Pegando fogo

Difícil saber o que está mais quente nesta semana. O clima entre os candidatos na reta final da campanha eleitoral, ou o calor, beirando os 40° C, quando se mede a temperatura ambiente. Duas situações simplesmente insuportáveis. Postulantes acusando um ao outro — como se fossem santos — berrando nas propagandas gratuitas, ou trocando farpas nos debates. Já no clima, suor pingando, molhando as roupas, e muita gente que detesta, sem dormir à noite. A verdade é que nunca se desejou que uma semana passasse tão rápido. Misericórdia!
'Guerra'
A chuva de acusações acima vem de todos os lados, nas disputas de todos os cargos. Mas, ninguém supera a "guerra declarada" entre os candidatos à Presidência, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), principalmente devido à polarização envolvendo a direita e à esquerda. Nestes últimos dias antes da votação, além da "troca de gentilezas" nos programas gratuitos e entrevistas, os dois intensificaram uma batalha no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) contra adversários. E adivinha: a maioria dos embates travada no maior órgão eleitoral do país, que recebeu ao menos 450 ações envolvendo ambos, diz respeito exatamente aos constantes ataques de um lado e de outro. Posicionamentos lamentáveis que mais enfraquecem o debate do que ajuda o eleitor indeciso. Sem falar que isso é uma forma de fazer política ultrapassada que agrada apenas os "puxa sacos" de plantão. O povo quer ver mesmo são propostas capazes de pelo menos minimizar a situação em que o país se encontra.
Cegueira
Resumindo: as propagandas e apresentações que deveriam servir de inspiração para que muitos que já desistiram de votar há anos, acabam se tornando negativas e desanimando ainda mais. Sem falar que são atitudes vetadas pela Justiça Eleitoral. Se pelo menos os "cegos" para um lado e para o outro, conseguissem enxergar uma terceira via capaz de sair dessas suas preferências ridículas - esquerda/direita - talvez, a coisa caminhasse para outro caminho. E não é por falta de opção, nestas eleições tem no mínimo, duas alternativas, é doença mesmo. E o pior: incurável.
Fechadura
O eleito tem a chave, mas o Legislativo tem a fechadura. Isso mesmo. É a definição mais adequada, quando se trata de representantes do Executivo. Presidente, governador e prefeito não podem fazer praticamente nada sozinhos. Se o chefe do Executivo nacional quer criar ministério, aumentar salário mínimo, liberar verba ou mudar imposto, por exemplo, precisa de 257 deputados e 41 senadores. Se a maioria é oposição, ele governa por Medida Provisória e emenda pequena, e não concretiza um grande projeto. No caso do governador não é diferente, são as Assembleias Legislativas que definem, se não tiver maoria na Casa, e pode até travar orçamento, e derruba veto. O prefeito pode prometer "mundos e fundos" mas quem aprova o orçamento é a Câmara de Vereadores. Neste contexto, o Executivo vira refém. Por isso, muitos gestores passam até dois anos negociando, metade do mandato, para conseguir entregar algo. Detalhe: Tudo está previsto na Constituição. E o pior: pergunta se o povo sabe disso. Pelo menos a maioria, certamente, não. Pois, o enrolado, mau gestor e ruim, é sempre quem está sentado na cadeira no Executivo.
Protesto
Como pouca gente sabe realmente como funciona, acontece o ciclo comum nas campanhas. O candidato promete sozinho: mas quando é eleito acorda para realidade, que precisa do Legislativo. Aí vem os acordos. É quando o eleitor desinformado vê o acordo como traição ou "interesses próprios". Frustrado, diz que "todos são iguais" e vota branco/nulo ou no opositor radical para punir o seu. Mas, não entende que o voto útil não é só no Executivo. Quem define se o presidente, governador e prefeito vai conseguir governar é o voto para deputado federal, estadual e vereador. Simples assim!
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