Inelegível e pronto

Não deu certo os embargos de declaração da defesa do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos) contra a decisão que indeferiu sua candidatura à Câmara Federal. O pedido foi rejeitado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). Com a decisão, a Corte manteve o entendimento de que Cunha está inelegível até fevereiro de 2027. Conforme a ação movida pelo Ministério Público Eleitoral, o ex-presidente da Câmara estaria inelegível devido à cassação do seu mandato em 2016, por quebra de decoro parlamentar, o tornando inelegível por oito anos após o fim da legislatura. Que peleja! E pior: esses políticos que cometem esse tipo de irregularidade, têm uma conduta miserável à frente de um cargo que representa o povo, depois ficar insistindo em se livrar das penas impostas. É inacreditável a cara de pau. Ainda querendo dá uma de "bom moço" em Minas. Aqui não!
Nova lei
E apesar de uma nova negativa com todos os argumentos — mais claro do que a luz dia dia —, a defesa do candidato justiça as inúmeras tentativas de reviravolta, à aplicação da nova Lei da Ficha Limpa, aprovada em 2025, quando a legislação passou a contar os oito anos de inelegibilidade a partir da data da cassação, e não mais no fim da legislatura. Assim, Cunha já estaria elegível desde setembro de 2024. Por isso, o ex-presidente da Câmara, não larga o osso. Ele classificou a decisão como absurda e afirmou que vai entrar com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pode até entrar, não custa nada. No entanto, dificilmente o órgão eleitoral vai contra às decisões dos tribunais do Estados em casos assim. É melhor aceitar porque dói menos.
De 'barganha'
Quem acha que essa prática lamentável acabou, está redondamente enganado. Apesar de o voto de "barganha" ter sido muito comum há muitos anos, a prática segue firme e forte. O fato é que muita gente ainda não vota no candidato considerado honesto e preparado, mas no que entrega algo concreto. As trocas são as mais variadas: asfalto, tijolos, ambulância, cesta básica, emenda para sua localidade e cargo para família. Para este tipo de eleitor, o benefício material pesa mais que a notícia de corrupção na Câmara, na Prefeitura, no governo do Estado, no Congresso... Precisa de uma explicação melhor para tanto representante medíocre e corrupto? Por isso que em casos como o citado acima, o político se acha no direito de voltar ao cargo. Quem deveria "bater o pé", não está nem aí.
‘Todos roubam’
Infelizmente é a alegação da maioria que prefere ir pelo caminho de “vender o voto”. Pelo menos é isso que dá para resumir. Dentro desta narrativa, o eleitor pensa "todos roubam, mas pelo menos esse faz". Quando a oposição parece pior ou desconhecida, manter o conhecido, mesmo com escândalo, parece para eles, menos arriscado. Memória curta da punição: como já citado em diversas vezes neste PB, a conclusão é demorada e a impunidade prevalece. Se o político foi acusado mas nunca condenado ou voltou rápido, o eleitor entende que o sistema aceitou. Simples assim.
Por identidade
Conduta, que lamentavelmente, o voto vira parte da identidade. Admitir que "meu" político é corrupto é aceitar que todo grupo errou. É psicologicamente mais fácil minimizar o escândalo, dizer que é perseguição do STF, da imprensa ou da oposição, por exemplo, do que mudar de lado. Além do mais, os “puxa saco” recebem no WhatsApp e no TikTok só a defesa do candidato e o ataque ao adversário. O escândalo chega filtrado como "fake news" ou "eles também fazem pior". Não é cegueira por burrice, é exposição seletiva. No fim, não é que o eleitor não veja o escândalo. Ele vê, mas pesa na balança com o benefício pessoal e com a lealdade ao grupo — e muitas vezes esses dois pesam mais que a ficha limpa. Depois são os primeiros a reclamar quando a coisa não vai bem.
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