Não é por aí

As campanhas eleitorais caminham para o fim. E isso tem trazido um certo desespero para alguns candidatos que partiram para o ataque sem dó nem piedade. É o famoso "vai ou racha". Se não conseguiram crescer pelo meio ideal, que seriam as propostas e projetos, tentam a sorte de outra forma. É o que tem sido visto nas candidaturas ao governo de Minas, principalmente nesta semana. Mateus Simões (PSD) e Gabriel Azevedo (MDB) se aproveitaram das ausências dos demais em debates para "descer o sarrafo", tendo como principais alvos Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Alexandre Kalil (PDT), um líder em todas as pesquisas até o momento, o outro com potencial para chegar ao segundo turno. No entanto, esse não é o melhor caminho. A partir do momento que se parte para o ataque, perde-se todos os argumentos. Na política então, esse tipo de atitude não convence mais. Além disso, a educação, o bom senso e os fundamentos assertivos cabem em qualquer lugar.
Intolerância lastimável
O que se percebe ao presenciar tantos ataques verbais e até físicos é que a democracia brasileira enfrenta, mais uma vez, uma intolerância descabida. Como o que aconteceu com a candidata ao Senado, Marina Silva, em pleno Centro de São Paulo, vítima de uma tentativa de agressão física por parte de um homem. O incidente presenciado por inúmeras pessoas, traz à tona questionamentos de até onde vai a liberdade de expressão, e mostra um clima hostil, em especial, quando se trata de mulheres empoderadas. Quais são as implicações que casos como este carregam em um país ainda extremamente machista para o processo democrático? E para a saúde mental e bem estar de dezenas de mulheres que sofrem este tipo de ato covarde todos os dias? Situação que confirma a urgência de um debate com toda sociedade para se identificar a fronteira entre a liberdade de se expressar, a incitação e a prática da violência.
Consciência coletiva
Dito isso, mesmo a campanha eleitoral caminhando para o fim, o que se espera é que os candidatos possam terminar essa "competição" com o mínimo de respeito e segurança. De forma alguma, a violência não pode ser normalizada como "parte do jogo". Pelo contrário, enlameia a disputa democrática. Episódios como o visto entre dois candidatos ao governo de São Paulo, um do PL e ou do PT, que chegaram às vias de fato, e o ataque a Marina Silva, devem servir, não apenas como manchetes em veículos de comunicação, mas como ponto de reflexão na sociedade. A consciência coletiva precisa acordar para a importância do valor da paz na política e da integridade mental e física daqueles que querem ou dedicam suas vidas a atuar pelo outro em algum cargo. A democracia tão apregoada no país, agradece, e vai muito além disso: exige providências, ações e sensatez.
Escolheram alvo
E por falar em "troca de gentilezas", os candidatos à Presidência, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) definiram Minas Gerais como local da "batalha" na reta final da campanha de primeiro turno nas eleições. O petista escolheu Belo Horizonte para ato na sexta-feira, 2, penúltimo dia para realização de carreatas e caminhadas antes do pleito, no domingo, 4. Já o filho número um do ex-presidente Bolsonaro estará em Governador Valadares e Teófilo Otoni nesta quinta-feira, 24, e não descarta voltar ao estado na mesma semana em que Lula já tem agenda confirmada. Não se trata apenas de disputa acirrada, mas de estratégia, é claro. Ambos têm ciência de que os mineiros podem decidir a eleição, como já fizeram em outros processos. Afinal, trata-se do segundo maior colégio eleitoral do país com preferência praticamente empatada entre PL e PT. De bobo, os dois não tem nada!
É decisivo
Com 16.3 milhões de eleitores, atrás de São Paulo, que tem 34,1 milhões, desde 1945, quem ganha em Minas vence a eleição para o Palácio do Planalto. A única exceção ocorreu em 1950, quando Eduardo Gomes teve mais votos que Getúlio Vargas no Estado, mas foi derrotado pelo rival no resultado nacional. A conta leva em consideração, conforme levantamento feito pelo O TEMPO, o total de 13 disputas no período, todas eleições diretas, ou seja, com voto popular. E Lula sabe bem disso, pois faz parte destes números. Nas três corridas rumo à principal cadeira do Executivo, das quais participou, em 2002, 2006 e 2022, o atual presidente foi eleito, ao vencer todas no território. Já em outras três para o mesmo cargo que perdeu em Minas, em 1989, 1994 e 1998, também foi derrotado para o Planalto. Está aí a explicação da "batalha" voto a voto no Estado.
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