"Inquérito do Golpe"

Em meio às novas denúncias de golpe contra o Estado, desta vez envolvendo até mesmo premeditação de assassinatos, a Polícia Federal (PF) concluiu ontem o inquérito que investiga todos os desdobramentos da invasão do 8 de janeiro de 2023. O documento, com mais de 700 páginas, é chamado internamente de "Inquérito do Golpe" e já foi encaminhado ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Além do inquérito que levou à prisão de quatro militares de alta patente do Exército na última terça-feira 19, a investigação abrange também os ataques do ano passado e também conspirações golpistas anteriores, descobertas durante as eleições presidenciais de 2022 e após a derrota de Jair Bolsonaro (PL). O relatório da PF divulgado ontem à tarde indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais 36 pessoas. O grupo foi indiciado pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. Como era previsto, a coisa ganhou outros rumos após a “bomba” que explodiu na última terça-feira. Caso seja julgado e condenado pelos crimes aos quais foi indiciado na investigação sobre o plano de golpe de Estado, o ex-presidente pode pegar até 23 anos de prisão. Aguardemos os próximos capítulos.
Matar o presidente
Os materiais apreendidos durante a operação que revelou plano golpista para matar o presidente Lula (PT) o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda passarão por perícia, por isso está só começando uma nova investida das autoridades responsáveis em busca outros envolvidos. A PF busca a identificação de pelo menos mais quatro suspeitos de integrar a organização. Caso surjam novos nomes, um relatório adicional será elaborado e enviado ao STF para ser anexado ao inquérito principal. Após a entrega do relatório final ao STF, o ministro Alexandre de Moraes avaliará a possibilidade de levantar o sigilo e tornar públicos os documentos e provas reunidos pela Polícia Federal. O material será, então, encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que analisará o trabalho da PF para decidir se apresenta denúncia criminal contra os indiciados. Alguém tem alguma dúvida que haverá a denúncia?
Chefe do MP escolhido
O governador Romeu Zema (Novo) nem esperou o prazo estipulado e anunciou, nesta quarta-feira, 20, feriado, o nome do próximo chefe do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Paulo de Tarso Morais Filho que já atuou em Divinópolis, assume o cargo de procurador-geral de Justiça para o biênio de 2025/2026, sucedendo Jarbas Soares Júnior. Natural de Entre Rios de Minas, na Região Central, Morais Filho tem 57 anos, anos e uma carreira de quase 30 anos dedicada ao MP. Ele ingressou na instituição em 1995 e, atualmente, é promotor do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-MG). Conforme a Secretaria de Estado de Governo (Segov), a nomeação do novo dirigente deve ocorrer nos próximos dias. Falta apenas definir a data da cerimônia de posse. Paulo de Tarso compôs a lista tríplice, formada após votação na última segunda-feira, 18, com os procuradores de Justiça Carlos André Mariani Bittencourt e Marcos Tofani Baer Bahia. Apesar de não ter sido o mais votado da lista, foi favorito de Zema, diferente dos anos anteriores, quando nomeou quem obteve mais votos, o caso de Jarbas Soares Júnior por duas vezes. Nos bastidores, há comentários de que houve pedido da família Aro, que tem ao secretário de Estado de Casa Civil, Marcelo Aro, como nome na política. Como negar, se 2026 está logo ali?
Marco histórico
O cargo de Procurador-Geral de Justiça é o de maior autoridade no Ministério Público, responsável pela administração da instituição e pela supervisão de investigações e ações contra membros do governo, do Judiciário e da Assembleia Legislativa. Em nota, Zema agradeceu os trabalhos prestados por Jarbas Soares Júnior, destacando os acordos das tragédias de Brumadinho e de Mariana como atuações relevantes à frente do órgão. Disse também que a indicação de Paulo de Tarso é um marco histórico para o MP, porque, pela primeira vez, um promotor de Justiça assume diretamente o cargo de procurador-geral no estado. Isso é verdade, mas é válido, desde que não haja nenhum interesse por trás.
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