‘Capital de Minas’

Divinópolis nunca esteve no foco da política em Minas Gerais como agora, isso é fato. Afinal, não é qualquer cidade que elege em um processo eleitoral tão difícil e concorrido, um governador, um senador e quatro deputados federais. Não por acaso, a imprensa mineira se aportou por aqui neste domingo, 4, desde as primeiras horas da manhã até o final das entrevistas após as apurações. A “Cidade do Divino” passa a ser, a partir de agora, o centro das atenções no Estado e jamais teve a oportunidade de desenvolvimento em todos os sentidos. Pelo menos foi o prometido por todos os eleitos e a população apostou todas suas fichas. Agora é esperar e acreditar que as promessas sejam cumpridas. Se não em sua totalidade, o que não é possível, pelo menos parte. Que os escolhidos façam jus ao nome do título deste tópico. “Capital de Minas”.
De novo
O que sempre acontece nas eleições em Divinópolis, quando se trata de vagas para a Assembleia Legislativa se repetiu em 2026: a quantidade de candidatos sem nenhuma necessidade. O cenário com a ausência de Lohanna França (PV), que buscava uma vaga na Câmara Federal, mostrava claramente, que as chances claras para ocupar uma cadeira na ALMG eram de Eduardo Azevedo (PL) - as urnas confirmaram. Mas, isso não bastou para alguns postulantes pensarem em Divinópolis e seu povo. Cerca de dez, sem contar os paraquedistas, que se somando os votos, não dão a metade dos destinados a Eduardo. O ego novamente falou mais alto e Divinópolis ficará apenas com um representante a nível de Estado. Ou seja: menos força e consequentemente, recursos. Poderia dizer: que sirva de lição, mas infelizmente, a burrice se repete a cada pleito.
Escala 6x1
Nem descansou da correria da campanha eleitoral, curta e cansativa, Cleitinho Azevedo (Republicanos) já pegou a estrada para Brasília. Os senadores foram convocados para votações importantes e pendentes, uma delas, o fim da escala de trabalho 6x1. Defensor ferrenho da aprovação, com afirmações em plenário e nas redes sociais, disse depois de eleito em primeiro turno, que não vai mudar de ideia. Revelou que espera votar na proposta ainda durante o período em que permanecer no Senado. Relembrou ter trabalhado na escala 6x1 e, por isso, considera ter experiência para defender a mudança para o modelo 5x2, com dois dias de folga por semana. Sobre formas de compensar os possíveis impactos da mudança para as empresas, diz que o governo federal precisa encontrar uma forma. Umas das sugestões é a redução de impostos para os empregadores que adotarem a escala. Pode até ser. Mas, em um país que aplica as maiores cobranças do mundo e se “arranca o couro” de empresários da população, é difícil acreditar.
Sem voto garantido
Sobre a votação para presidente, Flávio Bolsonaro (PL) terminou na frente com 47,33% e Lula com 44,81%, o que levou a disputa para o 2º turno. É a primeira vez desde 1989 que quem ficou em segundo no 1º turno pode quebrar a regra de que o líder sempre venceu no final. Isso, se o atual presidente conseguir reverter a vantagem, o que é muito difícil. Além disso, a vitória em Minas Gerais tem grande peso, visto que até hoje, quem ganha em Minas, vence também no país. Se prevalecer estas duas regras, todos já sabem o candidato que ocupará a principal cadeira do Executivo nacional. Aguardemos.
Recado
O que ficou de exemplo é uma espécie de recado: rejeição alta dos dois lados, quase 45% cada, e muito voto volátil. Quem achava que era plebiscito, viu que virou escolha mesmo. Uma constatação importante também é que o escândalo contamina todo mundo, mas não decide sozinho. Grande parte dos políticos ligados ao caso Vorcaro / Banco Master conseguiu se eleger no domingo, enquanto outros foram derrotados. Quando interessa e o fanatismo entra junto, o eleitor consegue separar as coisas. Ou seja: puniu alguns nomes muito expostos, mas votou em outros do mesmo grupo quando avaliou pensando nos seus interesses. Isso significa que o escândalo do Supremo Tribunal Federal (STF) pode até ter pesado, mas não foi suficiente para banir os corruptos e abrir a cabeça de quem passou por lavagem cerebral.
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