Sindicato critica número de cargos em comissão na Prefeitura de Divinópolis

Flávio Flora
O preenchimento de cargos comissionados na Prefeitura de Divinópolis vem incomodando muito a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram), especialmente depois que o prefeito Galileu não concedeu as correções salariais ajustadas pelo executivo anterior, antes de declarar estado de calamidade financeira municipal.
Segundo o boletim sindical, divulgado esta semana, a manutenção de 213 cargos em comissão está na contramão da crise decretada.
— Entre os nomeados estão parentes diretos do prefeito e de seu vice, em uma clara afronta à população divinopolitana, que convive diariamente com falta de profissionais nos postos de saúde, medicamentos e uma série de problemas, que expõem o descaso da administração — denuncia a nota.
Denúncias
Os sindicalistas prometem entregar ao Ministério Público, em breve, um relatório em que apresentará os nomes dos comissionados e seu parentesco com os agentes políticos municipais. As secretarias de Agronegócio, dirigida pelo ex-vereador Hilton de Aguiar, e de Esportes, por Everton Dutra, “são as que mais acumulam contratados para funções de confiança”, segundo o Sintram.
No boletim do sindicato, os dirigentes criticam o anúncio de uma série de medidas de contenção de gastos, como a redução do horário de atendimento, mas “não houve nenhuma medida visando reduzir o quadro de comissionados” e de secretarias, como chegou a ser “anunciado por integrantes da administração”.
Os sindicalistas reclamam que o prefeito Galileu Machado “ignorou os servidores municipais que estão em campanha salarial”, pois há duas semanas fixou a reposição salarial da categoria em 4%, sendo 2% retroativo a março e os outros 2% em dezembro.
Ação judicial
A presidente do Sindicato, Luciana Aparecida dos Santos, considerou a atitude do prefeito como “um desrespeito à categoria” e uma injustiça c om os servidores, únicos penalizados da calamidade financeira:
— Passados exatos 30 dias do anúncio de que não iria respeitar a lei do
gatilho devido à falta de dinheiro, o prefeito Galileu Machado não tomou
nenhuma das atitudes que prometeu para reduzir os gastos da prefeitura. O sindicato vai ajuizar uma ação exigindo o cumprimento da lei, em atendimentoao que ficou definido pela assembleia — prometeu a presidente.
Ela adianta que vai exigir judicialmente o cumprimento da Lei 8.083, que define o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), da Fundação Ipead, como o indexador para a reposição dos servidores municipais.
Informa o Sintram, por fim, que o IPCA do ano passado ficou acumulado em 7,86%, índice que deveria ser agregado aos salários dos servidores a partir de 1º de março. “Várias cidades da região, entre elas, Bom Despacho, Carmo do Cajuru, Luz, Medeiros, Pimenta e São Sebastião do Oeste, entre outras, já concederam a reposição com base no índice inflacionário”.
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