturalmente, surgem perguntas que merecem ser feitas: os valores anunciados serão efetivamente aplicados? As obras sairão do papel? A mudança no controle da Copasa trará ganhos concretos para os consumidores?

Ninguém tem essas respostas neste momento. O que existe são compromissos públicos assumidos por quem conduziu a privatização e por quem passa a comandar uma das maiores companhias de saneamento do estado. E compromissos públicos precisam ser acompanhados de resultados.

Fiscalizar não significa torcer contra. Significa garantir que a população seja a principal beneficiada por uma decisão que movimentou bilhões de reais e marcou a história recente de Minas Gerais.

O debate sobre a privatização ficará para a história. O julgamento mais importante, porém, será feito no dia a dia: na qualidade dos serviços prestados, nas tarifas cobradas e nas obras efetivamente entregues. Mais do que discutir o passado, é hora de acompanhar o futuro.

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