Bandeira vermelha pode voltar e encarecer conta de luz

Jorge Guimarães
Depois de boas notícias nos primeiros três meses do ano, o consumidor de energia elétrica brasileiro pode enfrentar neste ano, um período de mais de seis meses de bandeira tarifária vermelha. O motivo é uma menor oferta no sistema elétrico gerando uma cobrança adicional nas contas, segundo as explicações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). E um dos grandes problemas que o governo pode enfrentar é a retomada da economia, mesmo que leve é capaz de comprometer os reservatórios, pois a demanda de água, principalmente, nas indústrias pode afetar todo um sistema. Essas previsões que já assombram as autoridades podem vir na hora que o consumo está aumentando e, com isso, pode ter haver um freio pelo lado do consumidor. Então, o que pode se fazer com a engrenagem que gira o mercado varejista, em franca acessão, dê uma estabilidade?
Com a palavra, os consumidores.
— Lá em casa, a gente já economiza desde 2015, e assim vamos levando. O problema é que o consumidor brasileiro não tem nenhuma responsabilidade quanto ao cuidado para com a natureza. Como já estamos vigilantes para economizar nas contas de energia, vamos apertar ainda mais o cinto — disse o vigilante Haroldo Rodrigues.
Para o comerciante José Otávio, dono de uma mercearia, o jeito é economizar de alguma forma, pois de pouco em pouco no final das contas o gasto é grande.
— Vou recorrer a uma das minhas estratégias de economizar. Aproveitando as estações outono/inverno, vou desligar uns dois freezers e trabalhar somente com dois. Já é alguma coisa — avaliou o comerciante
Reservatórios sem capacidade
A situação desfavorável dos reservatórios de energia das regiões Sudeste e Centro - Oeste, que respondem por 70% da capacidade de geração do país, pode refletir em aumento na conta de luz a partir de maio. Com os reservatórios 28,81% abaixo do volume registrado em março do ano passado, uma leve retomada da economia é capaz de fazer com que a bandeira vermelha seja “hasteada” já em maio. Neste caso, haverá aumento de R$ 3,50 a cada 100 quilowatts-hora (Kwh) de energia consumidos.
Conforme o presidente da CMU Energia, que é um Agente Comercializador de Energia Elétrica no âmbito da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (Ccee), autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Walter Fróes, a previsão é a de que a bandeira vermelha continue em vigor durante todo o período seco, que vai até novembro. E caso haja uma grande recuperação da economia, o sistema pode entrar em colapso e o fantasma do apagão voltará à tona.
— O período úmido não tem sido bom. Em novembro e em dezembro choveu razoavelmente, e em janeiro e fevereiro ficou abaixo da média histórica. Em março, andamos de lado — lamenta o executivo.
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