Vereadores denunciam falta de respeito com idosos, crianças e adolescentes

Flávio Flora
Idosos, adolescentes e crianças foram os temas predominantes na reunião da Câmara na tarde de ontem, chamando a atenção dos vereadores. Primeiro, foi o comunitário José Onésimo, ex-presidente da Associação de Moradores do bairro Porto Velho, que reclamou da falta de respeito para com os idosos nas unidades de saúde do município e em outros estabelecimentos com acesso de público.
— O idoso não tem prioridade no sistema de saúde municipal — desabafou o tribuno, ao informar que não era a primeira vez que denunciava.
Informou que já procurou o Conselho Municipal do Idoso, mas este se mostrou indiferente, porque sua presidência entende, segundo Onésimo, que “idoso não tem preferência em Saúde”; mas esse entendimento é parcial.
De fato, segundo ele, existem os casos de urgência/ emergência e de atendimentos previamente marcados, que são prioridades, o que não é o caso da reclamação.
— Mas nada impede que os idosos tenham preferência nas filas de agendamentos, vacinas e outros procedimentos fora das prioridades — afirmou Onésimo, antes de pedir aos vereadores e ao ministério público que fiscalizem os postos de saúde.
Vinicius precisa de muita ajuda
Um assunto marcante e emocionante, na reunião de ontem, que arrancou lágrimas do vereador Cleiton Azevedo (PPS) e sensibilizou os vereadores foi a situação do adolescente Vinícius, que precisa de um transplante de alto custo nos Estados Unidos para não morrer.
Cerca de 60 escolares ocuparam o auditório, com tambores e assobios, para chamar a atenção e pedir a solidariedade dos edis, dos deputados federais e estadual junto ao Ministério da Saúde e ao consulado estadunidense para viabilizar a cirurgia, hoje orçada em cerca de R$ 6 milhões.
Em seus pronunciamentos, sempre seguidos de manifestações e apitos, os vereadores se solidarizaram com a família do jovem Vinícius, presente na reunião, e prometeram fazer os encaminhamentos possíveis para restauração da saúde do jovem paciente, que tem pressa e seu tempo de espera está chegando ao fim.
Exame básico de acuidade visual
Em relação às crianças, especialmente àquelas que não podem pagar por uma consulta oftalmológica, foi apresentado pelo vereador Ademir da Silva (PSD). A intenção de seu projeto de lei CM 071/2017, é obrigar as escolas municipais a realizar exames oftalmológicos básicos (pré-diagnóstico) nos alunos matriculados no primeiro e no quinto anos do ensino fundamental. Segundo a proposta, “o exame básico de triagem ocular consistirá na medida da acuidade visual através da Tabela de Snellen, que revelará as prováveis deficiências visuais do aluno”.
— A baixa acuidade visual é um agravo de elevada prevalência e seu diagnóstico precoce condição fundamental para prevenir a ocorrência de danos futuros sobre o desenvolvimento e o aprendizado infantis. Muitas dificuldades de aprendizado são decorrentes de deficiências visuais, as quais não são detectadas pela falta de acesso dos alunos a exames específicos — justifica o vereador Ademir.
Prostituição e exploração
O vereador Rodrigo Kaboja (PSD) também comentou seu projeto (CM 073/ 2017), direcionado aos adolescentes. Quer obrigar estabelecimentos comerciais, hotéis, motéis, clubes recreativos, casas noturnas e similares afixar aviso em local visível com o seguinte teor: “Submeter criança e adolescente, à prostituição ou à exploração sexual é crime e dá cadeia de até 10 anos”.
— A exploração sexual está fortemente presente na sociedade e tem que ser combatida. A obrigatoriedade de afixar esses avisos, tem o intuito de alertar a todos sobre os crimes e suas punições e inibir o acesso desses criminosos aos locais onde este tipo de crime é mais propício — argumentou Kaboja.
Cenas eróticas para crianças
O vereador Marcos Vinicius (Pros) deu publicidade a uma carta de “um grupo de pais” revoltados com a exibição de filme (com cenas supostamente eróticas) para crianças de 10-11 anos na Escola Estadual São Francisco de Assis, por um professor cujo nome não foi citado.
Diz a missiva que o referido professor exibiu um filme cuja indicação é para maiores de 14 anos.
— Minha filha chegou em casa impressionada, citando falas e cenas do filme (...) isso não pode acontecer com nossas crianças — conta o pai, Fábio Lopes Ribeiro, que tem o apoio de outros responsáveis, também indignados com essa liberalidade.
Após a leitura da carta, Marcos Vinicius informou que, em dois dias, tentou contatar a diretora da escola, educadora Karen Cristina, mas ainda não tinha sido recebido por ela. Por isso, decidiu integrar-se numa comitiva de pais que visitará a escola na manhã de hoje, às 10h, para manifestar a indignação com esse procedimento pedagógico.
— Não há razoabilidade para essa situação forçada, desrespeitosa à integridade das nossas crianças. Vamos preservá-las. Quem deve ensinar aspetos relacionados ao sexo é a família, segundo suas crenças e tradições — censura o vereador, afirmando que vai às últimas consequências para que tal situação “de abuso” não se repita. O nome do filme não foi revelado.
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