Uma questão urgente: educação financeira para crianças

O tema dinheiro ainda é pouco discutido nas famílias brasileiras, especialmente quando o assunto envolve crianças. A Federação Brasileira de Bancos – Febraban noticiou em sua página que “a maioria dos brasileiros (55%) admite que entende pouco (40%) ou nada (15%) de educação financeira, mas reconhece que o tema é muito importante”.
Talvez por não dominarem o assunto, não terem familiaridade com finanças, ou até mesmo não terem tempo de estar com os filhos, os pais não se dedicam a ensinar como lidar com o dinheiro e como administrar as vontades momentâneas. Há ainda, aqueles pais que não sofrem a falta de recursos, mas por não terem tempo de qualidade com os filhos, suprem essa falta cobrindo-os com presentes, ensinando intrisicamente que “ter” é algo fácil, rápido e que não exige esforço de quem deseja.
Em muitas famílias, para suprir as demandas financeiras e garantir o bem-estar de suas famílias, pais e mães dobram turnos de trabalho e acabam terceirizando a criação de seus filhos à outrem ou às tecnologias. Essas crianças acabam ficando a mercê de telas, influenciadores digitais, jogos on-line e mídias sociais. Como a propaganda é a financiadora dessas plataformas, o consumismo acaba se instaurando na vida dessas pequenas crianças que ainda não tem maturidade para discernir necessidade de desejo e se tornam presas fáceis do mercado.
O desenvolvimento infantil é um processo contínuo de aprendizagem pelo qual as crianças, por meio dos sentidos biológicos e cognitivos adquirem capacidades de lidar com todas as situações que envolvem seu cotidiano. Portanto, ensinar educação financeira às crianças nessa fase da vida é completamente possível e essencial para a formação de um adolescente, jovem e adulto consciente e racionalmente capaz de analisar o custo do dinheiro e suas mais vantajosas empregabilidades e ainda contribui para a saude mental desses futuros adultos, que sabendo lidar com o dinheiro, evitarão muitos problemas e assim poderão usufruir de uma vida mais leve e organizada.
A presença e o acompanhamento dos pais nessa fase são de extrema importância, pois eles são referência para seus filhos, já dizia o famoso ditado popular “Quem sai aos seus não degenera”, quem segue os passos de seus pais ou ancestrais tende a não se desviar deles ao longo da vida.
É primordial que os pais, mesmo não sendo expers em assuntos financeiros, comecem a trabalhar essa questão com seus filhos em suas casas com exemplos práticos do cotitiano, como por exemplo planejar as compras no supermercado, comparar preços, decidir entre “querer” e “precisar”, administrar mesadas (ter noçao de orçamento), gerir o desperdício, ter noção de consumo consciente em situações reais do cotidiano.
Ensinar a uma criança que ela não pode ter tudo, que cada coisa tem seu valor e que esse valor está validado no custo da obtenção, dos esforços despendidos para aquela conquista, e que, portanto, é necessário fazer escolhas, permite à elas o desenvolvimento do senso crítico e de urgência, capacidade de entender o que é necessário e o que é apenas um capricho, consequentemente formando um futuro cidadão consciente e sensato no que diz respeito à educação financeira.
O ensino da educação financeira, além de tratado em casa pelos pais, com exemplos do cotidiano familiar, deveria ser conteúdo transversal, nas escolas de ensino básico e fundamental. O país que proporciona este conhecimento aos seus cidadãos colhe frutos futuros, através de pessoas menos endividadas, conscientes economicamente e que compreendem o valor do dinheiro e consequentemente tornam-se investidores, gerando renda e investindo em seu território nacional.
Contudo investir em educação financeira para crianças é uma questão urgente para seus futuros e para o futuro do país. Ter um tempo de qualidade com os filhos e ensinar o valor do dinheiro, pode ser a virada de chave para que os pequenos entendam que o dinheiro é fruto do trabalho, esforço e planejamento e não apenas um meio de comprar bens materiais que supram carências afetivas.
Concomitantemente inserir nas grades curriculares conteúdos de educação financeira pode ser peça fundamental para a formação de futuros cidadãos e profissionais sensatos, para um futuro promissor e grandes possibilidades de crescimento pessoal, econômico e emocional.
Trabalhar para disseminar e cobrar o assunto entre famílias, escola, orgão publicos, é a uma forma de exercer cidadania, partipar ativamente da vida em sociedade e buscar o bem-estar da coletividade. As atitudes particulares de cada cidadão impactam a coletividade e fortalecem o bem-estar comum.
Thalita Menezes graduada em Ciências Contábeis, especialista em Controladoria, Auditoria e Perícia, e mestre em Ciências Contábeis pela FUCAPE Business School. Controller em indústria de transformação, com sólida experiência em gestão, controle e análise de resultados. Professora Universitária UNA Divinopolis , lecionando nos cursos de Ciências Contábeis e Administração.
thalita.menezes@prof.una.br
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