Coleta seletiva e fim do lixão exigem mais atenção em Divinópolis, alerta ativista

Flávio Flora
A destinação e tratamento do lixo urbano foi assunto desta quinta-feira, na Tribuna Livre da Câmara, reforçando o tema que predominou na semana. A professora universitária Helcia Veriato, ativista socioambiental, pediu apoio dos vereadores para que a gestão de resíduos sólidos tenha mais atenção dos Poderes Municipais.
Em sua fala, Helcia referiu-se ao “relatório sobre a gestão de resíduos sólidos do município com inclusão social” – estudo feito pela ONG Lixo e Cidadania com recursos da Diocese de Divinópolis, nos últimos seis meses, e encaminhado à Presidência da Câmara, ao secretário municipal de Meio Ambiente e ao Ministério Público. Pediu que a Comissão de Saúde e Meio Ambiente (ou especial) também discuta a questão do lixo em Divinópolis.
— Estou aqui, enquanto cidadã, pedindo que seja feito um acompanhamento dessa discussão no município. Não dá mais para fingir que isso não está acontecendo — referindo à questão da destinação dos resíduos da construção civil, que ainda não está legalizada e precisa ser bem discutida e analisada.
Lixo e Cidadania
Informou a tribuna que o fórum “Lixo e Cidadania” deve ser reeditado, conforme recomendou o estudo da Diocese, por conclusão, para retirar do “abandono” em que está a situação do Centro Municipal de Triagem, especialmente,as condições indignas de trabalho no local.
Lembrou que existem várias associações de catadores que se utilizam do Centro para suas atividades; existe um Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos, com uma proposta concreta que precisa ser respeitada.
— Nós temos lei; não estamos precisando de leis. Estamos precisando é que se cumpra a lei. Chegamos num trecho desta estrada, percorrida há 20 anos, e estamos sonhando mais alto com a plena coleta seletiva. Mudar comportamento não é fácil, mas com o exemplo dos vereadores isso pode ser possível — afirma Veriato.
Condição precária
A precariedade do Centro de Triagem foi ressaltada, ao início de novembro do ano passado, quando cerca de 90 alunos de 4º e 5º anos do Fundamental do Instituto N. S. do Sagrado Coração ocuparam o lado esquerdo do Plenário da Câmara para reforçar um apelo aos vereadores.
— Respeitosamente, solicitamos mais atenção de todo o governo municipal para melhorar as condições de trabalho da Ascadi e a eficiência da coleta seletiva de lixo de nossa cidade. Aprendemos sobre a importância desses trabalhadores para o município e para o meio ambiente. Entendemos que a população deve colaborar separando os resíduos secos e úmidos, além de dar destino adequado a todos eles — solicitou a aluna Luíza Morais.
Falência do lixão
A falência do aterro controlado, nome inadequado para o lixão de Divinópolis, não está sendo tratado com a devida pressa e liderança pelo município. A necessidade de se dar impulso mais forte ao problema vem da legislação ambiental sobre aterros sanitários.
A construção de Aterro Sanitário Compartilhado, no distrito de Marilândia, proximidades da rodovia BR-494 (município de Itapecerica), para processar o lixo recolhidos de 12 cidades do Centro-Oeste, incluindo Divinópolis, foi apresentada em março último e visto como uma solução viável.
Para o procurador-geral de Divinópolis, Wendel Santos de Oliveira, a proposta do governo de Minas, elaborada pela Secretaria de Cidades e de Integração Regional (Secir) é a mais viável surgida até agora.
— Um aterro sanitário com vida útil estimada em mais de trinta anos (...) trará ganhos incontestáveis para o meio ambiente, com inegável proveito para esta e para as futuras gerações — afirmou o procurador-geral.
O estudo sobre o Aterro Sanitário Compartilhado (ASC) indica que serão construídas cinco subestações de transbordo localizadas em Camacho, Carmo do Cajuru, Oliveira, Pedra do Indaiá e Santo Antônio do Monte, que, por sua vez, receberão em primeiro lugar os resíduos sólidos de doze cidades da região.
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