Cemitério é de responsabilidade da Prefeitura, afirma empresário

Da Redação
A situação do desabamento do muro do Cemitério da Paz, no Centro de Divinópolis, ganhou um novo capítulo. Em áudio que circula nas redes sociais desde o dia 8 de fevereiro, e que seria de Luiz Cláudio Martins (Bezerro) – um dos donos do terreno que faz divisa com o cemitério –, ele trata o caso com desdém e proíbe funcionários de darem qualquer tipo de declaração sobre o desabamento do muro do Cemitério da Paz. Na gravação, Bezerro teria dito ainda que o “cemitério é da Prefeitura, agora ela se vira (sic). Entendeu?”.
Ao que tudo indica, o terreno da rua Goiás, 1480, com área total de 2.766 metros quadrados, em nome de Marisa da Consolação Martins – que tinha como coobrigados Jaime Martins Filho, Luiz Cláudio Martins, Geraldo Magela Martins e Maurílio Eugênio Martins – seria transformado em um prédio comercial, mas a obra trouxe enorme transtorno, pois na noite de 31 de janeiro o muro de cemitério desabou, trazendo abaixo 28 jazigos e, com isso, cerca de 80 corpos “vieram abaixo”.
No áudio atribuído a Bezerro, ele ainda diz: “eu não quero que ninguém da empresa, da empresa nossa aí, nem você, nem ninguém [inaudível], cemitério é da Prefeitura, agora ela se vira (sic). Entendeu? Agora pode, além do risco né? Espera as reuniões de hoje, para ver o que vai ser tomado de providências. Não quero que passa nem na porta [do cemitério], não dê depoimento, não fale com ninguém”.
Transtornos
Até o momento, só se sabe que a Serra Dourada Empreendimentos – que pertence a Maurílio Eugênio Martins e tem como sócias outras empresas, como a Tangran Empreendimentos e Participações LTDA, a Geraes Empreendimentos, Investimentos e Participações LTDA e Diogo Andrade Vieira – contratou a Gerais Arquitetura e Engenharia LTDA para iniciar a construção do prédio comercial em 2018. Em março de 2019, a obra trouxe o primeiro transtorno, quando parte da avenida Paraná cedeu e abalou a estrutura do cemitério.
Na época, o engenheiro responsável pela obra, Marcelo José Martins, anunciou que seria feito um muro para conter a estrutura do cemitério e evitar um possível desabamento. Pouco antes de completar um ano que parte da avenida Paraná havia cedido, o muro veio abaixo.
Prefeitura
O Agora entrou em contato com a Prefeitura e, em nota, o Executivo informou que “ainda não foi procurado pelos responsáveis da obra. A Administração disse ainda que aguarda o resultado da perícia para tomar as devidas providências legais em relação ao caso”. Ainda segundo o Município, o laudo é esperado para os próximos dias, tendo em vista que o juiz fixou o prazo de cinco dias para a finalização dos trabalhos do perito por ele nomeado.
Empresa
Desde o desabamento do muro do Cemitério da Paz, a Serra Dourada Empreendimentos se pronunciou apenas uma vez. Em nota divulgada no dia 3 de fevereiro, afirmou que solidariza com os familiares atingidos pelo desmoronamento dos jazigos e a consequente queda dos muros de divisa do cemitério.
No posicionamento, a Serra Dourada garantiu ainda que agiu dentro das normas de engenharia civil e legais, e que as causas do desmoronamento seriam apuradas. A empresa afirmou também que estava em “esforço conjunto com o Município e demais órgãos públicos, buscando soluções para reestabelecer o quanto antes as condições adequadas de segurança para que as autoridades possam iniciar os trabalhos necessários no local”.
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