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Dia Internacional das Mulheres, a saúde mental e a neuropsicologia

Por Bruno
Dia Internacional das Mulheres, a saúde mental e a neuropsicologia

O Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, constitui um marco histórico e social de reconhecimento das lutas das mulheres por direitos, dignidade, equidade e justiça social. Para além de sua dimensão política e histórica, essa data também convida à reflexão sobre aspectos fundamentais relacionados à saúde mental, ao cuidado psicológico e ao reconhecimento das experiências subjetivas e cognitivas femininas. Nesse contexto, a psicologia e, de modo particular, a neuropsicologia, desempenham um papel essencial na compreensão das múltiplas dimensões da vida das mulheres, contribuindo para a promoção do bem-estar, da autonomia e da qualidade de vida.

A psicologia, enquanto ciência e profissão voltada para o estudo do comportamento humano, dos processos emocionais e das relações sociais, possibilita compreender as experiências das mulheres em sua complexidade histórica, cultural e subjetiva. Ao longo da história, mulheres enfrentaram, (e ainda enfrentam) diversas formas de desigualdade, como discriminação de gênero, sobrecarga de papéis sociais, violências, invisibilização de suas conquistas e limitações no acesso a oportunidades educacionais e profissionais. Esses fatores podem impactar significativamente a saúde mental, contribuindo para o surgimento ou agravamento de condições como ansiedade, depressão, estresse crônico e sofrimento psíquico. Nesse sentido, a atuação psicológica torna-se fundamental para oferecer espaços de escuta qualificada, acolhimento e elaboração emocional, permitindo que mulheres possam reconhecer suas próprias narrativas, fortalecer sua autoestima e desenvolver estratégias de enfrentamento frente às adversidades. A saúde mental das mulheres deve ser compreendida a partir de uma perspectiva integral e contextualizada. Diversos fatores biológicos, psicológicos e socioculturais interagem ao longo do ciclo de vida feminino, incluindo aspectos relacionados à adolescência, maternidade, carreira profissional, envelhecimento e relações familiares. A psicologia contribui para a promoção de intervenções preventivas e terapêuticas que considerem essas especificidades, respeitando a singularidade de cada mulher e promovendo práticas baseadas na ética, no respeito e na valorização da diversidade.

Nesse cenário, a neuropsicologia apresenta uma contribuição relevante ao investigar as relações entre o funcionamento cerebral, os processos cognitivos e o comportamento humano. Por meio da avaliação e da intervenção neuropsicológica, torna-se possível compreender como funções cognitivas, como atenção, memória, linguagem, funções executivas e regulação emocional, influenciam o cotidiano das mulheres em diferentes contextos de vida. A neuropsicologia também contribui para a identificação e o acompanhamento de condições neurológicas, transtornos do neurodesenvolvimento, alterações cognitivas associadas ao envelhecimento e impactos psicológicos decorrentes de situações de estresse ou trauma. Além disso, estudos em neurociência têm demonstrado que fatores como estresse crônico, violência doméstica, desigualdade social e sobrecarga emocional podem influenciar significativamente o funcionamento neuropsicológico e o bem-estar mental das mulheres. Assim, a atuação interdisciplinar entre psicologia, neuropsicologia, saúde pública e políticas sociais torna-se fundamental para a construção de estratégias de cuidado mais amplas e humanizadas.

Celebrar o Dia Internacional das Mulheres também significa reconhecer a importância delas na sociedade e do cuidado psicológico como um direito humano fundamental. Promover saúde mental implica garantir acesso a serviços de qualidade, incentivar a educação emocional, fortalecer redes de apoio e combater estigmas relacionados ao sofrimento psíquico. A psicologia, nesse sentido, contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, na qual as mulheres possam exercer plenamente sua autonomia, potencialidades e projetos de vida. Portanto, o 8 de março não se limita a uma data comemorativa, mas representa um momento de reflexão coletiva sobre os desafios ainda presentes e sobre a importância de promover saúde mental, dignidade e respeito às mulheres em todos os espaços da sociedade. A psicologia e a neuropsicologia, ao oferecerem instrumentos científicos e humanísticos para compreender o comportamento, a cognição e a experiência humana, reafirmam seu compromisso ético com a valorização da vida, da diversidade e do cuidado com a subjetividade feminina. Assim, reconhecer a importância dessas áreas do conhecimento no contexto da vida das mulheres significa também reconhecer que cuidar da saúde mental é cuidar da história, das emoções, da memória e das potencialidades de cada mulher, contribuindo para a construção de trajetórias mais saudáveis, conscientes e significativas ao longo do ciclo da vida.

Karla Patrícia Paiva Ferreira Dornelas 

Psicóloga e Neuropsicológa - CRP 04/ 36 808 

Especialista em saúde mental e em neuropsicologia 

Mestre em Psicologia Social

Membro da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNp)

Professora Universitária e pesquisadora da UNA de Divinópolis

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