Vale tudo - Preto no Branco

O tempo é curto e a força-tarefa das campanhas dos presidenciáveis fazem de tudo para conquistar ou virar os últimos votos. E para isso os dois candidatos estão fazendo de tudo, mesmo que a atitude possa comprometer o orçamento da gestão futuramente. Exemplo é o anúncio de propostas de ambos que podem aumentar as despesas do governo. Vamos lá: Flávio Bolsonaro (PL) promete retomar o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), enquanto Lula anuncia o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para instituir a tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana. E olha que foram apresentadas em um cenário de pressão sobre as contas públicas. A dívida bruta do governo chegou a quase 83% do Produto Interno Bruto (PIB), sem previsão de queda. Bravo! Vale tudo para fazer a cabeça dos "bobos desinformados"!
Promessas
De um lado, Flávio promete retomar benefícios fiscais para eventos. Criado em 2021, durante a pandemia de Covid-19, o Perse tinha como objetivo auxiliar setores prejudicados pelas restrições sanitárias. Entre os segmentos beneficiados estavam hotelaria, restaurantes, bares e agências de turismo. E acredite. Foi encerrado em 2025, após acusações de irregularidades. Segundo apuração da Receita Federal, mais de duas mil empresas utilizavam o benefício de forma ilegal. Para variar, né! Depois, só as pessoas fazem isso com o Bolsa Família. Quanta hipocrisia. Explica bem porque a maioria dos políticos se mete em corrupção.
Será?
O candidato do PL argumenta que a retomada seria necessária para ajudar o setor de shows e aumentar o faturamento de comércios e motoristas de aplicativo. No entanto, a promessa vai totalmente contra a postura de austeridade fiscal defendida por sua campanha durante o período eleitoral, que previa corte de R$ 200 bilhões, porém, não durou pois não explicava a origem das reduções. Sem falar na promessa de devolução do Pix em contas e parcelas sem detalhar quem seria contemplado. A pergunta que fica é: boas intenções ou populismo.
Tarifa zero
Do outro lado, Lula anunciou que criaria uma PEC para instituir a tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana. O governo avaliou que a medida teria um impacto fiscal de aproximadamente R$ 10 bilhões, valor que seria coberto com recursos destinados de emendas parlamentares. No entanto, estudo mostrou que para viabilizar a proposta, seria necessário que o Congresso cedesse 25% das emendas impositivas. Ou seja, quase zero chance de se tornar realidade, visto que em se tratando de emendas, " a briga é pesada". Assunto que gerou diversas tensões do ano passado para cá. No "fritar dos ovos", trata-se de um "leilão de propostas" em busca de votos.
Que chatice!
Em meio ainda a disputa acirrada, Flávio e Lula, empatados tecnicamente, o tal do desafio sobre abertura de sigilo, que já virou um assunto para lá de chato, segue com desdobramentos. As campanhas dos dois candidatos iriam levar ontem - até o encerramento deste PB, ainda não acontecido - o “desafio dos sigilos” ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A três dias do segundo turno, as equipes dos presidenciáveis se mobilizavam para protocolar respostas e condições sobre a abertura de dados bancários, fiscais e telefônicos. Como se isso fosse sinônimo de idoneidade. Nos poupe!
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