Decisiva

Os candidatos nas Eleições 2026 vão ter que se esforçar um pouco mais na reta final das campanhas para convencer os indecisos ou desinteressados nos rostos que se colocaram à disposição e suas propostas. Até agora, o processo se mostra frio e não conseguiu empolgar como em disputas anteriores. Os grupos que desligavam a TV ou rádio quando começavam as propagandas eleitorais parecem ter triplicado. Os escândalos instalados em Brasília podem ter contribuído para o desânimo geral, mas, com certeza, não são os únicos responsáveis. Parece que, finalmente, o povo está acordando para o que é a política no Brasil e mergulhou na descrença. E, cá para nós, isso é sensacional.
Contra o tempo
Ajustem os cintos, tomem as medidas de segurança e, principalmente, apertem os cadarços das chuteiras. O que não foi feito durante os dois tempos normais do jogo, vão precisar correr contra o tempo na prorrogação. Como domingo não conta, que é o dia da votação, os postulantes a qualquer cargo que seja, têm apenas cinco dias para recuperar o prejuízo. Ao contrário, vão ficar pelo caminho e, desclassificados da competição, que agora é uma espécie de mata-mata, portanto, só na próxima. Além disso, muitos estão na zona da degola — Mateus Simões, que o diga — e, se cair, aí a coisa fica mais feia ainda. Dependendo do cargo que almeja, terá que retroagir e, na próxima, competir duramente para voltar à elite. E, se isso acontece, o "bicho costuma pegar": têm uns que demoram anos. Outros nem voltam. Então, "mãos à obra", aliás, boca, pernas, sola de sapato... Dia 4 bate às portas.
Não muda
Diante de um cenário ainda nebuloso, a preocupação dos candidatos não é só com os adversários, mas com os votos nulos e brancos. E eles têm razão. Os números mostram isso em cada pesquisa divulgada. O aumento não é só por desconhecimento ou preguiça, os constantes escândalos de corrupção — um escárnio na política — e as atuações medíocres dos representantes têm um impacto decisivo. E, quando isso chega às esferas mais altas da Justiça, se torna ainda pior. Muitos eleitores fazem a pergunta: "se até ministro do Supremo é acusado, quem vai julgar de forma justa”? "Se todos os lados estão envolvidos, então meu voto não muda nada". Infelizmente, esta é a realidade, pois o branco/nulo vira um protesto silencioso. Mas, quem perde com isso? Não os que os eleitores acham que estão se vingando, mas toda a sociedade. É isso que precisa ser explicado e, principalmente, evitado.
Vai aumentar
A abstenção é outra situação que preocupa. Diferente do branco e nulo, a pessoa vai à urna, mas anula para fazer questão de afirmar que rejeita todos. Por isso e as outras formas de protestos, os candidatos têm mesmo, razão de "ficar de cabelo em pé". Se, nas eleições de 2022, o Brasil teve quase 5% de brancos e nulos para presidente, por exemplo, nesta, com a tensão atual, institutos projetam que esse número pode subir muito, principalmente entre jovens de 18 a 24 anos e em capitais. Ou seja, uma faixa etária importante e atenta e os locais, onde geralmente, as pessoas acompanham mais de perto os processos, além das informações chegarem mais rápido. Ou seja: 2026 pode ter um dos piores resultados nas votações do país. E talvez, não. Só depende da conscientização dos eleitores. Ainda dá tempo!
Não aprendeu
Ainda. Mas há esperança que muitos brasileiros aprendam a votar. Eles não podem é depender dos próprios políticos, porque, para eles, em sua maioria, o "voto de cabresto" é a melhor opção. Quando não se entende a função de cada representante, qualquer escândalo desanima porque parece que tudo é a mesma coisa. O resultado? Essas pessoas não veem ligação entre o voto dele em 2022, por exemplo, e o aumento da conta de luz ou a falta de remédio no posto no ano passado ou neste. Se elas não enxergam um retorno prático, o escândalo só confirma que "não vale a pena participar". Porém, tem um detalhe que não entendem: branco e nulo não invalidam eleição e não punem políticos. Pela regra eleitoral brasileira, só votos válidos contam. Se 30% votarem branco/nulo, por exemplo, os 70% restantes decidem por todos. Simples assim. Quem anula por revolta acaba deixando, na prática, que a minoria mais engajada escolha por ele. E a pergunta que este PB deixa para reflexão é: Isso é justo?
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