Xadrez em Minas

O deputado Domingo Sávio (PL), que confirma nesta semana a pré-candidatura ao Senado, disse durante manifestação neste domingo, que seu partido deve caminhar com Mateus Simões (PSD) ou Cleitinho Azevedo (Republicanos), na disputa pelo governo de Minas. Situação muito complexa ainda, quando entra também a briga pela Presidência da República. É sabido, e não é de hoje, que Simões é o nome Romeu Zema (Novo) para ocupar seu lugar, e mantém sua decisão em disputar a Presidência da República. Ou seja: adversário direto de Flávio Bolsonaro. Como ficaria o palanque em Minas Gerais? Será que os elogios de Flávio a Zema durante o ato na avenida Paulista e os dois caminhando lado a lado seriam a resposta?
Não vai trocar
Do seu lado, Cleitinho Azevedo não vai migrar para o PL, mesmo que isso facilite as articulações para a formação de chapa para a disputa pela cadeira deixada por Zema. Ele revelou com exclusividade a este PB que não trocará de partido. Confirmou que é pré-candidato ao cargo, mas ainda não tem um nome certo para ser seu vice. No entanto, dois aparecem no radar. O presidente da Fiemg no Estado, Flávio Roscoe - ainda falta renunciar ao cargo e se filiar a alguma legenda, e o presidente da AMM, Eduardo Falcão, que inclusive anunciou sua entrada no Republicanos. Detalhe: ele estava sem partido e recebeu o convite da própria cúpula em Minas. Essa pendência é o motivo de o senador não ter anunciado publicamente sua intenção de entrar na disputa. O que não deve passar deste mês.
'Cálculo político'
Mesmo a confirmação não saindo da sua boca, Cleitinho é o nome do presidente do Republicanos, Marcos Pereira, para concorrer ao governo de Minas Gerais. A afirmação foi feita por ele à Folha. O divinopolitano já declarou apoio a Flávio Bolsonaro, no entanto, na visão de Pereira, depende dos planos do deputado Nikolas Ferreira, afirmando que o PL está dividido no Estado. Conjuntura clara, conforme fala de Domingos Sávio, explicada em tópico acima. Para o presidente, o deputado federal está fazendo um "cálculo político" que inclui seus próprios planos para 2030. Isso inclui a situação de Simões, que assume o governo a partir do próximo mês, disputará a reeleição em outubro e não poderá concorrer de novo nas eleições daqui a quatro anos. É aí que Níkolas entraria, pois já teria a idade para brigar pelo cargo. E Cleitinho, caso vença a disputa e faça um bom mandato, abriria mão de disputar à reeleição? Neste sentido é possível perceber que Níkolas faz este cálculo pensando mais nele do que no bem do povo mineiro.
Peso eleitoral
Ainda dentro de uma possível composição com Cleitinho, Flávio Roscoe deixa a presidência da entidade no mês que vem, data limite para desincompatibilização, para entrar na disputa eleitoral. Roscoe já teria conversado com uma cúpula do PL mineiro, diga-se o presidente do partido em Minas, Domingos Sávio, quando teria recebido convite para se filiar na legenda. Apesar da indecisão, o objetivo é ter um palanque forte em Minas para Flávio Bolsonaro. Mesmo sendo próximo do governador Romeu Zema, esse deve ser o caminho. Mas, se o partido de Bolsonaro não tiver candidatura própria em terras mineiras, a alternativa seria Cleitinho que já declarou apoio a Flávio Bolsonaro, ou aceitaria ser vice de Simões? Cenário muito conturbado ainda. Na outra possível via, Falcão admitiu conversas com o senador e sinalizou a possibilidade de uma aliança, como eventual vice na chapa para disputar o Palácio Tiradentes. O presidente da AMM é enfático ao afirmar o peso eleitoral de Cleitinho, que hoje lidera todas as pesquisas. Como pode se ver, no momento, todas estas "costuras" são viáveis e possíveis.
Segundas intenções
Ainda dentro dos "arranjos" pensando em outubro, a aproximação de Flávio Bolsonaro, não é a única estratégia de Romeu Zema "aos 46" do segundo tempo. Ele, que fica no cargo só até este mês, anunciou, nesta segunda-feira, 2, um reajuste salarial de 5,4% para todos os servidores de Minas Gerais. Revelou que os projetos de recomposição salarial serão enviados à Assembleia Legislativa (ALMG) nos próximos dias. Conforme o governador, o percentual de reajuste também permitirá a garantia do pagamento do piso do magistério definido pelo governo federal. O anúncio tático, vem em um momento propício para as intenções de Zema e deve agradar algumas categorias, que vem cobrando o aumento há muito tempo, exceto a segurança pública, sem a recomposição prometida desde o primeiro mandato do governador, e que enxerga a decisão tão tardia, como "eleitoreira".
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