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Preto no Branco

Começa nas redes

Por Gisele Souto · Redação· 4 min de leitura
Começa nas redes

A eleição de 2026 deixa duas mensagens que não deveriam passar despercebidas: a política está cada vez mais disputada nas redes sociais e a presença feminina no Parlamento começa, ainda que lentamente, a mudar de patamar. O primeiro fenômeno aparece com força em Minas Gerais. A deputada federal eleita Ana Elisa, de apenas 21 anos, chega à Câmara depois de conquistar 524 mil votos e de transformar sua presença digital em uma das principais marcas de sua campanha. Agora, foi chamada para contribuir com a estratégia digital da campanha de Lula no segundo turno. Não se trata apenas de números de seguidores. O episódio revela uma mudança na lógica da comunicação política. O que nesta eleição, foi melhor utilizado pela direita. Os números mostraram isso na campanha e ao final da apuração nas urnas.

Busca reação 

Durante décadas, televisão, rádio, palanque e estrutura partidária foram os principais instrumentos para alcançar o eleitor. Hoje, um celular pode colocar um candidato diante de milhões de pessoas sem a intermediação dos meios tradicionais. A esquerda percebeu que perdeu espaço neste ambiente e tenta reagir. A questão central, porém, não é simplesmente “dominar as redes”. É entender que a internet não funciona como um horário eleitoral gratuito. O eleitor não entra no Instagram para assistir a um programa político, ele entra para consumir informação, entretenimento, opinião e experiências pessoais. A comunicação que consegue ocupar esse espaço precisa disputar atenção sem deixar de disputar credibilidade. A política brasileira terá de aprender essa linguagem sem transformar o debate público em uma sucessão de vídeos, cortes e slogans. Redes sociais ampliam vozes, mas também podem ampliar desinformação, polarização e simplificações. O desafio será fazer comunicação política para a internet sem reduzir a política à internet.

Crescente

O segundo movimento é igualmente importante: a Câmara dos Deputados terá, a partir de 2027, a maior bancada feminina de sua história. Serão 109 deputadas, contra 90 na atual legislatura, crescimento de 21,1%. O número merece ser comemorado, mas também colocado em perspectiva. As mulheres representam pouco mais da metade da população brasileira e vão ocupar  cerca de 21% das cadeiras da Câmara. Portanto, o recorde é real, mas a igualdade de representação ainda está distante. Há, ainda, uma característica política relevante nesse crescimento. Levantamento da Folha de S.Paulo mostra que a nova bancada feminina terá uma composição ideológica diferente da média da Câmara, com maior presença relativa de parlamentares de esquerda. Isso ajuda a explicar por que a renovação feminina também aparece associada a novas formas de comunicação e representação política. 

Lição das urnas 

Os dois fenômenos  citados acima, se encontram em um ponto: a política está abrindo espaço para novos protagonistas. Mulheres, jovens, criadores de conteúdo e parlamentares com forte presença digital estão alterando a maneira como partidos e campanhas precisam conversar com a sociedade. Isso não significa que a política tradicional tenha acabado. Prefeitos, vereadores, deputados, partidos, lideranças comunitárias e estruturas locais continuam importantes. Mas a eleição de 2026 mostra que essas estruturas já não conseguem, sozinhas, definir quem será ouvido. A política que vem pela frente será híbrida: terá presença nas ruas e nas redes, experiência e renovação, estruturas partidárias e comunidades digitais. E talvez a principal lição das urnas seja justamente esta: não basta ocupar espaços institucionais. É preciso também saber conversar com uma sociedade que mudou — e que agora escolhe cada vez mais quem ouvir, seguir e levar para a política.

Cobram mudanças 

É exatamente a comunicação, o ponto que os jovens eleitos de esquerda cobram alterações para o 2º turno. Eles são enfáticos em afirmar que a   campanha do presidente Lula da Silva (PT) precisa mudar o foco do discurso no segundo turno e falar mais sobre o futuro do país. Um dos defensores é o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), que recebeu 249.077 votos e teve a segunda maior votação para a Câmara em Pernambuco. O parlamentar eleito defendeu que a estratégia não se limite à defesa do legado dos atuais mandatos de Lula, mas também apresente propostas capazes de dialogar com trabalhadores e jovens. Neste contexto, Lula recebeu parlamentares eleitos pelo país, entre eles, a divinopolitana Ana Elisa, de 21 anos, e Pedro Rousseff, 26,  de Belo Horizonte, ambos com forte atuação nas redes sociais. Eles são a aposta. Se irá funcionar, só as urnas dirão. 

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