De praxe

Críticas, acusações e confrontos diretos. Trocas de gentilezas que praticamente resumem o último debate entre os candidatos ao Governo de Minas, realizado pela TV Globo na noite de terça-feira. De praxe de acontecer. No centro dos atritos, Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB), Mateus Simões (PSD) e Patrus Ananias (PT). Os cinco mais bem colocados nas pesquisas de intenções de votos. O encontro abordou temas sempre presentes e pertinentes, sempre que o postulante é entrevistado, como dívida estadual, segurança pública, feminicídio, economia, infraestrutura e a saúde. O embate mais tenso envolveu Cleitinho e Mateus Simões. O que era esperado, visto que o atual governador já havia feito diversas críticas ao senador em oportunidades anteriores. Ele que aparece na liderança das pesquisas recentes, foi questionado sobre segurança pública e emendas parlamentares. Cleitinho reagiu dizendo que “perder faz parte”, enquanto Simões pediu que o adversário se acalmasse. O que rendeu até o final, ao ponto de Cleitinho disparar: "você dorme e acorda pensando em mim, mas eu tenho esposa". Tenso.
Diálogo
Apesar de as propostas terem perdido em alguns momentos para as discussões pessoais e sem sentido, houve momentos interessantes. Um deles, quando Patrus questionou Cleitinho sobre o projeto que pretende implementar caso seja eleito governador. O senador disse que uma das prioridades será reduzir a polarização e manter diálogo com o próximo presidente da República, independentemente do resultado da eleição nacional. Aliás, resposta costumeira de Cleitinho sobre o tema. Na resposta, o petista respondeu defendendo um modelo de desenvolvimento baseado nas diferentes regiões de Minas, com investimentos em educação, saúde, segurança, cultura e desenvolvimento econômico e ambiental. E mesmo que tenham respondido que tenham respondido de forma repetida ou fugido um pouco da temática, pelo menos, foram respeitosos um com o outro.
Importância
Muita gente não gosta e até nem acompanha os debates. Mas, vale ressaltar que eles são muito importantes. Especialmente porque o confronto tete-a- tete, é o único momento em que o candidato não controla a narrativa. Na propaganda ele grava, edita e escolhe o que falar. Já lado a lado com os adversários e falando ao vivo como telespectador, isso é impossível. É possível ver três coisas que a propaganda esconde: Domínio do cargo: não adianta falar "vou melhorar a saúde". No debate perguntam de onde vem o dinheiro, quanto custa, qual lei precisa mudar. Quem não estudou como a máquina gira, por exemplo, tropeça. Se o candidato perde a cabeça, como Mateus Simões tem feito com provocações ao vivo, o eleitor projeta como ele vai agir numa crise real. Além disso, fica muito mais fácil perceber quem está repetindo slogan e os que têm boas propostas ou fogem das respostas. Uma ótima oportunidade, em especial, para os indecisos.
Quebra da bolha
O fato de a maior parte do eleitor ver só o recorte do seu candidato no WhatsApp e no Instagram. Por outro lado, o debate, mesmo que pouca gente assista ao vivo, gera o corte que fura a bolha: a gafe, a resposta sobre corrupção, o momento em que o candidato precisa explicar ou se defender de alguma acusação. É aí que o eleitor indeciso, que normalmente anularia, decide. Por isso mesmo candidatos que lideram pesquisas evitam debate: o risco de perder voto é maior que a chance de ganhar. Será esse o motivo que Lula (PT) não vai ao debate da Globo nesta quinta? E candidatos que estão atrás precisam da discussão: é a única chance de graça, com audiência grande, para mostrar serviço sem pagar inserção.
‘Onda de ataques’
Pegando gancho na polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, assunto de julgamento nesta quarta-feira, 30, no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Federal (PF) abra inquérito para investigar ataques a imagens e espaços religiosos registrados nos últimos meses em pelo menos sete estados. São citados na ação, episódios em Minas, na Bahia, no Paraná, no Rio Grande do Sul, em Alagoas, em Mato Grosso e no Pará. Os relatos, conforme o ministro, indicam uma “aparente onda de ataques” e podem envolver crimes como ultraje a culto, preconceito religioso, injúria por motivo religioso, ameaça, furto, dano, incêndio e violação de domicílio. Simplesmente insano! Onde isso vai parar?
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