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Welber Tonhá

Cultura de quando uma cidade chega ao centro da história

Por Welber Tonhá · Colunista· 3 min de leitura
Cultura de quando uma cidade chega ao centro da história

Há momentos em que uma cidade deixa de ser apenas um ponto no mapa e passa a ocupar um lugar mais largo na história. Divinópolis vive agora um desses instantes. Pela primeira vez, um filho da cidade chega ao Governo de Minas, mas a fotografia política revelada pelas urnas de 2026 é ainda maior: ao lado de Cleitinho Azevedo no Governo do Estado, Domingos Sávio chega ao Senado; Gleidson Azevedo, Lohanna França, Ana Elisa e Gleide Andrade conquistam cadeiras na Câmara dos Deputados; e Eduardo Azevedo permanece na Assembleia Legislativa. É uma presença que atravessa Belo Horizonte e Brasília e oferece à cidade uma representatividade rara em sua trajetória.

Não se trata de imaginar que o poder deva olhar somente para a terra onde nasceu. Um governador governa Minas inteira, um senador representa todos os mineiros, deputados federais legislam para o país e um deputado estadual carrega responsabilidades que ultrapassam as fronteiras municipais. Ainda assim, ninguém deixa completamente para trás o chão onde aprendeu a caminhar. A origem permanece na memória, no sotaque, nas ruas conhecidas, na compreensão dos problemas que, vistos de longe, muitas vezes parecem apenas números impressos sobre uma mesa.

A história de Minas mostra que representação política e desenvolvimento podem caminhar lado a lado. Uberlândia teve em Rondon Pacheco um de seus grandes nomes, justamente em décadas de expansão econômica, industrial e regional. Araxá ganhou especial visibilidade durante os governos de Romeu Zema, seu filho ilustre, em um período marcado por investimentos expressivos. Diamantina, por sua vez, talvez ofereça o exemplo mais poético: Juscelino Kubitschek saiu de suas ruas para governar Minas e depois o Brasil, levando consigo o nome de sua terra natal para as páginas definitivas da história.

Nenhuma dessas cidades cresceu apenas porque teve um governador. Cidades não são erguidas pelas mãos de um único homem, nem prosperam pela força isolada de uma eleição. Crescem quando planejamento, iniciativa privada, universidades, hospitais, cultura, educação, estradas e trabalho encontram também uma representação política capaz de abrir portas e aproximar caminhos.

É por isso que Divinópolis precisa compreender a grandeza e, sobretudo, a responsabilidade deste momento. Temos um governador nascido aqui; um senador cuja longa trajetória pública se entrelaça profundamente com a cidade; quatro deputados federais ligados a Divinópolis, entre eles Gleide Andrade, também natural do município; e representação na Assembleia Legislativa. Gleide nasceu em Divinópolis e conquistou em 2026 seu primeiro mandato eletivo como deputada federal, acrescentando mais uma voz divinopolitana à bancada mineira em Brasília.

São nomes de diferentes partidos, histórias e pensamentos. E talvez aí esteja a beleza — e o desafio — desta fotografia. Quando se apagam por alguns instantes as cores das bandeiras partidárias, permanece o nome de uma cidade. Há causas que precisam ser maiores que esquerda ou direita: saúde regional, estradas, universidades, industrialização, emprego, segurança, cultura, turismo, mobilidade e desenvolvimento do Centro-Oeste mineiro.

Mas representação, sozinha, não produz milagres. É preciso saber o que queremos construir. Divinópolis necessita transformar seus sonhos em projetos, suas necessidades em propostas e sua força regional em planejamento. Prefeitura, Câmara, universidades, empresários, hospitais, entidades e sociedade civil precisam olhar para os próximos vinte ou trinta anos. Porque possuir caminhos até o poder pouco significa se não soubermos para onde queremos seguir.

Os mandatos passarão. Os cargos mudarão de mãos. Um dia, os rostos de hoje estarão guardados em jornais, fotografias e livros. O que poderá permanecer serão as estradas abertas, os hospitais fortalecidos, os empregos criados, as escolas ampliadas, a cultura preservada e as oportunidades deixadas para aqueles que ainda nem chegaram.

Divinópolis ganhou voz em muitos lugares ao mesmo tempo.

Agora começa a parte mais bonita — e também a mais difícil — dessa história: fazer com que tantas vozes, mesmo diferentes, consigam pronunciar juntas algumas palavras fundamentais.

Divinópolis. Desenvolvimento. Futuro.

Porque a história não começa quando alguém chega ao poder. Ela começa quando uma cidade consegue transformar presença em caminho, representação em conquista e oportunidade em legado.


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