Carregando clima…
Preto no Branco

Alerta - Preto no Branco

Por Gisele Souto · Redação· 4 min de leitura
Alerta - Preto no Branco

Praticamente às vésperas do segundo turno, um novo inquérito em curso contra o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL),  no Supremo Tribunal Federal (STF), ligou um sinal de alerta na coordenação de campanha e apoiadores do senador. A investigação, que apura suspeita de lavagem de dinheiro, nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, causa tensão, pois se as decisões saírem ainda nesta semana podem impactar diretamente o pleito. As primeiras avaliações do entorno do candidato são de que o caso avançou muito rapidamente em um curto período, de forma atípica se comparado ao tempo de tramitação de investigações normais na Corte. A informação que circula na campanha é que o inquérito remetido ao STF no dia 8 deste mês, foi autuado e distribuído a Moraes no dia 18 e já haveria diligências em curso antes de abrir vista ao Ministério Público. O que já era esperado. Como diz o ditado: "É cobra engolindo cobra". No caso do Supremo e Morais André Mendonça. Do lado da política, dispensa citações. 

Mais?

É claro que tem. Até sábado, véspera da votação, muita sujeira varrida para debaixo do tapete, vai brotar, isso é fato. A novidade da vez é um inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de dívidas vinculadas ao advogado e empresário Willer Tomaz, que aponta indícios de uma movimentação de R$ 130 milhões em três meses. Conforme trechos da investigação, obtida pela CNN, de março a maio do ano passado, uma conta bancária de Willer movimentou esse valor, apesar da "aparente incompatibilidade com as atividades econômicas conhecidas", segundo dados obtidos pelos investigadores. O empresário é amigo de Flávio Bolsonaro. O celular apreendido pela PF revela fotos de ambos juntos, em "relação de proximidade", com referências a "festas, encontros e reuniões". O empresário disse em nota que causa estranheza o vazamento da investigação "a poucas horas do debate entre os candidatos a presidente". Isso antes do encontro dos presidenciáveis na Band. Esquisito na verdade, era não aparecer nada neste "vale tudo" chamado política.

Empate

A cinco dias do segundo turno, a eleição presidencial brasileira entra em sua fase mais delicada. A nova pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira, 20, coloca Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos e Lula com 48%. A diferença de quatro pontos percentuais está no limite da margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos, o que caracteriza empate técnico. O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre os dias 15 e 19 de outubro. O recado é claro: a disputa permanece aberta dentro dos limites estatísticos da pesquisa. Na reta final, cada campanha precisa lidar com uma combinação de fatores que pode influenciar o resultado: a fidelidade de sua própria base, a capacidade de mobilizar eleitores e a tentativa de conquistar quem ainda não decidiu completamente o voto. Mas há uma distinção importante entre estar indeciso e estar disposto a mudar de ideia. Parte do eleitorado pode ainda não ter escolhido um candidato. Outra parcela já fez sua escolha, mas admite dúvidas ou resistência. Há também quem esteja insatisfeito com as duas opções e considere votar em branco ou anular o voto. Tratar todos esses eleitores como um único grupo é ignorar a complexidade da decisão eleitoral.

Indecisos

Segundo levantamento divulgado nesta terça-feira pelo UOL, 93% dos entrevistados pela Real Time Big Data afirmaram já ter definido o voto, enquanto 7% permaneciam indecisos. O percentual é pequeno diante do eleitorado total, mas ganha relevância em uma disputa apertada. É nesse cenário que a reta final se transforma em uma disputa não apenas por votos, mas também por credibilidade. Os candidatos precisam convencer sem se limitar a repetir palavras de ordem. O eleitor quer saber o que pode esperar do próximo governo, quais problemas terão prioridade e como as promessas serão transformadas em medidas concretas. A polarização, entretanto, costuma empurrar as campanhas para outro caminho. Em vez de apresentar propostas, adversários passam a concentrar esforços em desqualificar um ao outro. O debate se torna uma disputa de rejeição, na qual o objetivo deixa de ser necessariamente conquistar a confiança de quem está em dúvida e passa a ser reforçar o receio de uma vitória do concorrente. Essa estratégia pode mobilizar apoiadores, mas não responde a todas as inquietações de quem ainda busca razões para decidir. Neste sentido, quem souber fazer isso nestes últimos dias, apresentar aos eleitores, questões concretas, pode sair vitorioso. E não é difícil de se fazer, basta não querer apenas lacrar. 


Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Leia também

Mais recentes

Do nosso arquivo

Veja tudo o que publicamos em outubro de 2026

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…