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Editorial

Ano novo, problemas antigos

Por Bruno
Ano novo, problemas antigos

O ano virou, mas a realidade segue dura, cruel e, muitas vezes, previsível. Divinópolis entrou em 2026 assim como terminou 2025: marcada pela violência e pela imprudência que ceifam vidas e deixam marcas profundas na cidade. Mais uma vez, os episódios do começo do ano são um retrato claro de que mudar o calendário não basta. O que precisa mudar são as atitudes, individuais e coletivas.

Nos primeiros dias de janeiro, já foram vistos crimes que chocam e revoltam. Um jovem de 23 anos foi assassinado a tiros no bairro Nações enquanto outro, que estava com ele na mesma moto, foi baleado e sobreviveu. A vítima relatou que o colega acabara de sair do sistema prisional e trabalhava como motoboy. O crime, possivelmente ligado a disputas entre gangues, mostra que a violência não escolhe hora nem lugar. Enquanto isso, um idoso, de 62 anos, foi agredido com socos, chutes e golpes de capacete por um vizinho sem motivo aparente. E um jovem de apenas 18 anos foi assaltado a mão armada, perdendo sua motocicleta. São episódios distintos, mas que carregam um mesmo fio condutor: a falta de respeito pela vida alheia e pela lei.

No trânsito, o cenário não é diferente. Um acidente na MG-050 envolvendo um carro de passeio e um caminhão deixou uma passageira ferida, e os números do feriado de Ano Novo em Minas Gerais são alarmantes. Foram 193 ocorrências, recorde estadual, com destaque para velocidade acima do limite e mistura de álcool e direção, fatores que continuam a gerar mortes e sequelas irreversíveis. No Brasil, a Operação Ano Novo da PRF registrou 109 mortes em seis dias, uma alta de 38% em relação ao ano anterior.

É natural, no início de cada ano, ouvir falas sobre recomeços, novas oportunidades, promessas e resoluções pessoais. "Ano novo, vida nova", diz o senso comum. Mas essa máxima só faz sentido quando o compromisso com a mudança é real. Não adianta o calendário virar, se as ações permanecem as mesmas. Se 2026 não trouxer reflexões e atitudes diferentes, será apenas um 2025 parte 2, com mais sangue, mais sofrimento e mais perdas.

O ano passado já foi um dos mais violentos dos últimos tempos em Divinópolis, com 50 homicídios e números de acidentes que chamaram a atenção. Não é hora de naturalizar a violência nem a imprudência. É hora de cobrar responsabilidade, de repensar escolhas e de assumir que cada ato individual tem impacto direto na vida coletiva. A segurança, o respeito e a preservação da vida não se renovam sozinhos com o virar da página do calendário. Eles exigem consciência, educação, fiscalização e, acima de tudo, mudanças concretas de postura.

Se queremos que 2026 seja de fato um novo capítulo, precisamos enxergar que não existe botão de reset para violência e imprudência. Mudar é um processo, e começa dentro de cada um de nós. Caso contrário, estaremos apenas assistindo à repetição do mesmo roteiro, com as mesmas tragédias, os mesmos acidentes, a mesma dor.

O tempo passou, o calendário mudou, mas a chance de fazer diferente ainda está em nossas mãos. Que 2026 seja, de fato, o ano da reflexão e da ação, antes que a história se repita mais uma vez.

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