Anunciadas novas regras para cartão de crédito

Jorge Guimarães
O dinheiro de plástico passa a ter novas regras, a partir da próxima segunda – feira, 3, para tentar evitar o endividamento de muitos consumidores, que fazem dele um crédito imediato. Na prática, a partir de agora, após 30 dias que o cliente entrar no crédito rotativo, o banco terá que oferecer um parcelamento do saldo devedor através de empréstimo pessoal ou o parcelamento automático da divida em até dois anos.
Mesmo assim, o consumidor não pode se acomodar no parcelamento automático da divida, até por que tem taxas de juros, no mercado, bem mais baixas. Neste caso, a substituição da taxa mais baixa pela aquela que está mais alta, mas a melhor opção seria quitar as dívidas assim que for possível.
O preocupante é que para muitos, o cartão de crédito significa empréstimo fácil e dinheiro na mão, e ainda tem opção de pagar somente uma parte, o mínimo, e deixar o resto para depois. O problema é que depois a conta fica cara, tão cara que vira uma luta para sair do chamado rotativo.
E o final para muitos é o endividamento, pois o saldo negativo pode virar uma bola de neve e o usuário nunca consegue finalizar o débito.
Para o economista Leandro Maia, o autocontrole e a equalização dos gastos devem ser seguidos a risca.
Ele explica que, primeiramente o consumidor, tem que ter o autocontrole, não sair comprando impulsivamente, pois as taxas de juros são altas no Brasil, chegando algumas acima dos 10% ao mês.
— E estes juros abusivos podem levar aquele consumidor, mais desavisado, a um ciclo vicioso e não conseguir sair dele. Outra importante dica é viver dentro de um padrão de vida compatível com sua realidade financeira— avalia Leandro.
Cuidado
Mesmo com o parcelamento, o consumidor tem que continuar tomando cuidado com o cartão, pois apesar de menores que no rotativo, os juros do parcelamento também são altos , em alguns casos chegando perto dos 10% ao mês, dependendo da instituição financeira— completa.
Troca
Uma para o usuário é trocar uma dívida por outra. Por exemplo, os juros do cartão de crédito no mês passado chegaram a 15,16%, cheque especial 12,40%, empréstimo em financeira bateu nos 8, 30%. Já quem parcelou direto no comércio pagou, em média, 5,88% e quem negociou o empréstimo no banco ficou com a menor taxa 4, 58%, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).
— Quando vi que estava caindo num buraco sem fundo procurei ajuda com um amigo que entende de finanças. E a primeira medida foi me reeducar financeiramente. A outra foi quitar meu débito do cartão, optando por outro empréstimo de juros menores — disse o comerciário Kleber Lacerda.
E tem ainda outro jeito de não deixar a dívida crescer, mas um pouco difícil para alguns, é quando perceber que a dívida está crescendo é passar a comprar à vista, assim controla também a compra por impulso.
— Depois dos apertos que passei com o tal de cartão de crédito, que me foi oferecido por um banco, não caio mais nesta tentação. Agora se tiver dinheiro eu compro, ou então vou juntando para comprar à vista — analisou a dona de casa Rosa Teixeira.
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