Além dos números

Divinópolis terminou a eleição com um resultado que merece ser analisado para além dos números das urnas. A cidade elegeu um senador, quatro deputados federais, um deputado estadual e, pela primeira vez em sua história, o governador de Minas Gerais. É uma representação política inédita e que coloca Divinópolis diante de uma oportunidade igualmente histórica. A questão agora é o que será feito com essa força. Durante décadas, Divinópolis construiu a imagem de principal polo do Centro-Oeste mineiro. A antiga “Princesinha do Oeste” cresceu, tornou-se referência em comércio, saúde, educação, serviços e indústria e passou a atender uma extensa região. Mas, nos últimos anos, esse protagonismo não foi acompanhado, na mesma proporção, por grandes investimentos estaduais. Um exemplo emblemático é o Hospital Regional. Uma obra aguardada por anos e fundamental para toda a região, cuja conclusão só foi possível graças aos recursos provenientes do acordo relacionado à tragédia de Brumadinho. Não se trata de diminuir a importância da obra, mas de reconhecer que Divinópolis precisa de uma política permanente de investimentos, e não depender de recursos extraordinários para viabilizar projetos estruturantes. O resultado nas urnas mostra que isso é possível. Vai depender dos escolhidos, da articulação e boa vontade.
Em resultados
A nova configuração política formada na cidade, como descrito acima, muda esse cenário. Com representantes em diferentes esferas de poder, o Município passa a ter condições concretas de reivindicar investimentos, obras, infraestrutura, saúde, educação, segurança e geração de empregos. A eleição entregou à cidade uma responsabilidade: transformar representatividade em resultados. Se souber aproveitar esse momento, Divinópolis pode recuperar o protagonismo regional que já exerceu e consolidar-se como a verdadeira Capital do Interior de Minas Gerais. A população fez sua parte nas urnas. Agora, cabe aos eleitos mostrar que essa força política também pode significar força para transformar a cidade.
As vilãs?
Consideradas vilãs, por não terem acertado o resultado da votação para presidente da República, e diferença em outros cargos, as pesquisas voltaram com tudo. A primeira rodada de intenção de voto após o primeiro turno, que terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Lula (PT), será divulgada ainda nesta semana. No primeiro turno, o candidato bolsonarista teve 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do petista. As estatísticas um dia antes dos eleitores irem às urnas, apontavam um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas com vitória numérica de Lula. O erro recebeu críticas e comentários de descrença nos institutos. O júri das redes sociais não perdoa.
Conteúdo falso
Por falar em evolução tecnológica, onde as redes sociais estão inseridas, mais uma atuação criminosa nestas eleições. Sobre a prática, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, concedeu 24 horas à Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, para que explique como pode identificar e limitar a disseminação de conteúdos falsos referentes às eleições. A determinação ocorre em resposta a uma ação sobre um áudio que, antes do primeiro turno, afirmava falsamente que eleitores Lula (PT) deveriam votar em 11 de outubro, data bem diferente da oficial. A mensagem falsa, que circulou em grupos de WhatsApp antes do primeiro turno das eleições, afirmava que o TSE havia alterado o calendário eleitoral. Segundo o áudio, eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) votariam no domingo,4, enquanto os de Lula votariam no fim de semana seguinte. O ministro classificou o conteúdo como objetivamente falso e potencialmente capaz de comprometer a integridade do processo eleitoral, uma vez que induzia eleitores a não comparecerem às urnas no dia correto. Isso é fato. Agora resta saber se as providências serão tomadas de acordo com a gravidade. Não, por acaso, 32 milhões de brasileiros deixaram de votar no domingo. Um dos maiores números dos últimos anos.
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