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Dr. Alberto Gigante

A maior das virtudes do ser humano

Por Bruno
A maior das virtudes do ser humano

A história mostra que a filosofia sempre dedicou uma atenção especial para o debate deste tema. Desde o início com Sócrates, na Grécia antiga, passando pela idade média e a contemporaneidade, é grande o número de importantes filósofos que pautaram as virtudes em suas agendas. No entanto, não existe consenso de quantas são e nem de qual é a maior virtude do ser humano.

Para Aristóteles, a virtude decTomás de Aquino, colhendo reflexões contidas em seu livroorre de uma prática diária, já que não é fruto do estudo ou algo que nascemos com ela. Faz parte de uma experiência do cotidiano, quando colocamos a “reta razão prática ao agir” em favor do bem, como vontade pensada e escolhida. O ser virtuoso é aquele que consegue fazer disto um hábito para toda a vida e será neste caminho que encontrará a felicidade desejada.  

Neste artigo vamos falar de  “A Prudência”, extraído de sua obra maior “Suma Teológica” (escrita entre 1265 e 1274). Para ele, a maior das virtudes é a Prudência e ela comporta três atos: “o primeiro é aconselhar, pois aconselhar é inquirir; o segundo ato é julgar, avaliar o que descobriu, e este é um ato da razão especulativa. Mas a razão prática, que se volta para o agir, vai mais além no terceiro ato, que é comandar: aplicar ao agir o que foi aconselhado e julgado.”

Tomás lembra que aconselhar aqui não se resume em distribuir conselhos, mas e principalmente aconselhar-se a si próprio. Depois de julgar, buscando a certeza de que sua investigação encontrou a verdade pretendida. E, por fim, agir. Pois, “de nada adianta saber o que é bom se não há a decisão de realizar esse bem”.

Jean Lauand - professor titular sênior da Faculdade de Educação da USP, tradutor e autor da introdução de uma das edições da mencionada obra de Tomás de Aquino, alerta que com o passar do tempo mudaram o sentido dado pelo filósofo. “Prudência já não designa a grande virtude, mas sim a conhecida cautela (um tanto oportunista, ambígua e egoísta) ao tomar (ou ao não tomar...) decisões.”

Lauand cita Tomás lembrando que “a prudência é a arte de decidir corretamente, isto é, com base não em interesses oportunistas, não em sentimentos piegas, não em impulsos, não em temores, não em preconceitos etc., mas, unicamente, com base na realidade, em virtude do límpido conhecimento do ser.” 

Sejamos prudentes, não nos envolvamos. Será difícil encontrar alguém que nunca ouviu esta frase. Talvez por isso, marcam-se tantas reuniões ou instituem-se tantas comissões que nunca chegam a conclusão alguma. E entre estes, muitos se queixam da falta de liberdade, mas abdicam dela quando têm a oportunidade de praticar o livre arbítrio. Fora aqueles que, maliciosamente, agem assim para manter o status que tanto lhes beneficiam.

Outros se dizem prudentes e ficam imóveis, se esquecendo que o cavalo arreado procura um cavaleiro e se você não se dispõe ele vai procurar quem queira. É assim que muitos acabam frustrados assistindo o sucesso daqueles que ousaram. Tomás afirmava que “a prudência é necessariamente corajosa e justa”. Decisões impõem responsabilidades para todos nós. Mas só quem arrisca, ciente da realidade e após uma reflexão acurada, petisca e usufrui do almejado. E quem não decide acaba transferindo a decisão para outro e isto é sempre perigoso.

É possível que você não concorde com Tomás de Aquino. Porém, se achou interessante,  acompanhe a nossa coluna aqui no Jornal Agora. Sempre nas 3ªs feiras, a cada 2 semanas. 

Alberto Gigante Quadros

  Médico / pós-graduado em Bioética pela Unesco

Graduando em Filosofia pela UFSJ gigantequadros@gmail.com

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