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Preto no Branco

Decisiva 

Por Gisele Souto · Redação· 4 min de leitura
Decisiva 

Os candidatos nas Eleições 2026 vão ter que se esforçar um pouco mais na reta final das campanhas para convencer os indecisos ou desinteressados nos rostos que se colocaram à disposição e suas propostas. Até agora, o processo se mostra frio e não conseguiu empolgar como em disputas anteriores. Os grupos que desligavam a TV ou rádio quando começavam as propagandas eleitorais parecem ter triplicado. Os escândalos instalados em Brasília podem ter contribuído para o desânimo geral, mas, com certeza, não são os únicos responsáveis. Parece que, finalmente, o povo está acordando para o que é a política no Brasil e mergulhou na descrença. E, cá para nós, isso é sensacional. 


Contra o tempo

Ajustem os cintos, tomem as medidas de segurança e, principalmente, apertem os cadarços das chuteiras. O que não foi feito durante os dois tempos normais do jogo, vão precisar correr contra o tempo na prorrogação. Como domingo não conta, que é o dia da votação, os postulantes a qualquer cargo que seja, têm apenas cinco dias para recuperar o prejuízo. Ao contrário, vão ficar pelo caminho e, desclassificados da competição, que agora é uma espécie de mata-mata, portanto, só na próxima. Além disso, muitos estão na zona da degola — Mateus Simões, que o diga — e, se cair, aí a coisa fica mais feia ainda. Dependendo do cargo que almeja, terá que retroagir e, na próxima, competir duramente para voltar à elite. E, se isso acontece, o "bicho costuma pegar": têm uns que demoram anos. Outros nem voltam. Então, "mãos à obra", aliás, boca, pernas, sola de sapato... Dia 4 bate às portas. 


Não muda 

Diante de um cenário ainda nebuloso, a preocupação dos candidatos não é só com os adversários, mas com os votos nulos e brancos. E eles têm razão. Os números mostram isso em cada pesquisa divulgada. O aumento não é só por desconhecimento ou preguiça, os constantes escândalos de corrupção — um escárnio na política — e as atuações medíocres dos representantes têm um impacto decisivo. E, quando isso chega às esferas mais altas da Justiça, se torna ainda pior. Muitos eleitores fazem a pergunta: "se até ministro do Supremo é acusado, quem vai julgar de forma justa”? "Se todos os lados estão envolvidos, então meu voto não muda nada". Infelizmente, esta é a realidade, pois o branco/nulo vira um protesto silencioso. Mas, quem perde com isso? Não os que os eleitores acham que estão se vingando, mas toda a sociedade. É isso que precisa ser explicado e, principalmente, evitado. 


Vai aumentar 

A abstenção é outra situação que preocupa. Diferente do branco e nulo, a pessoa vai à urna, mas anula para fazer questão de afirmar que rejeita todos. Por isso e as outras formas de protestos, os candidatos têm mesmo, razão de "ficar de cabelo em pé". Se, nas eleições de 2022, o Brasil teve quase 5% de brancos e nulos para presidente, por exemplo, nesta, com a tensão atual, institutos projetam que esse número pode subir muito, principalmente entre jovens de 18 a 24 anos e em capitais. Ou seja, uma faixa etária importante e atenta e os locais, onde geralmente, as pessoas acompanham mais de perto os processos, além das informações chegarem mais rápido. Ou seja: 2026 pode ter um dos piores resultados nas votações do país. E talvez, não. Só depende da conscientização dos eleitores. Ainda dá tempo! 


Não aprendeu

Ainda. Mas há esperança que muitos brasileiros aprendam a votar. Eles não podem é depender dos próprios políticos, porque, para eles, em sua maioria, o "voto de cabresto" é a melhor opção. Quando não se entende a função de cada representante, qualquer escândalo desanima porque parece que tudo é a mesma coisa. O resultado? Essas pessoas não veem ligação entre o voto dele em 2022, por exemplo, e o aumento da conta de luz ou a falta de remédio no posto no ano passado ou neste. Se elas não enxergam um retorno prático, o escândalo só confirma que "não vale a pena participar". Porém, tem um detalhe que não entendem: branco e nulo não invalidam eleição e não punem políticos. Pela regra eleitoral brasileira, só votos válidos contam. Se 30% votarem branco/nulo, por exemplo, os 70% restantes decidem por todos. Simples assim. Quem anula por revolta acaba deixando, na prática, que a minoria mais engajada escolha por ele. E a pergunta que este PB deixa para reflexão é: Isso é justo? 


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