O campo pede socorro

A coordenadora do Programa Integrado em Saúde Ambiental e do Trabalhador da UFBA, professora Vilma Santana, disse ao Repórter SUS, programa produzido em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz), que o autoextermínio de homens na agricultura é maior que em outras profissões e vem aumentando ano a ano, embora não seja um caso isolado no país. “Mulheres agropecuárias têm maior mortalidade por suicídio — esta mortalidade vem crescendo entre 2007 e 2015 – enquanto o número de mulheres de outras atividades de trabalho não demonstrou nenhuma elevação. Entre os homens, os agropecuários têm maior mortalidade do que os não agropecuários”. Foram registrados 77.373 suicídios no país, entre 2007 e 2015. A mortalidade envolvendo trabalhadores da agropecuária foi estimada em 16,6 x 100.000 em 2007, aumentou para 18,6 em 2011 e saltou 20,5 em 2015. Isso representa o dobro da média nacional em cada ano. Em comparação, trabalhadores da indústria tiveram 10,8, 11,8 e 14,2 x 100.000 em cada ano, valores mais próximos das estimativas nacionais, com cerca de 20% de diferença. “É a expressão do genocídio do agronegócio”, afirma a médica Raquel Rigotto, professora e pesquisadora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenadora do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde. Verifica-se que o número representa o dobro da média de suicídios para os trabalhadores em geral. Fatores como baixa renda, instabilidade no emprego, pressão por produtividade, o acesso limitado à educação e saúde são algumas das hipóteses causadoras de maior risco de suicídios entre os trabalhadores da agropecuária.
Sem o homem do campo, acha que dá?
Claro que não se trata de desfazer das outras profissões, mas nenhuma profissão é tão necessária quanto à do homem do campo. Todo e qualquer ser humano precisa dele no mínimo quatro vezes ao dia. E mais: no Brasil é difícil alguém dizer que não tem entre seus ancestrais homens do campo. Esta colunista é nascida na roça (a querida Comunidade de São José dos Rosas do Município de Santo Antônio do Monte), caipira com orgulho, e é filha, neta e bisneta de homens e mulheres do campo e os que vieram antes deles também. Já passou da hora de valorizar o agricultor, o pecuarista. Se as abelhas desaparecessem, a humanidade sobreviveria quatro anos. E se desaparecer o homem do campo? Quanto tempo sobreviveríamos? O homem do campo alimenta a humanidade e está implorando para sobreviver. Mais que números em planilhas, agricultores são vidas que garantem as demais vidas.
População em situação de rua
O assunto foi trazido à tona pelo vereador Matheus Dias (Novo) que já viveu tal situação e deve ser considerado um vencedor e seu trabalho no acolhimento de pessoas vulneráveis merece destaque. Pois bem, segundo o vereador, cidades vizinhas estariam trazendo seus cidadãos em situação de vulnerabilidade social para Divinópolis e “despejando-os” aqui, como se não tratassem de pessoas e, sim, de coisas sem utilidade. No falível sentir da colunista que também veio de fora em busca de oportunidades, o problema não está em vir para esta terra de forasteiros, se essa é a escolha. Se procurou o serviço assistencial de sua cidade e pediu ajuda para vir para Divinópolis ou para onde quer que seja neste país continental, em busca de oportunidades, seu direito deve ser respeitado, afinal o direito de ir e vir é constitucionalmente garantido. A questão é que se tratar de uma “estratégia” para expulsar, eliminar ou esconder pessoas em situação de rua demonstra que estão preferindo jogar o problema no quintal dos outros a criar políticas públicas para resolvê-los.
Inumanidade
A fala do pastor Wilson Botelho durante a reunião da Comissão de Justiça, Legislação e Redação voltada ao debate sobre pessoas em situação de rua, realizada na Câmara, demonstrou sua falta de urbanidade, humanidade, sensibilidade e, sobretudo, descompromisso como cidadão e como homem de Deus que alega ser. Ao fazer suas expulsões, negou o próprio Jesus Cristo a quem diz seguir. Fica registrado o repúdio da coluna.
Vitor Costa
O vereador do PT não economizou ataques à secretária de Assistência Social, Juliana Coelho. Há que se ressaltar que a fala dela durou mais de 11 minutos, mas o vereador, visando a fazer palanque em cima da secretária, e do atual governo municipal, parecendo ignorar que a população em situação de rua aumentou consideravelmente no atual governo que defende com unhas e dentes, usou somente uma parte do vídeo e fora do contexto. Eis o vídeo sem cortes https://drive.google.com/file/d/1Su8fqkI4xZUvYJjWlTpM3iUsip-anHr4/view?usp=sharing. Salve, Salve Juliana Coelho e equipe!
Crise é coisa de bolsonarista?
Em um grupo predominantemente de esquerda, alguém disse que não há crise, que bares, restaurantes, hotéis estão lotados e que a crise existe somente na cabeça dos direitistas. Se no primeiro governo Lula (PT) ele ensinou sobre o enriquecimento pelo endividamento, neste mandato é enriquecimento pelo superendividamento. Segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), a inadimplência tem crescido no Brasil, atingindo o maior nível desde setembro de 2023, em agosto de 2025. A proporção de consumidores com contas em atraso subiu de 30,0% em julho para 30,4% em agosto, maior nível de inadimplência da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), iniciada em janeiro de 2010. Há um ano, em agosto de 2024, a proporção de famílias inadimplentes era de 28,8%. Em relação às empresas, a realidade não é diferente. São mais de 7,3 milhões de empresas que juntas devem mais de R$ 170 bilhões. Mas para os adoradores de Lula, a crise é coisa de bolsonarista.
Competência de foro
Dispõe o inciso IV do artigo 109 da Constituição Federal: “Artigo 109 – Aos juízes federais compete processar e julgar: [...] IV – os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;[...]. Se o acusado não tem prerrogativa de foro, a competência não é do tribunal superior. Em se tratando dos acusados de 08/01/2023, os casos deveriam estar na Justiça Federal e jamais no STF, até porque a Constituição Federal dispõe sobre a ampla defesa que não existe no STF em que, na hipótese de condenação, o acusado só dispõe dos embargos declaratórios e dos embargos infringentes, quando cabíveis, sendo-lhe subtraída a infinidade de recursos existentes no ordenamento jurídico penal brasileiro. Por isso, a importância da competência de foro. Dá-lhes Fux!
Anistia já!
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