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Dr. Alberto Gigante

A filosofia de Jesus de Nazaré

Por Bruno
A filosofia de Jesus de Nazaré

Jesus de Nazaré percorreu os caminhos da Palestina semeando ideias que iriam moldar os costumes dos humanos por milênios. Também na filosofia suas palavras tiveram uma enorme influência, apesar dos desgastes decorrentes do comportamento de muitos de seus representantes que não honraram os seus ensinamentos. E que influência é esta?

Antes de Jesus, na Grécia antiga – o berço da filosofia, a sociedade era dividida em três castas. Aqueles a quem a natureza presenteou com a capacidade da reflexão e assim se tornavam mais sábios, seriam os governantes (magistrados). Os que nasciam com a força e a habilidade para a luta, seriam os guardiões (militares). Aos da terceira casta, restou a responsabilidade pelo trabalho (comerciantes, artesãos e lavradores). Assim está escrito na maior obra de Platão - seu livro A República. Aos primeiros realçava a virtude da sabedoria, aos segundos a coragem e aos trabalhadores a temperança. 

Platão também explicou que essa regra deveria ser respeitada, pois era a maneira de melhor organizar a sociedade. Já que a natureza definiu assim, cada pessoa deveria dedicar com fervor à sua habilidade, procurando torná-la um ofício de excelência. Esta era a forma de praticar o bem e assim tornar-se-iam virtuosos. E Platão concluiu “... por isso, acima de tudo e principalmente, o deus ordena aos magistrados que zelem atentamente pelas crianças, ... e que sejam impiedosos para com eles e lhes reservem o tipo de honra devida à natureza, relegando-os para a classe dos artesãos e lavradores (quando for o caso).” 

Praticar o bem e ser virtuoso para Jesus nada tem a ver com aptidão natural e nem depende do berço onde cada um nasceu. Para ele, todos nascemos iguais, temos os mesmos direitos e capacidades. A virtude é consequência da escolha por atitudes bondosas e somos livres para definir entre o bem e o mal. 

Com este juízo, Jesus vai dar um novo rumo ao pensamento filosófico. Já que somos iguais, temos os mesmos direitos e desfrutamos da liberdade, moral e ética assumem um novo sentido. A liberdade de escolha carrega consigo o senso de responsabilidade e este será o novo parâmetro para a boa moral. Esta pauta está presente até hoje.

Há exatos 801 anos São Francisco de Assis construiu na Itália o primeiro presépio, revivendo o nascimento do Menino Jesus. Desde então, sempre na época do Natal, a Igreja Católica pede aos seus fieis que montem o presépio e renovem o compromisso com os ensinamentos de Jesus. Esta tradição venceu os séculos e perdura até hoje. Porém, infelizmente, é notório que o Menino Jesus, nas celebrações do Natal, vem perdendo terreno para outro personagem. Nada contra o Papai Noel, até porque ele precisa trabalhar. Mas convenhamos, a mensagem de Jesus é muito mais fecunda que o hohoho e o merry christmas do bom velhinho. 

Se nascemos iguais, então somos irmãos; se somos irmãos, precisamos cultuar o respeito e o amor para com os outros. “Amarás o teu próximo com a ti mesmo” (Mateus 22:39), esta é a filosofia de Jesus de Nazaré. Assim, precisamos perguntar: por que será que a cada ano diminuem os presépios e aumentam as imagens de Papai Noel? Isto te preocupa ou a filosofia não tem que palpitar neste assunto? 

Se achou interessante, acompanhe a nossa coluna aqui no Jornal Agora. Sempre nas 3ªs feiras, a cada 2 semanas. 

Alberto Gigante Quadros

Médico / Pós-graduado em Bioética pela Unesco 

Graduando em Filosofia pela UFSJ

gigantequadros@gmail.com

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