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Adriana Ferreira

À custa de quem?

Por Bruno
À custa de quem?

Neste mês em que a atenção se volta para a prevenção do câncer de mama, por meio da campanha “Outubro Rosa”, a coluna trará um pouco sobre a ginecologia moderna e como os avanços que temos foram à custa de outras mulheres. James Marion Sims, nascido nos EUA no séc. 19, foi um importante cirurgião que criou ferramentas e procedimentos de valor inestimável, sendo considerado por isso o Pai da Ginecologia Moderna. Dentre suas várias criações, destaca-se o espéculo, também conhecido como bico de pato, aparelho que permite examinar o interior do canal vaginal. Devido às suas muitas conquistas profissionais, chegou a ser nomeado como o presidente da Associação Médica Americana em 1876, e se tornou presidente da Sociedade Americana de Ginecologia. Recebeu também o título de Pai da Ginecologia Moderna e pelo menos seis estátuas em sua homenagem foram espalhadas pelos EUA, uma delas se encontrava no Central Park em Nova Iorque. Mas o mérito é só dele? E as cobaias humanas que possibilitaram suas pesquisas? Sequer mencionadas na maioria dos cursos de Medicina.

Como funcionava

Àquela época, era prática que médicos fossem até os donos de escravizados e pedissem aos que estivessem doentes ou debilitados para que eles tentassem restaurar sua saúde. Os médicos buscavam cobaias humanas, e senhores de escravos tinham interesse que voltassem a produzir. Com a proibição do comércio transatlântico, o útero das mulheres escravizadas passou a ser o motor da escravidão, responsável pela produção de mão de obra. Quanto a Sims, ele mesmo registrou em seus diários que as primeiras mulheres que teriam sido submetidas ao seu bisturi chamavam-se Lucy, Anarcha e Betsey, mães escravizadas que, após passarem por longos trabalhos de parto (no caso de Anarcha, grávida aos 17 anos, o episódio teria supostamente chegado a durar 72 horas), desenvolveram fístulas vesicovaginais. Graças ao sofrimento das três mulheres, que foram submetidas a três anos de procedimentos cirúrgicos sem anestesia, Sims se tornaria um dos cirurgiões mais recomendados nos EUA para resolver a condição.

Aperfeiçoamento

Em entrevista à rádio NPR, a pesquisadora Vanessa Northington Gamble, especialista de humanidades médicas da Universidade de George Washington, localizada nos Estados Unidos, disse o seguinte: “Ele não foi bem-sucedido no início. E é por isso que essas cirurgias [em Lucy, Anarcha e Betsy] duraram de 1846 até 1849. Então,  após 30 operações em uma das mulheres, ele finalmente foi capaz de terminar de aperfeiçoar sua técnica”. As trinta cirurgias foram realizadas somente em Anarcha, a grávida de dezessete anos. E sem anestesia. Absurdamente, Sims registrou que as mulheres escravizadas queriam ser curadas de suas fístulas vesicovaginais (lembrando que eram por ele provocadas) e, para isso, estavam dispostas a se submeter às operações pioneiras, sem anestesia. Pasme! Ele ainda tem defensores. Sobre Anarcha, o próprio Sims escreveu: "Com exceção da morte, este foi o pior acidente que poderia ter acontecido com a pobre jovem." Suas próprias palavras não amoleceram seu coração.

Movimento ‘Mães da Ginecologia’

Em 2018, após votação unânime da Comissão de Design Público da cidade, a estátua de J. Marion Sims foi removida do Central Park, em Nova York. Não foi por questão estética e sim pela violência obstetrícia cometida por Sims em mulheres negras escravizadas. Com as críticas ao médico, surgiu o movimento Mães da Ginecologia, em homenagem a Anarcha, Lucy e Betsey. Em 2021 em Montgomery, Alabama, foi inaugurado o Monumento às Mães da Ginecologia, de autoria da artista Michelle Browder,  perto do Memorial Nacional pela Paz e Justiça e também do antigo consultório do médico, onde sofreram as impiedades. As estátuas foram feitas de objetos de metal descartados - a artista pediu contribuições do público - "para simbolizar como as mulheres negras foram tratadas e para demonstrar a beleza do que é quebrado e descartado". Browder disse ao San Francisco Chronicle: "Se você já fez um exame de Papanicolau , você tem que agradecer a Anarcha, Lucy e Betsey." 

E no Brasil?

As mulheres escravizadas no Brasil também foram submetidas a testes médicos, especialmente ginecológicos, experimentos com outros pacientes e outros tipos de pesquisas. Os médicos naquela época, tal qual nos EUA, acreditavam que havia maior tolerância à dor. A colunista, descendente de mulheres escravizadas, faz aqui uma homenagem a todas essas mulheres que não eram donas de seu destino e que foram submetidas a tanto. Ficam registrados o respeito, a admiração e a reverência.  Cuide-se! Previna-se! Honre quem deu a própria vida!

Absurdo!

Que a secretária municipal de Educação, Andrea Dimas, além de competente é uma dama de fino trato, isso não é segredo para ninguém.  Entretanto, membros do segundo escalão, a saber, a gerente de planejamento de recursos humanos (isso mesmo!) Iracema Silva Sousa, a diretora de educação (pasmem!)  Jordania Freitas Bueno, e o coordenador de recursos humanos,    Eduardo Christian Paulino de Souza abusam da autoridade que lhes foi conferida. O mais absurdo é que agem como se blindados fossem. Nada mais fazem do que prestar desserviços. Eles confundem autoridade com autoritarismo.  As atas que chegaram à colunista e o fato que levou ao ato de desagravo demonstram claramente  isso. Eles não  se acham, têm certeza. 

Dia do Prefeito

Na última segunda-feira,  completou um ano da vitória esmagadora de Gleidson (Novo) e Janete (Avante) e nessa  mesma data  comemora-se o dia do prefeito. O grupo “Gleidsonlindas", também conhecido por Gleidsonetes, homenageou o prefeito e a vice com duas belas placas. Na de Gleidson, a advogada Sonia Figueiredo registrou:   “... Assim, com disposição, transparência, serviço e competência, junto da sua vice,  e apta colaboradora, Janete Aparecida, deram à nossa Divinópolis, um expressivo  e considerável desenvolvimento em várias áreas, razão  de ter sido reconhecida e  qualificada como uma das dez mais importantes cidades do  estado. Obrigada, prefeito  Gleidson Azevedo. Parabéns pelo seu dia, e por sua bela e grandiosa  missão cumprida. Seu nome já faz parte da nossa história!”.

E a nossa vice

E aplaudindo Janete, a advogada Zenídia Fraga exaltou:  “Um vice-prefeito raramente é reconhecido ou lembrado pelo seu trabalho. Por isso, querida Janete, este dia de hoje para nós é também para homenageá-la, pela mulher gestora que você é, batalhadora, incansável, ousada e atirada às obras que a cidade demanda e pede. Não há um metro de Divinópolis que por lá não tenha pisado seus pés de guerreira. E se essa gestão é sucesso, forçoso reconhecer em Gleidson com a inseparável Janete   uma unidade de força para trazer o melhor e o possível para Divinópolis.” Aplausos de pé para nosso prefeito, nossa vice-prefeita e as “Gleidsonlindas”/”Gleidsonetes”! O sol toma aulas com vocês sobre como brilhar de verdade.

Anistia já!

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