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Preto no Branco

Só depois do apito

Por Gisele Souto · Redação· 3 min de leitura
Só depois do apito

Não é assim que se fala no meio do futebol? Que o jogo só termina depois do apito final? Mas, a conhecida frase pode ser usada em diversas situações da vida, uma delas na política. Onde só se crava o resultado oficial depois do lacre das urnas e apuração dos votos. Este segundo turno das eleições para a Presidência da República mostrou bem isso. Muita gente na rua e milhões de likes nas redes sociais, nem sempre significa votos. Os políticos precisam entender que assim como no meio deles é recheado de traíras, entre o povo não é diferente. Afinal, de onde eles saem? Confiar no ser humano sempre foi arriscado, e atualmente está muito pior. Por essa e outras muitas questões, o grito de "já ganhou" precisa ficar preso na garganta até o fechamento das cortinas. Antes disso, é pura soberba. Que sirva de lição!

Quedas históricas 

Já que o futebol entrou no assunto, não custa relembrar de dois exemplos históricos de "cantar vitória" antes do tempo. Quem é do meio futebolístico ou torce para Atlético de Minas, Corinthians e Flamengo se lembra muito bem. O ano era 2014 e a competição, a Copa do Brasil. Nas quartas de final da competição, o Galo perdeu a partida de ida por 2x0 em São Paulo, com direito a chacota e dancinha do então técnico do Timão, Mano Menezes. Tanto ele, como jogadores e a torcida, já davam como certa a classificação para a semifinal. No jogo da volta, no Mineirão, os comandados de Levir Culpi meteu 4x1 e se garantiu na próxima fase. O próximo adversário em seguida foi o Flamengo nos mesmos moldes. Perdeu no Maracanã o jogo de ida da semi por 2x0, ouviu e viu os mesmos insultos. Manteve-se humilde sem responder às provocações. No jogo de volta em casa, levou um gol logo no início, e quando tudo parecia perdido, foi lá em fez 4, numa virada histórica. Na final, venceu seu maior rival, o Cruzeiro — considerado em um melhor momento na temporada — e levantou a taça. Moral da história: Nunca duvide da capacidade de alguém, mesmo sendo considerado inferior. 

Por convicção 

Passado o processo de três meses de muita correria e tensão, e apenas um vencedor nos cargos para o Executivo, ficam três importantes aprendizados, para aqueles que acham que sabem tudo, é claro. No primeiro turno o voto é por convicção. No segundo, "o buraco é bem mais embaixo". O candidato e apoiadores precisam conversar com quem pensa diferente, conquistar pelo diálogo e propostas. Quem se fecha na bolha, com o clima já de vitória, se dá mal. Ganhar eleição no Brasil exige humildade para ouvir o outro lado, evitar deboches, mentiras, ataques, e principalmente, aceitar que não tem nada ganho.

As pessoas ficam

A campanha mais agressiva dos últimos anos, terminou no domingo à noite com a escolha democrática do vencedor. Ele está muito longe dos que o elegeram, nem sequer sabe que existem, sendo fanáticos ou não. Acabou. Vai descansar em um local paradisíaco, pensar em assumir o governo, quem colocará nos cargos e pronto. Já para o povo, na segunda, o preço no mercado é o mesmo para todo mundo, o posto de saúde é o mesmo, e quem te ajuda é sua família, a mesma que está sem falar por causa dele, é seu vizinho, seu amigo. Brigar de forma definitiva por algo temporário é um prejuízo que só você vai pagar. Principalmente, quando se trata de política. Mais suja do que "pau de galinheiro"

Cobrança é difícil

Tem mais. Nas campanhas o que se ouve são promessas:"eu vou fazer". Claro, que boa parte não é cumprida. Por isso,  o objetivo maior não é em quem você votou, é lembrar e cobrar o que foi prometido. Anota, vai atrás e cobra depois. Sem idolatria. Político não é time de futebol, e muito menos santo, é funcionário que a gente contrata por 4 anos e paga muito caro para exercer seu papel. No fim, a democracia não é sobre o seu candidato ganhar. É sobre o país continuar funcionando e entregando resultado, mesmo quando o seu candidato perde.


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