Sob tensão

É assim que estão alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), muitos políticos, empresas e, principalmente, toda população brasileira nos últimos dias. Afinal, as denúncias e os pedidos de quebra de sigilo, não param. Situação vista durante todo o fim de semana, até tarde da noite deste domingo, 13. Nos bastidores da Suprema Corte, então, nunca na história estiveram tão agitados e temerosos. Em especial por ser às vésperas da sessão desta terça-feira, 15, quando tudo pode acontecer. Há pelo menos cinco dias, uma sequência de ofícios, despachos e cobranças entre os membros da maior instância de Justiça do país, intensificou a disputa envolvendo o caso das mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, as investigações sobre o Banco Master e a atuação do ministro André Mendonça. Alias, essa foi a gota d 'água para que a crise se implantasse de vez. Isso envolve o acesso dos ministros ao material das investigações sobre o Master, a retirada de sigilo dos processos e a condução das apurações por Mendonça. O que se pode extrair de tudo isso? Quem tem mais culpa no cartório? Por que tudo veio à tona justamente em meio ao processo eleitoral mais importante do Brasil? Quais são os interesses em jogo? São perguntas que o povo desta nação tem direito e precisa saber das respostas.
Prejuízos
A tensão em torno do STF neste caso, é diferente do que já se viu por envolver ao mesmo tempo ministros da Corte, PGR, Polícia Federal e um banco investigado por extrema corrupção, em plena campanha eleitoral. O que significa prejuízos políticos de forma geral. Quando o STF entra no centro da campanha, todo político paga um preço: Base do governo: fica na defensiva, pois precisa explicar por que indicou ou sustentou autoridades citadas nas mensagens do Banco e perde tempo defendendo instituições em vez de apresentar propostas. Já a oposição ganha munição com pedidos de impeachment e CPI, mas também se expõe, já que o próprio nome de Flávio Bolsonaro aparece em trocas de mensagens do caso, segundo a PF. O resultado: Um jogo de "todos acusam todos". Muitos são pressionados a tomar lado, o que racha alianças regionais e trava a articulação no Congresso. Ou seja: pauta legislativa parada e campanha focada na crise do Judiciário, não em benefícios fundamentais para a população, que sempre paga o preço. E salgado, diga-se de passagem.
Desconfiança
Para quem está fora do centro das atenções que é Brasília, o efeito é mais direto ainda: Perda de confiança na Justiça, o que vem ocorrendo e não é de hoje. Acrescido a isso, se o cidadão passa a acreditar que decisão do Supremo pode ser influenciada por contrato de R$ 131,2 milhões ou por relação de escritório de advocacia da família de um dos ministros, e não toma nenhuma providência, a credibilidade de todas as decisões despenca, incluindo as eleitorais. Isso alimenta ainda mais as abstenções e o voto em branco. Além do mais, tem o risco econômico e jurídico, já que envolve suspeita de fraude financeira bilionária. Entre as consequências, se a investigação não for transparente e rápida, gera insegurança no sistema bancário, no investidor e no cliente comum que quer saber se seu dinheiro está seguro. Além do mais, cria precedente perigoso: se vale atacar ou beneficiar o órgão jurídico por interesse político, qualquer decisão futura sobre eleição pode se tornar duvidosa e, consequentemente, comprometer a independência dos poderes.
Reação
Enquanto a crise na Justiça parece não ter fim, as pesquisas para presidente da República têm reflexos. A última, publicada nesta segunda, 14, pela Quaest, mostra o presidente Lula (PT) liderando a simulação de primeiro turno, com 36% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), que marca 31%, e Augusto Cury (Avante), com 7%. Percebe-se que apesar do petista ainda ter vantagem, a diferença está praticamente dentro da margem de erro. O levantamento mostra a redução, quando comparada com os números publicados em 7 de setembro, último. Na estatística, marcava 36%, enquanto o filho mais velho do ex-presidente tinha 29%. O que mostra que daqui para frente, conforme o que vier a público no STF, pode mudar ainda mais esse acirramento entre direita e esquerda.
Protesto
Outra consequência que se apresenta é o aumento de prováveis votos nulos e brancos em outubro. E dentro deste atual cenário, a eleição para o Senado, uma das prioridades, tanto para o PL, quanto para o PT, enfrenta uma dificuldade natural: a não votação. A eleição de senador é a que registra os maiores percentuais entre os que precisam de voto direto no candidato. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde a eleição de 1998, mostram que o percentual de protesto para o Senado foi maior do que o registrado nas disputas para a Presidência da República e os governos dos estados. Acaba sendo uma forma dos eleitores mostrarem seu descontentamento com os seus representantes, apesar de não ser a correta. No entanto, os principais culpados são os próprios políticos, que fazem dos seus cargos uma oportunidade para vantagens próprias, esquecendo-se completamente de quem os colocou lá.
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