A Serva do Senhor

Augusto Fidelis
No próximo domingo, 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida será festejada em todo o Brasil, particularmente em Divinópolis. Durante os últimos vinte séculos, Maria tem recebido muitos títulos, todos dados carinhosamente pelo povo, à medida em que ela intercede diante do trono celeste por aqueles que a invocam. Quando os pescadores encontraram sua imagem no Rio Paraíba, logo notaram que se tratava da imagem de Nossa Senhora da Conceição. No entanto, as pessoas que iam ao seu encontro a chamavam de Aparecida, isto é, a imagem que apareceu no rio.
Honrar a Maria não significa em hipótese alguma colocá-la no lugar que pertence a seu Filho; mas, em sã consciência, ninguém pode desmerecê-la, pois, entre todas as mulheres, foi escolhida para ser a mãe do Salvador. Durante nove meses o carregou em seu ventre; Cristo é sangue do seu sangue, é carne da sua carne. Enviado pelo Altíssimo, foi o arcanjo Gabriel quem disse: “Ave cheia de graça, o senhor é contigo”. Ao final da saudação e de ter feito os questionamentos a que tinha direito, assumiu a responsabilidade: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra”.
Ciente do seu papel, quando da sua visita à prima Isabel, Maria mesma profetizara: “Doravante todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo” (Lc.1,48-49). Nenhum homem ou mulher pode se proclamar como servo do Senhor se não se espelhar em Maria. Como mãe, foi mestra do Salvador, mas esvaziou-se dessa condição para ser sua primeira discípula. “Meu pai, minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põe em prática”, disse Jesus. Maria concebeu e deu à luz a Palavra encarnada.
A Bíblia registra sua presença aos pés da cruz e o povo lhe dera o título, nessa condição, de Nossa Senhora das Dores. Quando recebeu em seus braços o filho sem vida, foi invocada como Nossa Senhora da Piedade. “Fazei tudo o que ele lhes disser” recomendou a mãe zelosa aos empregados do noivo que ficara sem vinho na festa de casamento, em Caná da Galileia. Como resultado, os convivas se deliciaram com um vinho de qualidade superior, não degustado antes. Os pedidos feitos à mãe, comprovadamente são atendidos pelo Filho.
“Jamais se ouviu dizer que fosse por vós desamparado quem tenha recorrido à vossa proteção e implorado o vosso valimento”, conclamou São Bernardo. Então, as milhares de pessoas que estarão no Bairro Bom Pastor na festa da Padroeira, rezando e cantando as suas virtudes, é uma questão de justiça. Aquela que disse sim ao todo Poderoso, e aceitou fazer parte do seu projeto de salvação, merece todo respeito e carinho dos cristãos.
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