E ainda precisamos falar sobre o que é Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Entender o Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou simplesmente autismo, é muito mais sobre abrir o coração e a mente do que decorar termos médicos complicados. Para começar, a palavra-chave aqui é espectro. O autismo não é uma doença que se pega ou que tem cura, na verdade é uma forma diferente do cérebro processar o mundo. Imagine que a maioria das pessoas usa um sistema operacional "padrão", como um Windows, e a pessoa autista usa um sistema diferente, como um Linux. Ambos funcionam bem, fazem coisas incríveis, mas processam as informações de jeitos distintos.
Como isso aparece no dia a dia? Geralmente, os sinais aparecem logo cedo, na infância, e costumam envolver três pilares principais a comunicação, a interação social e comportamentos e interesses.
A Comunicação: nem todo autista é não-verbal (que não fala). Muitos falam muito bem! A questão é como a comunicação flui. Pode ser difícil entender ironias e gírias, se você disser "está chovendo canivete", uma criança autista pode ficar genuinamente preocupada em se machucar, porque ela tende a entender as coisas de forma literal.
A Interação Social: aquelas regrinhas invisíveis da sociedade, como saber a hora de parar de falar ou manter contato visual, podem ser exaustivas ou confusas. Às vezes, a pessoa prefere ficar no seu próprio mundo, não por falta de carinho, mas porque o "barulho" social cansa sua bateria mental mais rápido.
Comportamentos e Interesses: é muito comum o que chamamos de "hiperfoco". Sabe quando alguém se apaixona por um assunto seja dinossauros, trens, maquiagem ou astronomia e vira um verdadeiro enciclopédia viva sobre aquilo? Isso é o hiperfoco, além disso, movimentos repetitivos (como balançar as mãos ou o corpo) ajudam a organizar os pensamentos e a acalmar os nervos.
Uma coisa que muita gente não sabe é sobre a sensibilidade sensorial, para muitos autistas, o mundo é barulhento, brilhante e apertado demais. O som de um liquidificador pode doer como uma sirene de ambulância no ouvido e a luz do supermercado pode ser ofuscante. Por isso, às vezes acontecem as crises que não são "birra", mas sim um sistema nervoso sobrecarregado pedindo socorro.
O maior desafio do autismo não está no cérebro da pessoa, mas muitas vezes no preconceito de quem está em volta. Respeito é aceitar que o jeito de o outro se expressar é diferente do seu. Se você ver uma criança tendo uma crise no shopping, em vez de julgar os pais, ofereça um olhar de empatia.
No fim das contas, o autismo é apenas uma das muitas cores da diversidade humana. O mundo fica muito mais rico quando a gente para de exigir que todo mundo seja igual e começa a celebrar as diferentes formas de perceber a vida. Afinal, a beleza do mundo está justamente no fato de que ninguém processa a realidade da mesma maneira.
Paulo Henrique Alves de Sousa, mestre em ciências, coordenador de curso da Faculdade UNA Divinópolis
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