“São caminhos diferentes”, afirma presidente do Cidadania em Divinópolis após rompimento com PSDB

Lucas Maciel
A política brasileira tem vivenciado nos últimos anos um novo cenário de alianças e estratégias eleitorais, principalmente com a crescente adesão à federação de partidos. Essa fórmula, que permite a junção de siglas por um período mínimo de quatro anos, tem mudado o jogo político no país, proporcionando uma alternativa para fortalecer a atuação de grupos menores e aumentar a competitividade nas eleições.
No entanto, apesar de diversas alianças se formarem, também é natural que, com o tempo, algumas se desfaçam por inúmeros fatores. Este é o caso da federação entre o Cidadania e o PSDB, que chega ao fim. A separação será formalizada após a aprovação da maioria simples dos membros do Diretório Nacional do partido, em encontro marcado para o dia 16 de março, também na capital federal.
O Agora conversou com o presidente do Cidadania em Divinópolis, Josafá Anderson que deu mais detalhes sobre esse rompimento e o futuro do partido.
Separação
A definição a respeito do fim da federação aconteceu durante uma reunião realizada em Brasília, nesta última quarta-feira, 19, quando a Executiva Nacional do Cidadania tomou a decisão unânime de encerrar a federação com o PSDB.
A decisão de romper com o PSDB recebeu o apoio de importantes lideranças do Cidadania em Minas Gerais. Luzia Ferreira e Juarez Amorim, que representam o estado na direção nacional do partido, se posicionaram a favor do término da aliança. Além disso, João Vítor Xavier, deputado estadual e presidente estadual da sigla, esteve em Brasília para acompanhar de perto a reunião que determinou o futuro da federação.
Agora, para que a separação se torne oficial, a decisão precisa ser ratificada pela maioria simples dos membros do Diretório Nacional do partido. O encontro que confirmará a ruptura está agendado para o dia 16 de março, também na capital federal.
Divinópolis
Em contato com o Agora, o presidente do Cidadania em Divinópolis, Josafá Anderson, comentou sobre a separação da federação e esclareceu que não se trata de uma ruptura, mas sim do fim de um prazo.
— É um prazo que venceu agora e não vamos mais renovar essa federação — afirmou o presidente.
Ele destacou que, no que diz respeito a Divinópolis, a parceria com o PSDB foi positiva.
— Foi um período bom. Tivemos uma boa convivência com o PSDB aqui, especialmente com a presidente do PSDB local, Eliana Piola. Eu, como presidente do Cidadania, e ela como presidente do PSDB, mantivemos um bom relacionamento durante todo esse tempo — declarou.
Josafá também ressaltou que não houve nenhum tipo de conflito ou separação abrupta.
— Não houve ruptura nenhuma. Agradecemos pelo tempo de convivência. Foi um período bom, mas que agora chegou ao fim — disse.
Próximos passos
Josafá Anderson também comentou sobre os próximos passos do Cidadania após o término da federação com o PSDB. Ele explicou que, no momento, o partido está focado na eleição de um novo Diretório Municipal.
— Agora, começa o processo de eleição do diretório. Neste ano, então, é quando a separação se concretiza, e nós vamos formar um novo diretório para o partido — declarou o presidente.
Ele também destacou que, apesar da separação, ainda não há definições sobre possíveis novas alianças ou federações com outros partidos.
— Continuamos aguardando as orientações do Diretório Nacional. Vamos formar um novo diretório e, a partir disso, avaliar com Brasília e Belo Horizonte, se vamos federar ou nos unir a outro partido — explicou.
Por fim, o presidente ressaltou que, por enquanto, o Cidadania seguirá de forma independente.
— Por enquanto, estamos em carreira solo — finalizou Josafá.
Nacional
Em entrevista cedida no final do ano passado, ao jornal O Globo, o presidente nacional do Cidadania, Comte Bittencourt, comentou sobre a aliança e confirmou que uma separação estava próxima. O assunto já circulava há algum tempo.
— O sentimento predominante do partido é de não continuarmos federados. Apesar da boa relação que temos com o PSDB, a experiência não foi boa. Faltou um amadurecimento maior do processo.
O outro lado também se manifestou sobre a situação. Após oito anos na presidência e tantos outros elegendo governadores, principalmente em São Paulo, o presidente do PSDB, Marconi Perillo, vê o partido perder seu antigo protagonismo na política.
— Há uma corrente que quer que o PSDB continue e outros defendem a incorporação ou fusão a um partido maior — afirmou ao Estadão.
Últimas eleições
O PSDB, partido histórico em Divinópolis, perdeu força nos últimos anos. A federação elegeu apenas Josafá na última eleição.
A sigla, tradicionalmente, sempre ocupou a Câmara com, no mínimo, dois representantes.
2001-2004: Eliana Piola, Marcos Vinicios, Vinilson Rocha e Vladimir Azevedo;
2005-2008: Adilson Quadros e Vladmir Azevedo;
2009-2012: Beto Machado e Rodyson do Zé Milton;
2013-2016: Adilson Quadros e Rodyson do Zé Milton;
2017-2020: César Tarzan, Eduardo Print Júnior e Renato Ferreira;
2021-2024: Ademir Silva e Eduardo Print Júnior.
Federações
O Brasil tem três federações partidárias, todas formadas em 2022:
- PT, PCdoB e PV;
- PSDB e Cidadania;
- Psol e Rede.
Em Divinópolis, apenas a primeira obteve sucesso, tendo eleito três vereadores (dois do PV, um do PT) e se tornando a maior bancada da Câmara. No entanto, ela também pode estar próxima do fim.
No cenário nacional, o PV avalia que a rejeição do PT levou à redução do desempenho nas eleições municipais. Em quatro anos, o Partido Verde saiu de 47 prefeitura para 14. Em Belo Horizonte, por exemplo, lideranças do PV manifestaram apoio à reeleição de Fuad Noman (PSD), enquanto os petistas lançaram a candidatura de Rogério Correia (PT).
Segundo informações, o PDT tem mantido conversas tanto com o PT quanto com o PV, avaliando uma possível nova federação.
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