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Dr. Alberto Gigante

O perigo nos ronda

Por Bruno
O perigo nos ronda

Em vários momentos da história da humanidade pessoas tiveram as suas casas invadidas, feitas prisioneiras e submetidas a todos os tipos de bárbaras atrocidades. Nunca saberemos quantos perderam a vida, porém, com certeza, podemos afirmar que a maioria era inocente. Aqueles que assistiram ao filme “Ainda estou aqui” sabem do que estou falando. Aos que ainda não assistiram, recomendo assistir.

Em 1948, após a II Guerra Mundial, a Organização das Nações Unidas aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Em seu artigo XII está escrito: “Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra interferências ou ataques.” Este documento foi assinado por 193 países e representou uma repulsa ao comportamento de Hitler e seus aliados que, de forma desumana e ilegal, ceifaram a vida de mais de 12 milhões de inocentes. Este artigo XII da DUDH trata do respeito à privacidade, que novamente encontra-se ameaçado.

Com o advento da internet e o surgimento das plataformas da rede social o mundo mudou de figura. As pessoas começaram a compartilhar informações e o sistema consegue armazenar todas elas. Não só consegue, mas investe muito nessa possibilidade. A prova disto é que quando pesquisamos alguma coisa na internet de imediato passamos a receber propagandas sobre aquilo. Quem nunca recebeu um telefonema de um banco oferecendo empréstimo, sem nunca ter fornecido o número do celular para ele? De maneira desrespeitosa, invadem a nossa privacidade e tentam extorquir-nos de alguma forma. E não adianta bloquear, pois arrumam outro jeito de continuar aborrecendo. E o que é pior: temos a nossa culpa nesta jogada.

Estamos cuidando pouco da nossa privacidade. Alguns até facilitam, repassando todo tipo de informação quando usam a internet.  Repassam dados pessoais, números de documentos, email e até identificação bancária. Estes são presas fáceis para todo tipo de golpe. Quantos se sentiram atraídos por falsas ofertas que se transformaram em prejuízos impagáveis? 

E a quem estamos confiando todas as informações que repassamos pela rede social da internet? Vamos lá: Elon Musk, o homem mais rico do mundo. Dono da X (antigo Twitter), que teve sua rede suspensa no Brasil após tratar as informações recebidas de forma inverídica e ilegal. Será ministro e parceiro de Donald Trump - futuro presidente dos Estados Unidos - que prometeu anexar (invadir?) o Canadá, a Groelândia e o Canal do Panamá. Mark Zuckerberg, o bilionário dono do Facebook, do Threads e do Instagram. Joga no mesmo time e recentemente adotou medidas em suas plataformas facilitando o discurso de ódio, favorecendo a discórdia política e a perseguição às minorias sociais. Será que é prudente repassar informações pessoais a gente assim?    

Apesar de no Brasil ser proibido “divulgar, fornecer ou dar acesso a dados pessoais de terceiros, sem autorização ou sem fins lícitos”, precisamos ter muito cuidado, pois esta é uma lei que a rede de internet não está respeitando. 

Se achou interessante, acompanhe a nossa coluna aqui no Jornal Agora. Sempre nas 3ªs feiras, a cada 2 semanas. 

Alberto Gigante Quadros

 Médico / Pós graduado em Bioética pela UNESCO 

Graduando em Filosofia pela UFSJ

gigantequadros@gmail.com    

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