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Preto no Branco

Sombrio - Preto no Branco

Por Gisele Souto · Redação· 3 min de leitura
Sombrio - Preto no Branco

É o que se enxerga no horizonte quando o assunto é feminicídio. A exemplo do Brasil, Minas Gerais não consegue reduzir o número de mulheres mortas de forma covarde todos os dias. Carmo da Mata, cidade próxima a Divinópolis e Funilândia, na região Central de Minas, retratam essa realidade nesta segunda-feira, 20, realidade triste e doída para inúmeras famílias. Na primeira, a mulher foi morta com três facadas na frente dos filhos. Na outra, o companheiro matou e a pendurou no telhado e ainda postou fotos nas redes sociais. Parece filme de terror, mas infelizmente são cenários que se tornaram comuns nos últimos anos, e só engrossam a estatística preocupante e difícil de se combater. Para onde correr? A quem pedir socorro? O que fazer? São perguntas que, lamentavelmente, seguem sem respostas. 

Não mentem 

Quando se diz que "os números não mentem", é bem isso que  acontece com a estatística de assassinatos à mulheres em Minas, com  177 feminicídios em 2025, contra 169 em 2024. Os números são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. E a continuar neste ritmo, pode ser ainda pior em 2026.  A estatística registrada de janeiro a maio, mostra que o crime voltou a crescer e coloca o Estado diante da possibilidade de encerrar o ano com o maior volume de casos da série histórica iniciada em 2019. Dados da segurança pública mostram que, neste período, foram contabilizadas 148 vítimas de feminicídio, crescimento acelerado apenas nos primeiros cinco meses. Imagine a quantidade de quatro meses completos depois? Resta torcer para que esta previsão não se concretize. Ao contrário, só orando com fé, e muito. 

Tentativas 

Enquanto os números crescem, os órgãos de Justiça tentam incansavelmente freá-los. É o que prevê um acordo firmado entre o Ministério Público de Minas Gerais (MP), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DP), a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A parceria estabelece um fluxo estadual interinstitucional para a gestão de risco, a avaliação e a fiscalização da monitoração eletrônica de autores de violência doméstica e familiar contra a mulher, além da utilização das UPRs disponibilizadas às vítimas. Excelente iniciativa, já que o monitoramento tem falhado muito, assim como as medidas protetivas. Se vai funcionar, não dá para cravar. Mas, ninguém pode dizer depois, que não houve tentativa. 

Tornozeleiras 

O acordo se justifica por diversos fatores e mostra a preocupação das autoridades responsáveis em relação ao problema.  Levantamento mais recente, com dados de 30 de setembro deste ano, registra 2.950 pessoas com monitoramento eletrônico ativo em Minas. Desse total, 1.724 são agressores monitorados por tornozeleiras eletrônicas e 1.226 são vítimas protegidas pelas unidades portáteis de rastreamento.  No início do período analisado, em 31 de agosto do ano passado, havia 999  monitorados e 610 vítimas com UPRs, totalizando 1.609 pessoas acompanhadas pelo sistema. A comparação demonstra que o número de agressores monitorados aumentou 72,57%, enquanto o total de pessoas com monitoramento eletrônico ativo cresceu 83,34%. Chega a ser desesperador e só confirmam o aumento dos crimes contra as mulheres. 

Interior 

Os dados publicados pelo MP também apontam a ampliação da cobertura territorial da política pública de proteção às mulheres. Das 1.226 vítimas protegidas em setembro de 2026, 762 estão vinculadas à Região Metropolitana de Belo Horizonte e 464 no interior do estado. Na comparação com o período inicial, o crescimento proporcional do número de vítimas protegidas no interior foi de 36,87%. A expansão da iniciativa é para ser comemorada e abre caminhos para outras, sem dúvida. No entanto, se ainda não chegou até muitas que se sentem ameaçadas em relações abusivas, busquem ajuda e fujam enquanto há tempo.  Muitas que optaram por continuar tentando e esperaram, não sobreviveram "para contar a história". 


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