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Editorial

Início de uma nova cobrança

Por Bruno
Início de uma nova cobrança

Depois de mais de 15 anos de espera, o Hospital Regional de Divinópolis finalmente deu um passo que parecia não chegar nunca. A sanção do projeto que autoriza a doação da unidade à Universidade Federal de São João del-Rei não é um detalhe burocrático, é um marco, mas também é um teste. Um teste de responsabilidade para todos que, em algum momento, disseram trabalhar para que esse hospital saísse do papel.

Esse avanço não nasceu de um gesto isolado nem de uma canetada solitária. Ele foi construído ao longo do tempo, por diferentes atores, em momentos distintos, com funções específicas. Reconhecer isso não é bajulação. É compromisso com a verdade.

Lá atrás, ainda no início da história, Domingos Sávio foi um dos primeiros a colocar o Hospital Regional no debate político, quando o tema ainda era ignorado por muitos. Nos anos seguintes, o assunto seguiu vivo graças à insistência de quem se recusou a aceitar que o prédio se tornasse apenas um símbolo do abandono.

Desde 2021, o prefeito Gleidson Azevedo e o deputado Eduardo Azevedo mantêm tratativas diretas com o governador Romeu Zema, buscando uma saída institucional para destravar o hospital. Essas conversas foram decisivas para manter o projeto na mesa do Executivo estadual e impedir que ele se perdesse na burocracia ou na troca de prioridades.

Outro ponto central foi a articulação para garantir um modelo de gestão viável. Foi nesse momento que entrou o governo federal, com a definição de que a unidade seria administrada no âmbito universitário. Essa construção permitiu que o hospital deixasse de ser apenas um prédio pronto e passasse a ter perspectiva real de funcionamento.

No Legislativo, a deputada Lohanna França teve papel determinante ao apresentar o projeto de lei que autorizou a doação do imóvel à UFSJ. Sem esse texto, nada avançaria. Foi a partir dele e da cobrança quase diária que o processo ganhou segurança jurídica e saiu da estagnação.

Nada disso apaga o fato de que o Estado construiu o hospital, nem que a União terá papel central na sua operação. Pelo contrário. Mostra que o avanço só aconteceu quando diferentes esferas pararam de competir e começaram a convergir.

Mas é preciso deixar claro. A sanção não é o fim. É apenas o começo.

Hoje, o hospital ainda não atende. Não há pacientes sendo recebidos, não há UTIs funcionando, não há alívio para quem espera por uma vaga. A população continua enfrentando filas, UPAs lotadas e um sistema de saúde no limite.

Por isso, a partir de agora, o discurso precisa mudar. Quem ajudou a construir esse avanço precisa assumir a próxima responsabilidade. Cobrar prazos, acompanhar cada etapa, fiscalizar contratos e garantir que o hospital abra de verdade.

O Hospital Regional não pode ser tratado como conquista política. Ele é uma necessidade urgente. Essa história só estará concluída quando as portas estiverem abertas e vidas estiverem sendo salvas. Até lá, ninguém pode sair de cena.

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